Lista de Poemas
AOS POETAS
O poeta é um bandeirante
Que desbrava o intelecto
Ele brinca com as palavras
Num jogo de afetos
Finge uma dor fingida
Sente o que não foi sentido
O poeta é feliz
E ao mesmo tempo um deprimido
Em sua rede de palavras
A arte se estrutura
O poeta é um artista
E uma errônea criatura
Escrever é eternizar-se
é futuro e passado
O poeta é atemporal
Ao infinito é lançado
Que desbrava o intelecto
Ele brinca com as palavras
Num jogo de afetos
Finge uma dor fingida
Sente o que não foi sentido
O poeta é feliz
E ao mesmo tempo um deprimido
Em sua rede de palavras
A arte se estrutura
O poeta é um artista
E uma errônea criatura
Escrever é eternizar-se
é futuro e passado
O poeta é atemporal
Ao infinito é lançado
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MATERNIDADE
Como pode uma mulher não ser mãe, se até a lua dá luz às estrelas?
***
Me encheram de bonecas
Instigando a ser mãe
Dei luz às alegrias e tristezas
Cresceram bem
Hoje são sabedoria e mais nada
***
Meus ouvidos não cederam aos preconceitos
E meu ventre ignorou as velhas crenças
***
Mulher já nasce com um bocado de obrigações e deveres
Logo nós, que temos um pássaro cantando liberdade no peito.
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DEUS É COMO O MAR
Sempre duvidei da religião
Mas, no fim, a bíblia estava certa
Deus é mesmo onipresente;
E escorre tristemente
Nos olhos do mundo inteiro.
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MEMÓRIAS
Quando criança
Eu pensava no que iria ser quando crescesse
Agora que cresci
Penso no que poderia ter sido
Eu poderia ter me dedicado mais às brincadeiras de roda
Poderia ter me escondido melhor no esconde-esconde
Deveria ter corrido mais no pega-pega
E agora que cresci eu cometo o mesmo erro:
Fecho os olhos para a minha existência,
como se ela não existisse
Dizem que a criança mora aqui dentro
Pois acho que a minha evaporou
Entre uma tragada e outra
E da inocência
Restou apenas a vaga crença
De que viver talvez valha a pena
Eu pensava no que iria ser quando crescesse
Agora que cresci
Penso no que poderia ter sido
Eu poderia ter me dedicado mais às brincadeiras de roda
Poderia ter me escondido melhor no esconde-esconde
Deveria ter corrido mais no pega-pega
E agora que cresci eu cometo o mesmo erro:
Fecho os olhos para a minha existência,
como se ela não existisse
Dizem que a criança mora aqui dentro
Pois acho que a minha evaporou
Entre uma tragada e outra
E da inocência
Restou apenas a vaga crença
De que viver talvez valha a pena
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QUE GRANDE BESTEIRA TUDO ISSO
Parada no sinal vermelho da grande São Paulo
Está frio
E um garoto em farrapos
Vende doces
Enquanto morre de fome
Às vezes, olho para o mundo e penso:
-Que grande besteira tudo isso.
Visto um escafandro
E mergulho na realidade do meu país
O céu é cinza
Mas não é poluição
É tristeza evaporada
Criança baleada
Enquanto chutava uma bola
Mulher abusada
Morta numa mesa clandestina
Ligo a TV e os homens de terno dizendo:
-E daí?
Troco o canal
Um artista macaqueando gringo num inglês duvidoso
Enquanto os conterrâneos morrem de fome
Tomo meu café no carro
Imagino quantas pessoas
Mastigam indiferença
E engolem com um café simples
Que comprou na vendinha da esquina
Não posso mudar o mundo
Quem dirá mudar o mundo de alguém
Dou dois reais para o menino do semáforo
Que sai pulando como se houvesse ganhado na loteria
É, que grande besteira tudo isso.
Está frio
E um garoto em farrapos
Vende doces
Enquanto morre de fome
Às vezes, olho para o mundo e penso:
-Que grande besteira tudo isso.
Visto um escafandro
E mergulho na realidade do meu país
O céu é cinza
Mas não é poluição
É tristeza evaporada
Criança baleada
Enquanto chutava uma bola
Mulher abusada
Morta numa mesa clandestina
Ligo a TV e os homens de terno dizendo:
-E daí?
Troco o canal
Um artista macaqueando gringo num inglês duvidoso
Enquanto os conterrâneos morrem de fome
Tomo meu café no carro
Imagino quantas pessoas
Mastigam indiferença
E engolem com um café simples
Que comprou na vendinha da esquina
Não posso mudar o mundo
Quem dirá mudar o mundo de alguém
Dou dois reais para o menino do semáforo
Que sai pulando como se houvesse ganhado na loteria
É, que grande besteira tudo isso.
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QUASE ME ESQUECI DE QUE SOU TRISTE
Hoje quase me esqueci de que sou triste.
Ri até a barriga doer com uma piada de pontinhos.
Tinha até me esquecido do quanto meus olhos ficam pequeninos
e como minhas covinhas ficam aparentes quando rio
Hoje andei por aí me sentindo leve
E pela primeira vez o tique-taque do relógio não me deixou impaciente
Pelo contrário;
Aproveitei cada segundo com sabedoria
Os pássaros pareciam assoviar uma canção de Chico Buarque
e meus olhos refletiam uma luz maior
como a lua refletindo a luz do sol
Não sei bem o que é alegria,
mas deve ser o que senti hoje
E com o peito inflamado de desejos não-maduros
andei por aí exibindo meu sorriso de vidro
daqueles que quebram na primeira pancada
Mas ainda assim era um sorriso
Natural
Sincero
Feliz.
Ri até a barriga doer com uma piada de pontinhos.
Tinha até me esquecido do quanto meus olhos ficam pequeninos
e como minhas covinhas ficam aparentes quando rio
Hoje andei por aí me sentindo leve
E pela primeira vez o tique-taque do relógio não me deixou impaciente
Pelo contrário;
Aproveitei cada segundo com sabedoria
Os pássaros pareciam assoviar uma canção de Chico Buarque
e meus olhos refletiam uma luz maior
como a lua refletindo a luz do sol
Não sei bem o que é alegria,
mas deve ser o que senti hoje
E com o peito inflamado de desejos não-maduros
andei por aí exibindo meu sorriso de vidro
daqueles que quebram na primeira pancada
Mas ainda assim era um sorriso
Natural
Sincero
Feliz.
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REALIDADE DÉBIL
Um pássaro voa de asas abertas e eu caminho na rua de mãos fixas nos bolsos. Os prédios que são muito grandes ou nós que somos muito pequenos? A realidade é débil,e qual a probabilidade de tudo ser um delírio? Talvez o louco sejao único são. Somos resultados de sonhos não realizados e expectativas não preenchidas. O sol queima para provar que somos fracos e vulneráveis. Caminhamos sob o mesmo céu e sobre a mesma terra fofa que no fim nos cobrirá e cortará as vísceras como um gume de veludo. A vida é tão previsível como um filme de romance. Leio que um homem qualquer liquidou-se. Matou-se. Ou amou-se demais para continuar neste mundo que sequer sabia seu nome; quem dirá o que sentia!
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O CÉTICO PERDIDO
Mamãe vai à missa todo sábado
Ingere a farinha como corpo de Cristo
Se ajoelha no amadeirado
Reza por seu filho
Durante a semana
Ela põe o copo de água benzida ao lado da televisão
Me pede para tomar a água
Me faz pedir perdão
Me pergunta o porquê eu fujo de Deus
Diz que Jesus me ama
-É por isso que fujo, mamãe
Não gosto de compromissos-
De segunda a segunda
Comungo no bar
Bêbados contando suas histórias tristes
Dizendo como as mulheres belas são cruéis
Ah, meu sagrado boteco
Templo sagrado dos perdidos
Lugar onde se unem até os inimigos
Cantando histórias de amores antigos
Que o tempo não abençoou
A vodka desce ardendo
A garganta grita
E então sinto a vida
É, mamãe
A senhora criou um cético perdido
Que faz questão de morrer todas as noites
Só pra acordar no outro dia
E ver que está vivo
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DESESPERANÇA
Os olhos de uma criança
Cobertos de inocência
Ávidos por esperança
Esvaem-se com o tempo
Dando lugar a um olhar
Vazio e sem expressão
Na boca, o gosto amargo da violência
Que nos faz mascar a morte
como se fosse um chiclete
E enterrar o bem numa cova rasa
Banalizando a essência do ser humano:
o fim
O cheiro de ferro no sangue
dá a entender que somos de aço
Mas somos frágeis como uma flor
Ressequindo
E perdendo as pétalas
Cada vez mais rápido
Cobertos de inocência
Ávidos por esperança
Esvaem-se com o tempo
Dando lugar a um olhar
Vazio e sem expressão
Na boca, o gosto amargo da violência
Que nos faz mascar a morte
como se fosse um chiclete
E enterrar o bem numa cova rasa
Banalizando a essência do ser humano:
o fim
O cheiro de ferro no sangue
dá a entender que somos de aço
Mas somos frágeis como uma flor
Ressequindo
E perdendo as pétalas
Cada vez mais rápido
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AS RAÍZES
O amor que criou raízes
Eu nunca pude esquecer
Ofereci como uma flor
a quem era digno apenas de pedras
A tristeza segue me lapidando
e não o contrário
Sou maleável como argila
E tomo a forma que a solidão deseja
-Às vezes sou um pássaro
Preso na gaiola da paixão
Outrora sou a própria saudade
Me encarando no espelho-
Certa vez me disseram:
-Não há luz no fim do túnel
para quem está cego de amor
Mas eu sou poeta!
E não há poesia
Sem essas sensibilidadezinhas
E assim nascem os versos
Que vou pichando
Nos becos escuros do coração
O outono pode chegar e derrubar todas as folhas do amor
Mas suas raízes seguirão intactas
Independente da estação
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Comentários (3)
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Junior
2020-05-19
Te adoro!
Luíz Almeida
2020-05-18
Olá, curti bastante esse seu poema. Gostaria de ver mais poemas assim! Gostei bastante, minha esposa também gostou bastante dos poemas. Boa sorte no seu trabalho! Rsrs
fernando
2020-05-18
nossa que dahora esse poema nossa mt dahora oloco muito bom dahora
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