Lista de Poemas
Dantes
Ah...Já não há chuva como havia dantes
Já não há sorrisos feitos de sorrir
Nem sequer lembranças do que há-de vir
Já não há donzelas como as do Camões
Já não há escudeiros como havia dantes
Nem histórias de piratas, bruxas e gigantes
Já não há olhares feitos de sonhar
Nem castelos nem princesas pra salvar...
Ah...Já não há sol como havia dantes
Já não há mágoas feitas de sentir
Nem sequer um porto de onde não partir
Já não há mil dores como as da Florbela
Já não há perfumes como havia dantes
Nem homens perdidos em reinos distantes
Já não há histórias belas de encantar
Nem memórias que ficaram por contar...
Ah...Já não há vento como havia dantes
Já não há lágrimas só feitas de sal
Nem sequer futuros deste Portugal
Já não há "outros" como os do Pessoa
Já não há amores como havia dantes
Nem cavaleiros como os do Cervantes
Já não há partidas feitas de ficar
Nem um adeus pra sempre feito de voltar...
Filipe Malaia
2024
Salvação
deixem-me à sorte
excluam-me das vossas
orações
larguem-me a sul
se vão pra norte
não veem que não cumpro
esses padrões
Se os vales querem que desça
subo as encostas
ainda que me queime
deixem-me arder
e se à noite a tempestade
acontecer
se virem que me afogo
virem-me as costas
Guardem pra outros
a vossa salvação
o vosso zelo, cautelas e cuidados
abandonem-me aos perigos
desalmados
porque ser salvo por vós
é perdição!
Setembro/2022
(a uma certa sociedade onde sou forçado a habitar, mas que não deixo que me habite)
Partida
A esperar por ti
Tal como a madrugada
Pela manhã espera
Partir à alvorada
Doce quimera
É sem saber porquê
Ir por aí...
Mas é puro desencanto
Se for sem ti
Como a manhã sem madrugada
Se desespera
Fosse eu a tua estrada
E assim, quem dera...
Pudesses, sem destino
Doce quimera
Sem saber porquê
Partir em mim!
Espera
Ao sabor do céu
levo a tarde comigo
o sol acende-me o sorriso
e prometo ao rio
encontrar nos dias
a árdua tarefa de esperar
Versos Perdidos
No bosque dos meus sentidos
Não me vias, nem sabias
Que as palavras que colhias
Eram sede que corria
Da nascente onde eu vivia
Bebendo de versos perdidos
E os sorrisos que cantavas
E os perfumes que dizias
Eram olhares que escutavas
Aromas com que me olhavas
Quando em silêncio florias
E mesmo se te perdias
Por entre desejos escondidos
Ou se a brincar te escondias
No bosque dos meus sentidos
Não me vias, nem sabias
Que ao colher versos perdidos
Era em mim que os colhias...
Comentários (3)
Sensibilizada com os poemas
O melhor dos melhores
Encantada
Nasceu em Sá da Bandeira, Angola, em 1969. Licenciado em Ciências Sociais (Psicologia), desempenha profissionalmente funções como Inspector da Segurança Social, no I.S.S., I.P., em Setúbal, cidade onde vive. No seu percurso literário contam-se participações esporádicas na década de 90, na página cultural “Arca do Verbo” do jornal “O Setubalense”, sob direcção do poeta João Raposo (Livraria UniVerso); Participação na colectânea de poesia Projecto Cultural “Poemas do País da Vida” – MJ Real IMO Editora; Participação na colectânea de poesia Traços da Memória – Casa da Poesia, Setúbal 2003, 28 Poetas Sadinos; Participação na colectânea “Entre o Sono e o Sonho” - Antologia de Poesia Contemporânea - Vol. VII - Chiado Editora; e participações esporádicas em concursos de poesia e conto.
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