Lista de Poemas
A memória dos lençois
Tantas vezes me lembrei de te procurar
Pero receei sempre que não recordasses
Do que já fomos sem poder voltar a ser
As noites infinitas de amor em que me amaste
Abraçando-me como se abraçasses o mundo inteiro
Para logo mudar os lençóis da cama em que te deitaste
Pondo os velhos e usados naquele tanque de lavar
Onde a água é sempre a mesma
Que não diria suja nem mesmo poluída
Simplesmente infecta daquele sabão-rosa
Que roçado naquela roupa de cama
Libertou o sebo e o suor que neles deixamos
Para se diluir e estagnar dentro desse poço sem fundo
Onde a água não é mais potável
E os lençóis ficaram inevitavelmente manchados.
Chegaram outros dias de os voltar a estender
Quando terei mesmo tentado manchá-los
Com outros sebos
Outros suores
Mas não era possível tirar o odor daquele sabão
Por mais que esfregasse naquele tanque de cimento
Desgastado pelo tempo
E pela contínua fricção
Que alisou aquele atrito e não mais desbastou
Aqueles lençóis onde deixamos a nossa infusão.
Filipe F. 2016
Flatulência Poética
Alguma vez cagasteis Poesia?"
Filipe F. 2016
Da Vaidade
Se há quem te diga que te deves amar a ti para que possas amar o outro, é quem te engana, jamais te amarás de verdade se não amares além de ti, pois amor não é próprio, é de ir além e não ficar aquém, o amor é por alguém. Amar é não recear que se te riam na cara, é assumir o risco de não se ser amado e para isso é preciso a verdadeira coragem. Amar-se a si próprio é petrificada vaidade, é de espelho, não é de verdade. Amar é sonhar ser-se amado, amar não é vaidade, vaidade é pensar que se ama no próprio espelho, vaidade é rir de quem diz que nos ama, vaidade é o desprezo de quem nunca soube amar. Vaidade, é nunca se ter a coragem de olhar alguém nozolhos para lhe dizer: Eu amo-te!
Filipe F. 2016
A Nebulosa Infantaria
Sonhei que via um militar de infantaria
Carregando as munições e a baioneta
Pronta a espetar num mero inimigo pária
Sem perdão nem pelo mais puro asceta.
Entre o nevoeiro ele caminhava com direção
Avistava o mais recôndito ermitério da montanha
Decifrando daquele estado gasoso em evaporação
Uma silhueta de um eremita sem senha.
E ó quem vem lá! Estremeceu o troglodita
Ao ouvir os passos enterrando-se na neve
Naquela gelidamente sonhada manhã maldita
Em que se lhe acabou espetada num instante breve
Aquela longa e afiada baioneta descriminante
De um nebuloso e ordenado militar andante.
Filipe F. 2016
um poema mal parido
UM POEMA MAL PARIDO
Vós não sabeis
O que é ter letras em vez de dedos
Palavras na vez de mãos
Frases na vez de braços
Estrofes em vez de coração
E poesia em vez de razão.
Vós não sabeis!
Não sabeis sequer quanta poesia
É preciso escrever para parir um filho!
Sim! Vós que zombais da poesia!
Vós que jamais haverieis sido paridos
Se não fora o acaso da epifania!
Sim vós!
Vós que não sabeis que foram bestas
Bestas como aquela que aqui vos escreve
Para parir a poesia de que um poeta ferve.
Que foram as bestas emanadas de raiva
De amor e de ódio
Da nostalgia e do Futurismo
Que vieram ao mundo para vos parir a todos!
Sim a Vós! A Vós mesmos meus versos!
Filipe F. 2016
Do Poeta Convexo
A noite cai e o Poeta está em clausura
Prepara um tacho põe dois pratos
Que a vida além da solidão é mais crua
O Poeta acende a lareira com antigos versos
Que apodreceram na gaveta de madeira
Essa contida fogueira da memória
Onde se recolhem nostalgias falidas
Oh noites em vão perdidas!
Sente-se o cheiro envelhecido dos papéis
De espasmos escritos ao vento
De maior loucura que sonheis
Pelo menor dos idos eventos.
O Poeta descreve a ementa ó se lhe agrada
E sopra-lhe o recomeço a brisa suave
Daquela inocência criança que a contém
E que ocupa todas as gavetas do quarto.
Esta a pura musa da vida reflexo
Da metade do Poeta Convexo
Que hoje em clausura se despede
Num até breve amargo e de sede.
Filipe F. 2016
esconderijo verdejante
Esconderijo Verdejante
De volta a este esconderijo verdejante
Onde somente ecoa a Natureza
E se pode estar degentando distante
Lembrando das amantes a beleza
Que aqui se despiu delirante.
Este recanto da solidão pacífica
Em que se enche de mágoas o açude
De cada paixão eternamente ilícita
Entre o verso a que se alude
E a corrente imensidão física.
Que te trarei agora então a seguir
Que não tenha já cá estado
Nessas águas que correram a diluir
As memórias vivas do passado
Que aqui não cessam de se confundir.
Filipe F. 2016
Verdant Hideaway
Back to the verdant hideaway
Where only Nature echoes thee
Num Dia
Um dia aberto,
Desnudo, sem hierarquia de sangue.
Sai à praça, concreto
O que se vê, ao longe.
Gente.
Na multidão um indiferente.
Vagabundo, vestido indecente.
Vidros em baixo, descalço
Aberto de mente.
Caminha entre clareiras
Pelos espalhos de chão
Buscando-se do que sobra à multidão,
Rasgadas as nuvens
Abertas em vão.
Filipe F. 2014 in "5 Poemas de Outubro"
Pequeno Arrependimento
Como te desejo...
Ser dentro de ti...
A pele que acaricio o mais
Que o tempo me dá...
O rosto que admiro o mais
Que um olhar dará...
E sou dentro de ti aquilo que sou,
E saceio meus desejos
Tocando-te simplesmente...
Olhando-te...
Como me envolvo meu amor...
Filipe F. 2006 in "Os Poemas Que Nunca Leste"
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