Lista de Poemas

MADRUGADA

É madrugada
o orvalho respinga triste
em minha alma fria,
trazendo a solidão,
minha única companhia.

Seu nome ecoa
em minha boca
e as estrelas,
tão boas atrizes,
fingem não perceber
o fim de meus dias felizes.
O dia espera,
como se toda solidão
pendesse das cortinas
e pudesse se soltar
ao amanhecer.

Que sabem os astros
do meu longo percurso
entre a noite e a manhã?
Andam por lá, em um céu
de ilusões e desenganos
nem se importam com meus planos.
De minhas dores, inocentes,
torpes e agonizantes... (destas, só eu sei)

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VOLTA

Quero um pouco daquilo que não tenho
Daquela outra flor, na bela paisagem
Um pouco mais de nítida imagem
Se não te esqueço, enlouqueço
Seja o que for, apenas miragem
Apenas um pouco te peço

Não sei dizer nada, nada mais
Não falo, porque não adianta
Os tempos não são iguais
essa voz aqui não mais canta
O vento logo se levanta 
levando meus ideais

Um pouco e outro pouco, a juntar
Perfeita ilusão impressa em meu caminhar
Vou vivendo da doce loucura
Mas de louca não tenho nada
Apenas a tua e a minha doçura

Do teu querer nada quero por hora
Apenas deixo silenciar o grito
E no romper triunfante da aurora
Espero ver-te voltando, aflito
Agonizante de tanta saudade
E desejando juntar a nossa felicidade...
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BREVE

Viver é senda, é sonho, é trilho,
sanha, desejo, choro, arrepio,
talvez silêncio, ausência, brilho,
sussurro, gritos, medo, delírio.

Quem sabe seja soma, sina, sono,
saudade, amor, dor, abandono,
ou leveza, liberdade, beleza,
perfume de flores, delicadeza...

Não afirmo que seja isso
apenas firmo meu compromisso
com a brevidade da vida.

 

 

 

 

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DESEJO

vem e devora-me

com teus olhos de querer

que sou tua, bem sabes

e não canso de dizer

quero sentir tudo

de todas as maneiras

e deixar-me inebriar

por teus braços e carícias

quero me afogar

em teu lago de delícias

e me sentir a única

a mais amada e desejada

quero junto a ti

uma ereção de almas

nuas, puras, prontas para amar.

 

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IMAGINÁRIO

Na imaginária noite, em minha solidão
adormeci sobre o desejo e a espera,
e não vieste ao encontro de meus braços.

Derramei-me em lágrimas sobre o leito,
ansiei sentir o calor do teu peito,
vivenciei a dor de uma utópica paixão.

Clamei por teu carinho, ainda que breve,
suspirei mil lamentos, esvaziei-me por dentro,
de nada adiantou, tua ausência permaneceu.

E na vã expectativa de tua chegada,
adormeci embalada em meus desejos,
imaginando tua boca a me cobrir de beijos.

Foram tantos devaneios, em tua companhia
que nem vi o sol surgir, trazendo o dia
porém, foi só um sonho, a espera continua.

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QUANDO ESCREVO

quando escrevo

me preencho de infinitos,

em meus versos

há tudo o que sinto:

a dor, o amor, o lamento,

o medo, o desejo, a agonia

cabe em meus versos

todo o sentimento

que não consigo expressar

de outras maneiras

 

 

quando escrevo

me sinto maior

que a mais alta montanha

quase chego a tocar o céu

me transfiguro em poesia

sou versos, sou rima, sou alegria

vejo que há alma, há sangue,

há vida em mim!
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SENTIDO

escrevo na linha tênue

de minha existência

não quero glórias

nem vãs lembranças

quero apenas sonhar,

sentir, me doar

minha poesia me basta

meu sentimento é latente

meus versos são meus sonhos

dados de presente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SILÊNCIOS

derramo meus silêncios

sobre os acontecimentos

sigo preceitos, destilo sonhos

enquanto a poesia me espia

pela janela, atônita

 

ser silente é encontrar

a fala interior

aquela que, emudecida,

diz mais de mim

e preserva a voz e os sentidos

nos labirintos da lembrança.

 

 

 

 

 

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EU-MULHER

uma gota de leite

me escorre dos seios

uma mancha de sangue

me marca, entre as pernas

meio verso me sai

iludindo a esperança

vagos desejos me tomam

reacendendo lembranças

eu-fêmea, em rios férteis

inauguro a vida

em meio tom

explodo os tímpanos do mundo

e deixo livres meus dias

para ser quem eu quiser

antevejo

antecipo

antes-vivo

sou o hoje

planejando o amanhã

eu-fêmea raiz

eu-força motriz do mundo

que dá a vida

que se emancipa

eu-abrigo da semente

modo contínuo

da existência.
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DESAPEGO



 

a poesia me pega no colo

e me leva a um mundo onírico

onde viver é bom, é sublime

onde há paz, proteção e abrigo

me faz desapegar de coisas vãs

e a dar valor a tudo que não se paga

me faz sorrir de novo, me alivia

traz a calma, seduz, me inebria

 

escrevo, e isso me basta

meus versos são canções para sonhar

minha poesia é dom,

é um  extravasar

 

de tudo que contive

de tudo que já tive

 

escrever é sublimação

ser poeta me eleva

a dimensões superiores

a castelos sobre as nuvens

 

escrevo, e é isso

um doar o sangue rimado

um ato puro e sagrado

uma maneira de continuar a viver.

 

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