Lista de Poemas
EXTASIA
para aquilo que se paga, dinheiro
e pra tudo que custa caro, poesia
👁️ 142
GUICHÊ CLICHÊ
estas são as estações:
uma a uma, recebem
e despacham os trens à vida
(da série "haicaos")
👁️ 203
GREENTOWN ST.
ode aos olhos é
ver tingir de verde
a paisagem à passagem
(da série "haicaos")
👁️ 181
MOTO-CONTÍNUO
o mendigo bateu em meu portão,
"um poema, pelamordedeus!"
abro a porta, atendo ele
uma testemunha aproveita e me mostra o paraíso
de relance
depois me pergunta se tenho um minutinho
digo que não
à mesa, pergunto ao garçom se tem rimbaud
o garçom me oferece aimé
me deleito com um hermeto 1979
faz frio nas ruas
vestido de oiticica, pergunto a pirandello
"que aconteceu? por que está em silêncio?"
"tô na minha, ceciliando"
a cigana pede para ler a minha mão
dou a ela dez reais e ganho
um amém, um axé e um namastê
viro a página, dobro a esquina
tropico na minha sombra
sempre à frente de mim
caio mas não desmaio
ressuscito sempre antes do fim
👁️ 161
...
EXTASIA
para aquilo que se paga, dinheiro
e pra tudo que custa caro, poesia
para aquilo que se paga, dinheiro
e pra tudo que custa caro, poesia
👁️ 186
HAIQUASE - LXXII
céu aceso
flocos de nuvens
pintam os olhos
👁️ 197
ONIBLUES
em pé ou sentado
tanto faz, só queria você
aqui, ao meu lado
(da série "haicaos")
👁️ 153
MÚSICA, PASTEL E CALDO DE CANA
MÚSICA, PASTEL E CALDO DE CANA
Na minha infância, duas situações marcaram profundamente as manhãs de meus domingos: os programas de música caipira que passavam na tv (minha mãe adorava) e as idas à feira, onde ganhávamos pastéis de vento. Naqueles dias que providencialmente caíam após o pagamento, às vezes ganhávamos um pastel de carne e em momentos de fartura à beça, até um caldo de cana era-nos permitido, e ficávamos (eu e meus irmãos - mas creio que meus pais também), inundados pelo acesso quase livre aos prazeres do paraíso gustativo.
Das músicas que preenchiam as ensolaradas manhãs, ficou tatuado em mim esse profundo respeito pelo cheiro de terra molhada e o aroma de café que emanam até hoje quando ouço Inezita Barroso, Trio Para Dura, Almir Sater, Irmãs Galvão e Pena Branca e Xavantinho. Ainda agora uma dor florida aliada a um repouso desassossegado ecoam em mim quando Belmonte e Amaraí cantam Saudade de Minha Terra. Ou rio desavergonhado quando Inezita despeja a Marvada Pinga em meus ouvidos. E o Cio da Terra então? Deveria ser tombada como patrimônio histórico.
Obras de arte são atemporais.
Pastel de carne e caldo de cana gelado também são obras de arte. Cada mordida ou gole é um sortilégio único que carregamos para sempre dentro de nossas lembranças afetivas. Morder um pastel hoje traz à memória cada detalhe vivido há 40, 30, 10 anos. Traz à tona o perfume salgado e quente de domingo passado. E cada sorvo no copo verde de bigodinho branco traz consigo o doce do açúcar de todo esse tempo, que passa, que fica, que mora na paisagem de nossa memória.
E se hoje a saúde inspira cuidados e exige certos comedimentos, não se trata de resmungar com o destino. Convém curvar-se à soberania desse tempo, que traz consigo o diálogo sempre antagônico e nunca concluído entre deus e diabo, o bom e mau, o bem e o mal, o crédito e a cobrança.
Esse talvez o mistério - portanto, a beleza - daquilo que orquestramos na vida: o tempo é uma sinfonia que carrega em si a brevidade que, com suas notas únicas, criam a ideia de eternidade, essa que estamos vivendo agora.
Escobar Franelas
Na minha infância, duas situações marcaram profundamente as manhãs de meus domingos: os programas de música caipira que passavam na tv (minha mãe adorava) e as idas à feira, onde ganhávamos pastéis de vento. Naqueles dias que providencialmente caíam após o pagamento, às vezes ganhávamos um pastel de carne e em momentos de fartura à beça, até um caldo de cana era-nos permitido, e ficávamos (eu e meus irmãos - mas creio que meus pais também), inundados pelo acesso quase livre aos prazeres do paraíso gustativo.
Das músicas que preenchiam as ensolaradas manhãs, ficou tatuado em mim esse profundo respeito pelo cheiro de terra molhada e o aroma de café que emanam até hoje quando ouço Inezita Barroso, Trio Para Dura, Almir Sater, Irmãs Galvão e Pena Branca e Xavantinho. Ainda agora uma dor florida aliada a um repouso desassossegado ecoam em mim quando Belmonte e Amaraí cantam Saudade de Minha Terra. Ou rio desavergonhado quando Inezita despeja a Marvada Pinga em meus ouvidos. E o Cio da Terra então? Deveria ser tombada como patrimônio histórico.
Obras de arte são atemporais.
Pastel de carne e caldo de cana gelado também são obras de arte. Cada mordida ou gole é um sortilégio único que carregamos para sempre dentro de nossas lembranças afetivas. Morder um pastel hoje traz à memória cada detalhe vivido há 40, 30, 10 anos. Traz à tona o perfume salgado e quente de domingo passado. E cada sorvo no copo verde de bigodinho branco traz consigo o doce do açúcar de todo esse tempo, que passa, que fica, que mora na paisagem de nossa memória.
E se hoje a saúde inspira cuidados e exige certos comedimentos, não se trata de resmungar com o destino. Convém curvar-se à soberania desse tempo, que traz consigo o diálogo sempre antagônico e nunca concluído entre deus e diabo, o bom e mau, o bem e o mal, o crédito e a cobrança.
Esse talvez o mistério - portanto, a beleza - daquilo que orquestramos na vida: o tempo é uma sinfonia que carrega em si a brevidade que, com suas notas únicas, criam a ideia de eternidade, essa que estamos vivendo agora.
Escobar Franelas
👁️ 157
ADVIR
ADVIR
os versos não estão escritos
naquele corpo estendido no chão
nem nos olhos nem nas lágrimas
da mulher que chora
os versos, mermão
estão escritos nas sementes
ainda não germinadas
depois que a mulher parir
depois que a terra parir
o primeiro verso começará a ser escrito
há de vir o dia
em que o poema dirá solene
estou pronto
me escreva
os versos não estão escritos
naquele corpo estendido no chão
nem nos olhos nem nas lágrimas
da mulher que chora
os versos, mermão
estão escritos nas sementes
ainda não germinadas
depois que a mulher parir
depois que a terra parir
o primeiro verso começará a ser escrito
há de vir o dia
em que o poema dirá solene
estou pronto
me escreva
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NATURALMENTE
NATURALMENTE
todo dia
o mesmo amor
é diferente
(da série "haicaos")
todo dia
o mesmo amor
é diferente
(da série "haicaos")
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Escritor e cineasta, é autor de "hardrockcorenroll" (poesia, 1998), "Antes de Evanescer" (romance, 2011), "Itaquera - Uma Breve Introdução" (história e memória, 2014) "haicaos - feridas, fragmentos e fraturas poéticas" (poesia, 2018) e "Premiado" (Romance 2019). Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.Entre eles o documentário "São Miguel, destino: Movimento Popular de Arte" e Cores e formas do coração - assinado Hélvio e Adélia Lima - 2019
Seus perfis e produção também estão:
no Blogger "vs. eu" http://escobarfranelas.blogspot.com -
no Facebook https://www.facebook.com/escobar.franelas
no Youtube https://www.youtube.com/user/Efranelas
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