Escobar Franelas

Escobar Franelas

Escritor e cineasta. Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.

n. 0000-09-30, São Paulo SP

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DOIS POEMAS NO ROSTO


a cor de seus olhos é a cor de um poema
que não consigo verbalizar.
apenas contemplar.
a cor de seus olhos é a cor
da poesia quando nasce.


Escobar Franelas
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Poemas

119

AS ÁGUAS RASAS


o rio amarelo, o mar vermelho, a lagoa azul, singram.
o rio doce, sangra.
o cio, sob o sol, seca.
o rio tietê, à sombra.


Escobar Franelas

277

ZEUSA


zeusa inquieta, unhas coloridas
coçando dentro da derme
asas alvoroçadas voando fora do centro
agarradas às minhas
em falso pouso no ar

que alvoroço é esse?
rumor da imaginação?

zeusas não têm alma, não têm coração
voam, viajam no tempo, etéreas, atrasadas
fora do tempo, sem tempo

zeusas são de outro mundo
zeusas querem ser helenas
zeusas morrem de inveja de mortais

Escobar Franelas
225

IDÍLIO - III


no fundo dos olhos
a retina
atrás do olhar, a alma

(da série "haicaos")
Escobar Franelas
192

HAIQUASE - XCVII


num rio de lençois e edredons
a sereia
encanto nada

Escobar Franelas
166

VENERAÇÃO


calorfrio do lado de dentro
desmedido do lado de fora
pele que queima
corpo que arrasta em desassossego
e deposita um exultante eu
extasiado eu
sacrificado eu
prostrado, a alma frita,
desidratada, decomposta
diante desse deus embriagado e insone
o amor


Escobar Franelas
163

VENDAVAL


vento forte aqui
desses de arrancar as roupas
do varal interior

vento forte aqui
de quebrar estirante de pipa
solta na imaginação

vento forte aqui
de secar a roupa úmida
de lágrimas exteriores

Escobar Franelas
151

O BEIJO


minha ruiva palatina
traz recado à sua
rubra úvula nua

(da série "haicaos")
Escobar Franelas
252

ODE AO ABSURDO


um amor, um poema
uma boca, o beijo
braços, abraçaços

uma casa, um ninho
oração; pesares
um voo, apenas

a pesar, as penas


Escobar Franelas
282

ODE AO OCRE


laranja é a cor do sol quando se põe
a mesma cor intermediária entre
o que sonho e o que alcanço
a mesma cor incendiária entre
o que é alma e o que é terreno
a mesma cor temerária entre
o real e o imaginário

laranja é toda cor terciária
fruta das estranhas entranhas[
do amálgama

laranja é todo ódio momentâneo
do amor inorquestrável

laranja é o êxtase da cópula
entre o que pode ter sido esse sol
arreganhado de luz atlântica em pleno inverno
e essa rima breve entre heaven e hades

Escobar Franelas
147

Fotografia

“A beleza da fotografia não é o domínio técnico nem o equipamento mais elaborado, mas a poesia do olhar. Pronto”

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137

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