Lista de Poemas

Reflexos e contrastes



Num charco de ilusões banais
O dia reflecte seus gomos de luz
Cordialmente tão virais

São reflexos e contrastes da
Vida fluindo entre enviesadas
Vielas e ruas sempre apressadas

Lentamente o dia regurgita um eco tão
Maravilhado galhardamente pousado
Entre muitos silêncios esmigalhados

Busco entre os lábios da solidão um beijo
Mergulhado naquela caricia detalhada onde se
imploram palavras vivificantes, pungidas e apaixonadas

Frederico de Castro
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Sombra remissa


Despeço-me da noite miudinha e frágil
Nadando em tantos desafectos até que a
Madrugada nos engula com gula e muito afecto

Semeadas num adeus imenso e burlado
Despedem-se de mim duas lágrimas apaixonadas
Morrendo além indigentes, anónimas…consternadas

Infiltradas nas horas sedimentadas e senis despertam
Palavras gentis, incontrolavelmente submissas e escritas
Na inexorabilidade da vida integralmente remissa

Frederico de Castro
👁️ 221

Silêncio apaziguador



No sarcófago da noite dormita um silêncio tão
Indigesto e heróico que resiste a uma rara hora
Indignada, resignada, tragicamente finada

Não há supremacia ante a solidão nem eco que bem
Repercuta um lamento quase sempre alucinado, basta
À razão de viver, velar este silêncio agora mais apaziguado

Frederico de Castro
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Onde está o dia


Cheia de efeitos inebriantes a noite estatela-se
Numa dezena de horas vadiando pela escuridão
Voraz e harmoniosamente omnipresente

Onde está o dia? Sumiu, tão transparente tão
Galhardamente que a solidão ainda debilitada
E confrangida, acode esta rima assaz tão inibida

Impingiram-me ontem esta ilusão sempre ríspida
Senti no peito instalarem-se tantas memórias intensas
Num caudal de palavras que não morrem à nascença

À indiferença de cada hora ruindo ali sem licença
Escuto o rumor da luz apascentando a manhã que
Se banqueteia com emoções em plena convalescença

Além na foz deste rio caudaloso desagua a esperança
Qual avença para esta fé tamanha e desenhada à abcissa
Da alma matematicamente indizível e cheia de perseverança

Frederico de Castro
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Luar embriagado



Percorro com carinho todo o semblante da noite
Aconchegada a este luar quase embriagado, deglutindo
A enamorada escuridão tão implícita e consumada

Emolduro cada luminescência com ecos
Vastíssimos e apavorados, despindo o olhar que
Adormece na alcova deste silêncio consolado

Dançando descalço e ébrio este lamento fugidio
Ainda alberga tantas escorregadias rimas vadias
Felicitando um resquício de saudades cada vez mais irradias

Repousa ali no relicário do tempo uma hora deveras tão
Baldia que nada mais curará este silêncio que não a força
Da esperança coabitando a alma e cada palavra reconfortante

Frederico de Castro
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Intuições



Entre os sedimentos do tempo recupero
Aquela memória intemporal e matreira, tão
Inevitável quanto a intuição que desolada
Se estira no catre de mil emoções dissimuladas

Nas trevas da noite, sei que ainda imperam
Muitos lamentos degradados e por mais audíveis
Que sejam, fenecem depois entre muitas
Lágrimas abaladas e incorrosíveis

Frederico de Castro
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Gotículas subtis



Em gotículas subtis e apaixonadas o céu
Desagua por fim a meio da manhã tão
Delicada, deixando uma peregrina ilusão
A vadiar categoricamente apaparicada

A mística das manhãs reside em deixar fugir
Todos os raios de sol inadvertidamente desatinados
Para que se semeie na fé essa gentil esperança
Ressuscitando, apaixonada e plena de pujança

Frederico de Castro
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Meu inesquecível silêncio



A saudade empoleirada numa prateleira
Da solidão namora aquela lembrança
Trajada de amor, fé e muita perseverança

Este silêncio inesquecível pranteia até
Encobrir cada penumbra da noite que além
Estrangula a escuridão farta e rapinante

Gomos de luz ainda atrofiados, escondem-se
Num luminescente momento de prazer alucinante
Qual archote de emoções ardendo, ardendo flamejante

Acostada à beira da maresia que nos afoga assim
Tão extravagante, espero pacientemente aquela onda
Que marulha carinhosamente ali tão silenciosamente

Na morada dos tempos idos recordo aquele sorriso
Escondido numa hora amordaçada, batendo em retirada
Após endoidecer o coração repleto de palavras desvairadas

Frederico de Castro
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Um rasgo de luz



A manhã alagada de luz, decifra uma
Luminescência desbragada, retocando aqui
E acolá esta brisa, frágil, faminta e embriagada
Qual réplica de uma caricia feliz e bem arrogada

Com um drible de emoções tão quânticas
Tão semânticas, encena-se um cântico
Inconfundivelmente ensurdecedor e romântico
Sob a batuta de um verso felino e transatlântico

Frederico de Castro
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Poente das acácias


A manhã alagada de luz, decifra uma
Luminescência desbragada, retocando aqui
E acolá esta brisa, frágil, faminta e embriagada
Qual réplica de uma caricia feliz e bem arrogada

Com um drible de emoções tão quânticas encena-se
Um poente inconfundivelmente ensurdecedor
Quase transatlântico, pintalgando a paisagem sob
A batuta de um verso felino e romântico

Frederico de Castro
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Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!