Lista de Poemas
Reflexos e contrastes

Num charco de ilusões banais
O dia reflecte seus gomos de luz
Cordialmente tão virais
São reflexos e contrastes da
Vida fluindo entre enviesadas
Vielas e ruas sempre apressadas
Lentamente o dia regurgita um eco tão
Maravilhado galhardamente pousado
Entre muitos silêncios esmigalhados
Busco entre os lábios da solidão um beijo
Mergulhado naquela caricia detalhada onde se
imploram palavras vivificantes, pungidas e apaixonadas
Frederico de Castro
👁️ 228
Sombra remissa

Despeço-me da noite miudinha e frágil
Nadando em tantos desafectos até que a
Madrugada nos engula com gula e muito afecto
Semeadas num adeus imenso e burlado
Despedem-se de mim duas lágrimas apaixonadas
Morrendo além indigentes, anónimas…consternadas
Infiltradas nas horas sedimentadas e senis despertam
Palavras gentis, incontrolavelmente submissas e escritas
Na inexorabilidade da vida integralmente remissa
Frederico de Castro
👁️ 221
Silêncio apaziguador
No sarcófago da noite dormita um silêncio tão
Indigesto e heróico que resiste a uma rara hora
Indignada, resignada, tragicamente finada
Não há supremacia ante a solidão nem eco que bem
Repercuta um lamento quase sempre alucinado, basta
À razão de viver, velar este silêncio agora mais apaziguado
Frederico de Castro
👁️ 189
Onde está o dia

Cheia de efeitos inebriantes a noite estatela-se
Numa dezena de horas vadiando pela escuridão
Voraz e harmoniosamente omnipresente
Onde está o dia? Sumiu, tão transparente tão
Galhardamente que a solidão ainda debilitada
E confrangida, acode esta rima assaz tão inibida
Impingiram-me ontem esta ilusão sempre ríspida
Senti no peito instalarem-se tantas memórias intensas
Num caudal de palavras que não morrem à nascença
À indiferença de cada hora ruindo ali sem licença
Escuto o rumor da luz apascentando a manhã que
Se banqueteia com emoções em plena convalescença
Além na foz deste rio caudaloso desagua a esperança
Qual avença para esta fé tamanha e desenhada à abcissa
Da alma matematicamente indizível e cheia de perseverança
Frederico de Castro
👁️ 218
Luar embriagado

Percorro com carinho todo o semblante da noite
Aconchegada a este luar quase embriagado, deglutindo
A enamorada escuridão tão implícita e consumada
Emolduro cada luminescência com ecos
Vastíssimos e apavorados, despindo o olhar que
Adormece na alcova deste silêncio consolado
Dançando descalço e ébrio este lamento fugidio
Ainda alberga tantas escorregadias rimas vadias
Felicitando um resquício de saudades cada vez mais irradias
Repousa ali no relicário do tempo uma hora deveras tão
Baldia que nada mais curará este silêncio que não a força
Da esperança coabitando a alma e cada palavra reconfortante
Frederico de Castro
👁️ 310
Intuições

Entre os sedimentos do tempo recupero
Aquela memória intemporal e matreira, tão
Inevitável quanto a intuição que desolada
Se estira no catre de mil emoções dissimuladas
Nas trevas da noite, sei que ainda imperam
Muitos lamentos degradados e por mais audíveis
Que sejam, fenecem depois entre muitas
Lágrimas abaladas e incorrosíveis
Frederico de Castro
👁️ 219
Gotículas subtis

Em gotículas subtis e apaixonadas o céu
Desagua por fim a meio da manhã tão
Delicada, deixando uma peregrina ilusão
A vadiar categoricamente apaparicada
A mística das manhãs reside em deixar fugir
Todos os raios de sol inadvertidamente desatinados
Para que se semeie na fé essa gentil esperança
Ressuscitando, apaixonada e plena de pujança
Frederico de Castro
👁️ 240
Meu inesquecível silêncio

A saudade empoleirada numa prateleira
Da solidão namora aquela lembrança
Trajada de amor, fé e muita perseverança
Este silêncio inesquecível pranteia até
Encobrir cada penumbra da noite que além
Estrangula a escuridão farta e rapinante
Gomos de luz ainda atrofiados, escondem-se
Num luminescente momento de prazer alucinante
Qual archote de emoções ardendo, ardendo flamejante
Acostada à beira da maresia que nos afoga assim
Tão extravagante, espero pacientemente aquela onda
Que marulha carinhosamente ali tão silenciosamente
Na morada dos tempos idos recordo aquele sorriso
Escondido numa hora amordaçada, batendo em retirada
Após endoidecer o coração repleto de palavras desvairadas
Frederico de Castro
👁️ 192
Um rasgo de luz

A manhã alagada de luz, decifra uma
Luminescência desbragada, retocando aqui
E acolá esta brisa, frágil, faminta e embriagada
Qual réplica de uma caricia feliz e bem arrogada
Com um drible de emoções tão quânticas
Tão semânticas, encena-se um cântico
Inconfundivelmente ensurdecedor e romântico
Sob a batuta de um verso felino e transatlântico
Frederico de Castro
👁️ 169
Poente das acácias

A manhã alagada de luz, decifra uma
Luminescência desbragada, retocando aqui
E acolá esta brisa, frágil, faminta e embriagada
Qual réplica de uma caricia feliz e bem arrogada
Com um drible de emoções tão quânticas encena-se
Um poente inconfundivelmente ensurdecedor
Quase transatlântico, pintalgando a paisagem sob
A batuta de um verso felino e romântico
Frederico de Castro
👁️ 198
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.