Renascido das cinzas
Renascido das cinzas
Sinto a maré das lamentações
Bebo da àgua salgada do mar
E esse salgado se transforma dentro
De mim
Logo no fundo do abismo
Faço minha morada de madeira e solidão
Aconchego-me na tristeza
Pois é tudo que conheço
E a luz que raia dourada logo acima
Arde em minha pele como fogo
As vezes sou possuido pela raiva
E quero destruir o mundo
E as vezes sou calmaria
E me conecto com o tudo
Nesse embate natural
Do bem e mal
Olho risonho de lado
E encaro no fundo da minha alma
Criação faz a destruição
Todo dia sou algo novo
Um dia voarei pelos ceus
E espalharei mensagens do juizo final
E quando aterrisar
Descansarei pelo fim dos tempos
Amargura do pensar
A consciencia me acorrenta
Preso nos grilhões de mim por mim mesmo
Sairei desta prisão
E congelarei este mundo quente
Até a ultima alma se tornar solida
As consciencias
Sem desespero
Sem tristeza
So a multidão sasciante
Das minhas alegrias
Que eu viva pra sempre
Para poder sentir
A união dos futuros
Animais
Que sejamos
As ultimas conscienscias
A testemunhar a morte lenta
Do sistema solar
Que as vidas
Sem sentido
Fação valer a pena
E só então descansaram
Balada dos cães
Balada dos cães
Na balada dos cães
No fundo da rua sem saida
Os vira-latas sarnetos
Jogam poker
As cadelas
Assistem
Mortas
Sem vida
Mas os cães
Riem
Cantam
Bebem
Na balada dos cães
Não sabem outra coisa
A não ser
Cantar
Beber
Jogar
Transar
Brigar
Mas no fim
Da balada dos cães
Ao primeiro raio da alvorada
As sombras caninas
Voltam para
Qualquer lugar
E esperam
A proxima balada dos cães
Ansiosos
Tristes
Raivosos
Então enfim
Podem esquecer de suas vidas
Miseraveis
Morro
Lugar fresco de emoções
No topo mais perto do ceu
Longe das massas e multidoes
Que fez o mal que se deu
No alto do colina mais amavel
Me fez despertar e admirar o breu
Senti o toque da noite e senti meu
O coração do mundo, batendo irreversivel
Nessa noite olho logo a baixo
E vejo no que tudo se transformou
Um deserto de concreto, sem luxo
Miseria e tristeza se acomulou
Mas nessa colina estou livre disso
Estou livre pra dançar e cantar
e quando o sol novamente raiar
Descerei ao abismo despretensioso
Vira-lata
Afugentou-se estranho
Do lugar, incomodado
Sim, novamente sozinho
Sim, novamente exilado
Jovem jogado de lado
Justo, um pano usado
Agora so resta nada
Certeza equivocada!
Banco da Praça
No banco da praça
Sentado e sozinho
Pondero sobre a vida
Mesmo as reflexões mais simples
Se tornam crises a serem resolvidas
Queria poder fazer de mim
O homem em pé do seus problemas
Mas nesse banco da praça
Tenho a lua como testemunha
Que falhei em minha busca
Por isso
Sento no banco da praça
Como fuga de mim mesmo
Como preso numa ilha
Bebo das minha lagrimas
Para não ter sede
E devoro da minha carne
Para não passar fome
Mas voltando ao continente
Posso ser só mas um
Ainda sozinho
Mas preso agora entre o mar de pessoas
Luto contra o tempo
Na tentativa pifia de viver
Mesmo a morte
Assim como a vida
Não faz sentido
Se eu penso
Sou condenado
Mas nesse banco da praça
Fumo um cigarro
E vejo carros
Pessoas
Que nunca mais verei
E não posso querer ve-las
Eu sou o nunca
Não existo
Sendo o que acho que sou
Apenas uma parte imcompleta de mim mesmo
Folhas de arvores caindo
Na estação de outono
Fazem o lugar dessa praça
O recomeço do ciclo
Esse banco da praça
Agora faz parte de mim
Tanto como memoria
Como sangue e carne
Depressão
Respiro em tubos de marmore invisiveis.
Estou doente...
Multilaram-me os braços e as pernas
Arrancaram me minha consciencia
Eternamente doente...
Minha mente agora é carne, não existe mais espirito em mim.
Impiedosamente doente...
Que não exista mais nada, pois sou tudo que me resta.
E tudo que me resta é miseravelmente pouco.
Tão pequeno...
Tão insignificante
Quanto mais se cresce mais se encolhe, e quanto mais se encolhe mais se torna carne.
Carne apodrecida, um incosciente com necrose.
Salvadores não passam de excentricos
Malucos são os mais sanos
O normal fede
Boas pessoas morrem como as más
Tudo é nada no fim
Durmo, porque sei que a visão não passa de mentiras.
A unica verdade é no escuro.
Os primeiros não extraem da honestidade.
Os segundos não veneram as virtudes
Os terceiros não lutam pela justiça
Os numeros não contam, os que contam não são.
Qual a metrica da realidade?
Nascemos como reguas do nosso potencial?
Medimos nada, porque não somos numeros ou somos?
Nascemos e nascemos, a morte não é real.
Estou gravido da minha doença, dou a luz a propria destruição.
Sou feito de vermes.
Minha cabeça doi.
Palha queima e da luz ao fogo, como o fogo da luz a nada.
Sou cinzas de alguma coisa, meu unico conhecimento é um fogo que ja se foi.
Não existe nada daqui pra frente, somente lama devoradora de carne.
Minha cabeça doi.
O Ébrio
Homem que fez em sua imagem
O mais sujo dos martires
Morreu em sua queda, eternizado desdém
Com seu proposito, servir de consolação para cães
Que guarda em sua campa, mais paixão do que cristo
Para os loucos e perdidos sem salvação
Para aqueles que não se sobra mais tempo
O preto infindo da noite
Junto dos choros dos desesperados
Faz ao esqueleto do martir morto
A compania que não teve em vida
Esses loucos e perdidos são
Como os mortos em todo lugar
Se estão vivos não sabem
Pois se está mesmo vivo aquele
Que não se percebe mais?