Lista de Poemas

EFEMERIDADE


Nesta vida efêmera, tudo tememos:
-O futuro, o escuro, os amores-
Seguimos dançando no ritmo fatal que nosso coração bate;
Um triste rufar de tambores que precede o desconhecido de todas as manhãs.
Lembro-me da infância; de quando me deitava no chão e adivinhava o formato das nuvens, antes delas sumirem
Hoje, sou eu mesma tão efêmera quanto uma nuvem.
Aprendi muito cedo que a vida é feita de escolhas,
Das mais simples, até as mais cruéis;
Todos os dias escolhendo as marcas mais baratas do mercado
Se volto para casa, ou se me atiro da ponte.
Esses dias, vi uma folha cair da árvore.
Ela parecia feliz enquanto voava no vento
Para muitos, seria apenas uma folha
Mas para mim, é a prova concreta
De que somos livres

Apenas quando morremos.
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OS RÉPTEIS



As costas estão leves
O peso se esvaiu
Os ombros são vazios
Mas isso não é bom;

Apenas indica
Que a arte da vida
Vazou pelos póros
Como um suor sorrateiro
A escorrer pela testa

Amigo, você bem sabe
Nós investimos muito na vida
Antes de decidir que não valia mais a pena

Vimos esperança nos esquifes tortos
Acreditamos na cura da doença que entristece
Entristece e enrijece os músculos do rosto
Até que esquecemos como é sorrir de novo

Avançamos no sinal vermelho
Porque sabíamos que não podíamos esperar
Provamos o gosto da natureza
Reconhecemos o cheiro das ervas
Só para termos certeza que não viram nada
E que no fim, apenas as cápsulas podem nos salvar

-Ou pelo menos adiar nosso fim-

Não há nada que se compare
Ao esforço de criar esse poema;
As mãos trepidando
Enquanto moldam estes versos
Que depois de prontos nos engolem
Feito um réptil a cruzar as águas em busca de carne

Os versos, meu amigo
São nós mesmos.
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O QUE SERIA O POETA?

O poeta se fosse um animal
seria uma cobra a se enrolar e
se alimentar da própria cauda
e provar do próprio veneno
O poema se fosse um material
seria um ácido a corroer a pele,
a destruir a carne, a tornar
a massa disforme conforme os versos
Mas ao contrário, o poeta é um
homenzinho franzino, uma mulher
bem apessoada, ou na pior das hipóteses
um jovem sonhador
e o poema não passa de lágrimas
que a gente não consegue chorar
que crispa a alma e luta cara a cara
com o pior dos inimigos: nós mesmos
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DEIXE OS MORTOS MORREREM

Dancemos a valsa da vida
enquanto não há terra sobre nossos pés
Travemos então uma conversa fiada
Enquanto o silêncio não cala nossas cordas vocais
Me chame para jantar
Antes que meu corpo seja alimento da eternidade

Pois depois de morto, quero morrer apenas.

Não evoque meu nome
Com palavras que deveriam ter sido ditas e não foram
Não importune meu ramo de ossos
Com lágrimas atrasadas

Deixe os mortos morrerem

Deixe-me viver minha morte
Sem nenhum consolo de vida

Pois a vida é todos os dias

Mas a morte é uma só.
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QUEM É QUE SABE?


 Nunca se sabe o que se esconde na exatidão das horas
Na precisão do tempo
No invólucro da noite e do dia

 O sol pode inspirar medo ou esperança
A noite pode fazer você descobrir seus segredos mais ocultos
Ou seus medos mais sinceros

 A alegria e a tristeza não se materializam diante de suas córneas
Mas invadem suas narinas com o aroma de vida a ser vivida
E o invisível te move aos dias

 Se o sol traz esperança ou não
Se a noite revela seus segredos ou não
O que sabemos é que não sabemos de nada!

 
Domingo pode ser o maior dia de sua vida
Ou pode ser apenas um dia de domingo banal

 E dormiremos mesmo assim com a mesma ansiedade
Como se não aprendêssemos nada

 Afinal, ninguém sabe o que guarda uma segunda feira

 Contém os segredos de uma semana inteira
(Ou de uma vida inteira)

 Quem é que sabe?
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Comentários (3)

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Junior
Junior
2020-05-19

Te adoro!

Luíz Almeida
Luíz Almeida
2020-05-18

Olá, curti bastante esse seu poema. Gostaria de ver mais poemas assim! Gostei bastante, minha esposa também gostou bastante dos poemas. Boa sorte no seu trabalho! Rsrs

fernando
fernando
2020-05-18

nossa que dahora esse poema nossa mt dahora oloco muito bom dahora