Do Poeta Convexo
A noite cai e o Poeta está em clausura
Prepara um tacho põe dois pratos
Que a vida além da solidão é mais crua
O Poeta acende a lareira com antigos versos
Que apodreceram na gaveta de madeira
Essa contida fogueira da memória
Onde se recolhem nostalgias falidas
Oh noites em vão perdidas!
Sente-se o cheiro envelhecido dos papéis
De espasmos escritos ao vento
De maior loucura que sonheis
Pelo menor dos idos eventos.
O Poeta descreve a ementa ó se lhe agrada
E sopra-lhe o recomeço a brisa suave
Daquela inocência criança que a contém
E que ocupa todas as gavetas do quarto.
Esta a pura musa da vida reflexo
Da metade do Poeta Convexo
Que hoje em clausura se despede
Num até breve amargo e de sede.
Filipe F. 2016
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