Lista de Poemas
Anónima fragilidade

Sob disfarce o dia alia-se à luz ténue adormecida
Entre as asas de um sonho que despeja seus trinados
Subtis ao chegar da aurora quase alucinada e gentil
Devolvo às marés suas ondas intempestivas
Até que recobre juntinho da praia ardentes beijos
Navegando no paladar de cada silêncio consecutivo
À noite o céu bordado de estrelas insufla a solidão
Com perscrutantes lamentos em reclusão até que a
Madrugada deságue na foz do amor em plena exaltação
Nada mais resta que um verso talhado com esmero
Tão afectivo como a virtualidade do tempo e da esperança
Hoje inabalável...amanhã decerto inescusável e cheia de pujança
Frederico de Castro
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Estávamos tão perto

Com suavidade a noite sútil esconde-se entre a
Farta escuridão feminil, radiante, tão juvenil
E nós ali num brutal momento de tempo adocicámos
Os desejos que comungamos num abraço sempre gentil
Estávamos tão perto...e quanto mais perto,mais se punha
Entre nós a lonjura da madrugada infinita, ausente, reservando-nos
Uma bebericante e corposa taça de silêncios quase congénitos e eremitas
Corroendo a paisagem da solidão subjugada,proscrita, furtuita
Devagar, muito devagar ergo a queixosa hora adiantando os
Ponteiros da tristeza a divagar pelos pútridos sonhos mais contenciosos
Onde em luto morre o tempo desacertado, indiferente...sequioso
O rio acordou na sua correnteza fiel amansando suas margens
Com beijos caudalosos desaguando pelo córrego da solidão frondosa
Espanando a luz emaranhada ao ritmo desta navegante ilusão tão vigorosa
Frederico de Castro
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Seguindo o luar

Esquecido ficou o silêncio quase dissolvido
Num pranto insolente e vadio
Lascivo amanhecer este que rompe a lúgubre
Solidão entre subtis abraços e desejos tão reabsorvidos
Desperta a manhã com gestos embriagantes
Alheia e dispersa num vago luar ruiu uma hora
Banal, cortês...vagante, empoleirada a sinfónicas
Caricias que se aninham em minh'alma assim quase rogante
Segui noite dentro ténues vestígios de um luar
Doce e apelativo mastigando a solidão
Que se apieda de nós assim indiferente...oh desilusão
Por quem sois, senão mais uma ilusão a apaziguar
A madrugada cuidadosamente esculpida por beijos
Perpétuos recobra o sedento desejo do amor fluindo
Entre dois corpos...dois pensamentos que purgam das
Palavras apaixonadas um silêncio qual fogo fáctuo nos consumindo
Frederico de Castro
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Entre os degraus da solidão

Brilham épicos gomos de luz
Despem a solidão desfolhada
Em pétalas de amor e ilusão
Saúdam a caprichosa manhã
Seduzida pelos embriagantes
Perfumes massivos...quase alucinantes
Teçe a saudade horas de melancolia
Resignada e tão alienante que nem mais refuto ao
Coração esta memória que acontece tão aglutinante
Pastando na lezíria do tempo deixo um andarilho
Pensamento pernoitar lá no sótão dos prazeres
Hidratantes, quase litúrgicos...quase litigantes
Sem mais temer a noite cada sombra desnuda-se ante
Os olhares sorrateiros da lua voyeur vasculhando todos
Os esconderijos de uma emoção tão bisbilhoteira tão tailleur
Puída e triste a noite derrama suas lágrimas e lamentos
Mais brejeiros embebedando todas as alquimias de uma
Paixão abarrotada de gemidos lisonjeiros
E agora assim desguarnecida a solidão nunca cicatrizada
Sustenta o pavio dos silêncios pungidos e suplicantes
Súmula deste verso derradeiro, foragido,insinuante
Frederico de Castro
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Gotículas de fragilidade

Unem-se gotas de orvalho matinal
Impregnam a manhã com seus hálitos
Adocicados murmurando uma ladainha
De invisíveis solidões tridimensionais
As ilusões espalham-se pela madrugada
Recreando uma carícia mais que intencional
Preâmbulo de muitos desejos
Escorregadios...sensacionais
O dia chega com indomável subtileza
Reergue até o silêncio que a seus pés
Se extasia com tamanha ardileza
Sou livre como o vento e não há arrimo
Que segure meus versos irreverentes e selvagens
Cabresto que algeme este amor pelas palavras
Que me nutrem e são decerto sempre cordiais
Frederico de Castro
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No calabouço do tempo

Faço um chake-up à solidão e absorvo da manhã
Mil perfumes imperceptíveis elegantemente debruando
A janela onde pousam seduzidas palavras tão
Cúmplices...tão compatíveis
Gargalhadas graciosas temperam a noite fechada
No calabouço da escuridão
Mordiscam a luz ofegante perambulando pelas
Oitavas desta solidão indizível e divagante
No bailado felino do tempo farfalham tantas horas
Imensas e embriagantes
Coligam-se na máscula e afectuosa sedução
Dos desejos tatuados num lambuzado prazer roçagante
Cavalgam pelos ventos uivantes diminutos silêncios
Quase submissos...tão fustigantes,
Dando azo a uma permuta de beijos soletrados à
Esquadria de um bravio desejo mais retumbante
Frederico de Castro
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Calafetando a solidão

Súbtil foi a hora amamentando o sorriso de vigia junto
Aos pátios da minha esperança irrequieta, quase uma orgia
De felicidade onde esteio as lembranças escoradas e calafetadas
Numa caricia que se traja de mil gargalhadas tão premeditadas
Ainda que adie um lamento seus ecos em silêncio
Crepitam na alma recostada às vidraças do tempo
Onde se comunga e dessemina aquela paixão que
Depois permutamos em surdina
A noite gloriosa matiza esta íngreme escuridão
Qual suspiro tão pervertido consolando uma terna ilusão
Abstracta, queixosa...anteparo destas minhas palavras escondidas
Na penumbra pacata de um silêncio correndo em cascata
Alonga-se a madrugada numa indiferença quase arrebatadora
Perpendicularizando cada gotícula de chuva caindo ladeada
De açoitantes ilusões conspirando estupefactas e tentadoras
Embebedando o ventre da terra ávida, ofegante...conciliadora
Frederico de Castro
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Lesta hora de solidão

Granjeiam-se os desejos domiciliados ao colo
Desta esperança tão maternal onde se procriam
Ávidas ilusões multiplicando o parto das nossas alegrias
Pujantes, eternamente contagiantes
Implícito e incitante rompe-se o olhar silenciando
O pestanejar da noite que chega mendigado uma
Vaga de tristezas perdidas naquele subtil e milimétrico
Momento de solidão tão hostil
De frente para a solidão acomoda-se a tristeza vestida
De trapos esfarrapados qual andrajoso e contorcionista
Lamento chorando incrédulo perdido no labiríntica
Existência sempre mais perplexa, pesarosa e oportunista
Purga a luz suas sombras infiltradas numa negrura imensa
Tão omissa tão decadente implodindo incrédula em cada lesta e
Esmiuçante hora bulindo este silêncio ileso que desagua por entre
A solidão mais concisa coroando a noite que desvanece tão expressiva
Frederico de Castro
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Longos dias tem este silêncio

- quando o absurdo deixou de ter limites...
Longos dias tem estes silêncios mais indescritíveis
Matam a chama da alma madrugando no pavio das solidões mais
Imedíveis...minguando como a lua nos seus quartos secretos e iludibriáveis
Morrem por fim os adjectivos mais funestos deste silêncio
Quase imperial e irreconciliável tão voláteis quanto o voo da libélula
Desaparecendo pelas sombras do dia sussurrando inflexível e inolvidável
Abstêm-se todos os surdos gritos sentidos no sigilo da madrugada
Tão irrevogável para assombro da luz que ateio à chama mortiça
Ainda que perplexa, tão ígnea, fatal, tangível...até o silêncio enfeitiça
Esvaem-se todos os silêncios no fado do tempo que me é tão imprescindível
Pecúlio da fé que ainda alimento em cada reavivante verso apetecível
Exposto à fúria de uma hora que morre lenta, lentamente irresistível
Frederico de Castro
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Precário silêncio

Descubro o véu do silêncio banhando
O dia reverberando arguto...quase satírico
Enquanto brame faminta a solidão impotente
Perante esta audaz ilusão categórica e omnipresente
Com fogosidade o tempo esmaga cada hora
Inerte, urgente, avassaladora
Desmonta o trapézio do silêncio onde se
Equilibram solidões tão devastadoras
Enamorada a noite bamboleia-se sensual e
Dengosa neste prazer devasso e boémio tão carente
Deixando à tangente uma paixão diluir-se na dialéctica dos
Nossos beijos nunca censurados antes e sempre mais comburentes
Ostento agora a luz que a madrugada roubou ao precário
Sonho onde nos expusemos inadvertidamente
Pátria do amor feito inquisição desta fé ruindo abruptamente
Até que fine uma hora senil mergulhada num lamento
...assim indubitavelmente...
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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