Lista de Poemas
Paradoxo substancial
A constatação da minha inscícia
ante a plenitude de luminância
do Cosmo em completa exuberância
aflige-me como perversa sevícia.
A cada estrela que tenho notícia,
reconheço a minha irrelevância
de matéria bariônica, substância,
exterminável sem laivos de nequícia.
No entanto, exulto de alegria
por ser partícipe na epifania
do surgimento da vida planetária.
Em que cada molécula solitária
aglutinou, mudando sua essência;
E hoje, contém do Cosmo consciência.
👁️ 162
Dualidade
O meu corpo frágil, inerme,
Que herdei dos meus ancestrais
Que foram ferozes animais,
Sucumbe até mesmo ante um germe.
Dentro e fora da minha epiderme
Há uma pletora de sinais
Que nem com produtos medicinais
Consigo me defender de um verme.
Contudo, esse meu estado de vulnerabilidade
Não é um estado de decadência,
Mas uma afirmação da minha humanidade.
Com isso, tenho plena consciência
Que, a despeito de toda fragilidade,
Sou uma maravilha da existência!
👁️ 172
As três dimensões do Sentido
Se a vida não lhe parece fazer sentido
Saiba que assim o é, pois o deveria ser.
Não há nenhum roteiro a ser seguido,
Tua própria história tu deves escrever.
Se não valoras o que tens sentido
Desprezando todo o teu querer,
Vais viver do mundo escondido
E seus significados nunca poderá entender.
A vida é bela e vale a pena ser vivida
Não desista, nem reclames
Por mais que pareça estar ruída
A tua história não está concluída.
Erga-te e o teu percurso reprogrames,
Que verás o quão ainda pode ser divertida, a vida!
👁️ 158
A beleza da Vida
Nas imensidões astronômicas,
poucos são os planetas
propícios à eclosão de gametas
com complexas estruturas atômicas.
Todas as variações cromossômicas,
conhecidas, aparecem em silhuetas
imperceptíveis aos não estetas
das maravilhas anatômicas.
Que seguem lindos padrões,
evolutivamente selecionados
das miríades de possíveis mutações.
As quais por gerações se refizeram
em detalhes finamente ajustados
E, hoje, beleza magistral exuberam.
👁️ 162
A Vertigem
Sofro uma vertigem sincóptica
Ao contemplar a natureza
Da tua feérica beleza
Oh! Criatura hipnótica.
A tua rosicler face gótica
É um engodo de singeleza
Que dissimula sua cruel frieza
De besta fera robótica
Que me deixa paralisado
Como um ébrio extasiado
Pensativo num gélido entardecer:
“Por que tu estás distante
Do meu abraço amante
Que anseia nos aquecer?”
👁️ 167
A Lição
Não precisei residir no degredo
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.
Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.
— “A vida é um curso de tragédias
que nos colocam diante um conflito:
Ter ações ou nos render às acédias?”
Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
nem testemunhar dias tenebrosos
para viver momentos dolorosos
que me deixaram aflito e com medo.
Entendi assim que há na vida um segredo
oculto em lugares misteriosos
acessíveis aqueles corajosos
que ousam percorrer o próprio penedo.
— “A vida é um curso de tragédias
que nos colocam diante um conflito:
Ter ações ou nos render às acédias?”
Ninguém irá encontrar algo escrito
nos livros sãos e nas enciclopédias
como resposta para isto que edito.
👁️ 91
A mudança climática
Para além das montanhas
do norte, do horizonte,
vivem pessoas estranhas
que não habitam os montes.
Delas meu pai me contava
e eu sempre escutava.
Ficava maravilhado
com aquelas aventuras
nas planícies, nas alturas,
e me sentia ousado.
No lugar em que vivemos
a rotina é constante,
o que plantamos, comemos.
Ô fruto excruciante!
Não gosto que seja assim,
mas não existo só por mim.
Vivo por todo meu povo
que trava suas batalhas
pra não viver de migalhas
almejando um renovo.
A nossa vida pacata
foi toda modificada
após a infeliz data
da tétrica¹ temporada
dum frio avassalador
que em todos grassou² pavor.
Os velhos e as crianças
foram logo abrigados
e os animais, cuidados,
prontos para as mudanças.
Das mais diversas direções,
vindos de incógnitos clãs,
surgiram muitos aldeões
atrás de nossas anciãs
pra lhes treinar coser frisas³
e assim suster as brisas
de lhes lancinar a nudez
enquanto se preparavam
e comida estocavam
pra enfrentar a escassez.
Tal intercâmbio cultural
trouxe oportunidades
de crescimento pessoal
para todas as idades,
por elevar os saberes
sobre os seus afazeres
ao nível de ciência
que engendra benefícios
para todos os ofícios
que exigem sapiência.
Mas o povaréu sem pejo⁴,
não com tudo satisfeitos,
incitaram o desejo
de mudarem os preceitos
que através de gerações
somos os zelosos guardiões,
causando por alvedrio⁵
uma tensão intergrupal
em nosso laço social
para enfrentar o frio.
O embate suscitado
evolou à recordação
um acordo assinado
entre os chefes de então.
Com ele haveria paz
para todo homem capaz
de cumprir as sagradas leis
que desde eras vetustas⁶
são conspícuas muito justas,
mesmo entre grupos sem reis.
O vexame hodierno
é que os jovens não sabem
o que os tornou modernos.
Talvez o mundo acabem
por reproduzir os erros
que causaram mil enterros.
Nem o frio nem o calor
causam danos veementes
quão tão incultas mentes
das atrozes lendas da dor.
👁️ 168
Amazônia
O flagelo que aflige o meu povo
com dores excruciantes e asfixia,
é algo com o qual eu me comovo.
Não suporto mais esta pandemia.
Quero a felicidade de um dia novo,
mas sou impedido pela hipocrisia
daqueles que se dizem um renovo,
mas são representantes da vil tirania.
Para eles nenhum tipo de evidência
encontrada pelos esforços da ciência
parece fazer algum sentido ou importar.
Governam com maestria na incompetência
nos fazendo viver uma ironia, uma incongruência:
“O pulmão do mundo não consegue respirar”.
👁️ 89
Jornada Cósmica
Quando eu ligava as estrelas com pontos
Garatujando no céu sonhos e devaneios
Que se traduziam em sublimes contos
Onde eu podia expressar os meus anseios
Eu não imaginava quantos confrontos,
Quantas batalhas e quantos bombardeios
Eu teria que enfrentar sem descontos
Para garantir da sobrevivência, os meios.
Me deixei iludir pelo brilho das estrelas
E me que esqueci que o espaço é escuro,
É frio e é solitário. A definição de inseguro.
Hoje, no entanto, eu ainda não fechei as minhas janelas,
Pois embora viver neste Universo seja algo obscuro,
Sonhar com as estrelas me direciona para o futuro.
👁️ 90
Caminhando no Escuro
Em uma noite fria
uma fogueira estava a queimar.
Este fogo ardia numa caverna
que alguém as paredes começou arranhar.
Aqueles riscos e rabiscos
formas eternas começaram nas rochas deixar.
Insígnias das coisas e seres
que aquele ser impressionado que as via
queria de alguma forma demonstrar.
Imprimir o que impressiona.
Exaurir o peso que sob os ombros pressiona.
Fixar o passageiro.
Lembrar o esquecido.
De lá a cá
muitos anos se passou.
Nos movimentos da dança entre a Terra e o Sol,
esse passo continuou.
Eu homem numa Selva de Pedra estou.
A porta da minha casa não possui mais seres
que sobre a minha carne deseja os dentes amolar.
Pior!! Aqueles que perto estão
são os que querem me devorar.
O que dizer?
O que contar?
Se dentro de uma Selva de Pedra
não há coisas firmes e robustas
as quais eu possa me expressar.
O que sobra a mim
é o sangue das árvores.
Frágil, maleável e marcado,
assim como eu.
A minha caverna na Selva de Pedra
parece me isolar, proteger e guardar.
Mas ela não me deixa alheio
aos seres que ao redor estão a perambular.
Será que como os meus ancestrais, eu devia com
tais seres me importar?
Por que ter o peso deles em mim?
Ter suas imagens fixas em minha mente?
Lembrar sempre de suas maneiras de agir ao alvorecer?
Pensar em algo para com eles fazer?
Com isso eu quero o poder do caçador?
A glória do guerreiro?
A honra do Líder?
Os recursos do vencedor?
O que do mundo importei pra mim,
é realmente o que me importa?
Será que importa exportar o que importado foi?
A quem de interesse será o que há em mim?
A você? Aos meus pais? Meus irmãos e familiares?
Aos amigos, amantes, vizinhos e viajantes?
Não importa.
Questões e pensamentos,
Arrazoações dos sentimentos.
Tudo para manifestar, por riscos e rabiscos,
eletrônicos, as coisas que estão a mim assustar.
O que seria viver se eu não me importasse?
Se, as experiências que vivo não tivessem nenhum valor?
Se, as pessoas que estão ao meu redor fossem vistas como um nada,
um ser outro que não eu?
Eu simplesmente as Mataria? Escravizaria? Exterminaria?
No baile galáctico, onde a terra e o Sol brincam,
os homens essas questões tiveram que enfrentar.
Muitos tropeçaram nos passos,
outros, poucos, um show a humanidade vieram dar.
Nessa luta da sobrevivência, dessa guerra travada.
Dos homens contra si mesmos, das almas cansadas.
Muito sofrimento foi gerado e vidas são despedaçadas.
Mas mesmo em tal guerra há compasso,
há calor nos choques, ouvindo-se
assim algo como um ritmo a tocar.
São as batidas dos corações, revelando em cada Ser através das pulsações
a vida tentando majestosamente mais tempo poder contemplar
Os movimentos que todo o Universo está a bailar.
Oh caverna ingrata que meus sentimentos quer prender.
Não ficarei preso em seus recintos com as gravuras sombrias
daqueles que me importam.
Exportarei de suas portas o que o mundo imprimiu em mim.
Verei a luz que brilha lá fora e deliciar-me-ei
com as coisas em sua plenitude.
Encararei o mundo como é e não como de dentro de ti eu o via.
Que o fogo das minhas palavras queime nesse papel e ilumine
a minha visão enquanto eu estiver em ti.
Para assim poder ver que preso em sua escuridão
estou acostumando-me com a imobilidade mortal.
A luz que há fora de ti permite-me visualizar os movimentos
e esbarrões da guerra/dança da sobrevivência
e que enfrentar essa situação
é a Arte de Viver.
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