Lista de Poemas
Aforismo
Somos todos iguais na diferença.
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
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Luas
Há tantas luas
Que não me sorrias
Que as rugas te tornaram bela e eterna
Nestes meus
teus olhos idosos
Que não te perderam a idade
Nem a forma
Nem o gosto
Nem a chuva que nos calava
Nem a chama que nos perdurava
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Sem Rosto
Era uma vez um sorriso sem rosto
De olhar assustado
Atrás de uma máscara
Triste e calado
São os tempos do contratempo
Que nos tiraram o tempo
Num mundo desumanizado
Estranho,
Preso no seu tempo
Ausente no pensamento
Desconfiado,
Que olha para dentro,
Deixando o abraço em confinamento
Os dias ao acaso,
E a morte sem lamento
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Orgulho
Estás perdoada
Se é o não que temes
Sempre aqui estive
Desde que a Primavera era flôr
Não sei quantos mais Invernos irei estar
Talvez enquanto o teu abraço ainda tiver cheiro
Do teu pedestal feneces calada
Afogaste o amor e osculaste o orgulho
De olhos vendados
Abraças-me em sonhos
De olhos calados
Sonegas-me o corpo
E tudo para seres forte
Aos olhos de muita gente
Quando tens carne e sangue que sente
Na dor maior
Quando ao coração se mente
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Coração empedernido
Quando a lágrima
se substitui ao verbo
e o verbo jaz
em coração empedernido
não há intento onírico
que afague a montanha
nem nuvem
que beije a encosta
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Palavras soltas
Um beijo que sabe a tudo
Dito pelas nossas bocas
Falado pelo olhar
Sentido nas palavras soltas
O teu corpo é prosa
Escrevo-o na sede do momento
Rimas em silêncio ditas ao acaso
Num respirar cego
Poetamos naquele bocejo de alvorada
Como se o mundo fosses tu
E não houvesse mais nada
Escrevo-o na sede do momento
Rimas em silêncio ditas ao acaso
Num respirar cego
Poetamos naquele bocejo de alvorada
Como se o mundo fosses tu
E não houvesse mais nada
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Arrepio
Beijo-te
A tua insana
Minha boca
Alvorada meia lua
Ao arrepio
Sentes-te louca
Mordes o cio
E a nudez
Das nossas bocas
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Abraço
Não sei o que o mar sente
Quando a lua se ausenta
Não sei de cor é o céu
Quando habita a tormenta
Sei que a noite pesa
Para além da idade
Sei que o silêncio
Se gosta para além dos dias
Sei que o amor se basta
Num singelo e sincero
abraço
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Tormenta
Dias a fio
Escuto a voz incessante
Deste rio
Assombro molhado
No chão cansado
Olho descalço
O vento irado
As noites frias
Do inverno demorado
Onde incerto, abrigo
Sobrevivo acordado
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Manhãs de Outono
Nada se compara ao espreguiçar
Das manhãs de Outono
Ao murmúrio das aves sonantes
À poesia das folhas dormentes
E ao romper dourado
Da aurora crescente
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