Escobar Franelas

Escobar Franelas

Escritor e cineasta. Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.

n. 0000-09-30, São Paulo SP

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DOIS POEMAS NO ROSTO


a cor de seus olhos é a cor de um poema
que não consigo verbalizar.
apenas contemplar.
a cor de seus olhos é a cor
da poesia quando nasce.


Escobar Franelas
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Poemas

119

SOBRENOME ÂNSIA


as senhoras gana e ignora, irmãs gêmeas, andam de braços dados sob o sol de qualquer hora

não são violentas
não
são violentas
dizem
digo

Escobar Franelas
169

TALVEZ


jamais! nunca!
isso não
é um poema

(da série "haicaos")
Escobar Franelas
145

EXTRA VAGANTE


bem sei o que fazer
com tanto sentimento aqui
preciso entregar urgente
pois a carga tá grande
a posar de leve

Escobar Franelas
159

BORRACHA


acho que a beleza da poesia
da vida, das coisas todas que estão por aí
vem do esquecimento
de um fragmento que se perde
e nos deixa à solta, figuras atônitas
tentando desvendar os mistérios
dessa miséria vã

acho também que a grandeza desse ato
só não é maior que as lembranças
que são longos tapetes escuros
por onde depois desfilarão as memórias
recuperadas

acho mais, que a atmosfera que permanece
como o vulto de um fantasma
é a forma mais sincera de nossas projeções
cujo conteúdo retroalimenta
essa intermitência entre o lápis e a borracha

Escobar Franelas
285

AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS


escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os

 Escobar Franelas
245

CAIS INSEGURO


a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol

a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim

a pinta na perna dela
me levita
e me prostra



Escobar Franelas
250

CAIS INSEGURO


a pinta na perna dela
é ponto de partida e chegada
desperta e dispersa
as asas do desavesso
uma tempestade de olhos
chuva alheia e atenta
ao pouso inábil do desejo
suando sob o sol

a pinta na perna dela
é cais inseguro
onde esgueiro para chegar
ao porto culminante do fim
aqui, tão longe, dentro de mim

a pinta na perna dela
me levita
e me prostra



Escobar Franelas
259

AUTOAJUDA PARA ESCREVER HAICAIS


escreva os versos
deixe-os adormecer
ao acordar, lance-os

 Escobar Franelas
286

POESIA E COMUNHÃO


tempos de colheita
a camponesa acorda antes do sol
ora e sai à lida
vai arar o coração
semear, regar palavras
fecundar a terra
dar de comer aos poucos
beber da água da chuva
colher linguagens
volver com as cansadas asas
dormir, acordar, continuar

o povo da cidade come
o produto natural
como se fosse nada
- chiclete de chuchu -
mastiga e não percebe o gosto
do suor da ponta da caneta
que lavra a carne inóspita
do planeta

Escobar Franelas
204

LINDÍCIA


vamos fazer assim
você, conjulgue-me
e com juntamentes
amaramamos
amaremos
amar rimos
amarrumos

lindícia, você
amamora aqui

e entre tantos neologismos
um nascente todotudotanto brotaqui
e o segundo, nesse exato segundo,
é você, lindícia
e é uma delícia de se ser, lindícia
e é
e que assim seja

Escobar Franelas
231

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