SOBRENOME ÂNSIA
as senhoras gana e ignora, irmãs gêmeas, andam de braços dados sob o sol de qualquer hora
não são violentas
não
são violentas
dizem
digo
Escobar Franelas
TALVEZ
jamais! nunca!
isso não
é um poema
(da série "haicaos")
Escobar Franelas
EXTRA VAGANTE
bem sei o que fazer
com tanto sentimento aqui
preciso entregar urgente
pois a carga tá grande
a posar de leve
Escobar Franelas
BORRACHA
acho que a beleza da poesia
da vida, das coisas todas que estão por aí
vem do esquecimento
de um fragmento que se perde
e nos deixa à solta, figuras atônitas
tentando desvendar os mistérios
dessa miséria vã
acho também que a grandeza desse ato
só não é maior que as lembranças
que são longos tapetes escuros
por onde depois desfilarão as memórias
recuperadas
acho mais, que a atmosfera que permanece
como o vulto de um fantasma
é a forma mais sincera de nossas projeções
cujo conteúdo retroalimenta
essa intermitência entre o lápis e a borracha
Escobar Franelas
AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS
escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os
Escobar Franelas
CAIS INSEGURO
a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol
a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim
a pinta na perna dela
me levita
e me prostra
Escobar Franelas
CAIS INSEGURO
a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol
a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim
a pinta na perna dela
me levita
e me prostra
Escobar Franelas
AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS
escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os
Escobar Franelas
POESIA E COMUNHÃO
tempos de colheita
a camponesa acorda antes do sol
ora e sai à lida
vai arar o coração
semear, regar palavras
fecundar a terra
dar de comer aos poucos
beber da água da chuva
colher linguagens
volver com as cansadas asas
dormir, acordar, continuar
o povo da cidade come
o produto natural
como se fosse nada
- chiclete de chuchu -
mastiga e não percebe o gosto
do suor da ponta da caneta
que lavra a carne inóspita
do planeta
Escobar Franelas
LINDÍCIA
vamos fazer assim
você, conjulgue-me
e com juntamentes
amaramamos
amaremos
amar rimos
amarrumos
lindícia, você
amamora aqui
e entre tantos neologismos
um nascente todotudotanto brotaqui
e o segundo, nesse exato segundo,
é você, lindícia
e é uma delícia de se ser, lindícia
e é
e que assim seja
Escobar Franelas