Lista de Poemas
NA TÁBUA DO MEU CORAÇÃO
Na luz dos olhos meus minha querida haja vida, puro desejar de vida doando vida, na essência do cheiro suave que embriaga dois corações, duas almas enobrecidas pela razão de amar.
Afague a paz que há em mim em abundância, deleite, sou teu manto, não haverá pranto e nem se apagará o encanto que feliz te faz, quero amar-te, doar-te, e sustentar-te em tudo que for capaz.
Imperfeito do meu jeito, mas fiel e verdadeiro, estará cheio o meu celeiro de Divina gratidão por ti. Quero honrar-te e ser honrado e que esteja ao meu lado, que vivas por mim e eu por ti.
REINO HIPÓCRITA
JANELA DA VIDA
UM SONO PROFUNDO
Um sono fora dos vivos, mas não junto aos mortos, fora das bocas cheias de dentes com os sorrisos falsos, das mãos que acariciam e armam laços.
Longe dos olhares e discursos altivos coisas típicas dos vivos, pois aos mortos não resta altivez, tampouco nas coisas concernentes aos vivos acurada lucidez.
Um sono profundo fora da aluvião das gentes que estão crentes na bondade dos povos, que cessarão com a fome e surgirão na terra como renovos.
Melhor dormir profundamente e não acordar, se o Sol te molestaria teve muita sorte, de não haver nascido e aberto os olhos para não contemplar o sono da morte.
CAMINHOS
ENDUVIDADO
AGONIA
Noites e dias de agonia, vagando na clausura pelo vazio da solidão, olhar frio e congelante de parar um coração.
Não sinto mais nada, não sinto mais nada! Ela traspassou minh’alma agonizante nos gumes de uma espada.
Acuada e relutante na afiada e penetrante lâmina dos tormentos, sem risos e apenas prantos minh'alma anseia por desencantos.
Na luta fortuita, ó minh’alma labuta! Como és forte, será mesmo a morte ou redimida sorte das agruras á vista?
Quebranta ela Senhor! Não a deixes prosperar nesta lida, pois saqueou o meu amor e ainda sem temor anda a tirar-me a vida.
Ipatinga, 15/08/2018
Erimar Lopes.
OLHOS PARA OLHOS
TESTEMUNHA, O BEIJA-FLOR
O Beija-flor beijou com tanto amor a flor do seu amor, que sonhou que amou outro amor num dia acinzentado e noite sombria, e deitou-se e dormiu despojado de toda a agonia. Venham, vejam e ouçam o que diz o vigia! Há prantos na terra por sangue derramado! Há soluços, gritos, ranger de dentes por todos os lados. E ele nem um pouco assombrado, pois sabe que a vida leva a morte lado a lado. Mas quando chegares ao frio do calabouço e teres a alma suspensa, e a prisão acolher sua carne de forma pretensa, e te restares um único suspiro por toda esperança, e lembrares que em ti imperou tamanha arrogância, e volveres no espírito por toda pujança, e quebrares as cadeias da ignorância, e saíres livre de toda penúria, e lembrares que viu e ouviu o vigia naquele dia acinzentado e na noite sombria, abrirás os teus olhos quando raiar nova alva, abraçarás forte teu amor de encontro ao peito, e não verás o Beija-flor que se foi, para não contar-te o pleito, daquele sonho resoluto, entrevero, e suspeito, deixando-te um amargo e numa sequidão de estio, outrora fostes melhor o calabouço, as suas cadeias, e o seu frio.
NA TEIA DE ARANHA
Macia, suave, aconchegante, muito empolgante, tudo isto enquanto dormia, mas quando me despertei descobri que estava na teia de aranha todo envolto de artimanha. Sem me desesperar pensei como faria para me soltar, sabendo eu que se fizesse muito esforço iria me esgotar, tendo que escapar antes mesmo que o aracnídeo viesse me sugar. Tudo sentido figurado, pois quando expressar a verdade compromete a felicidade tudo fica modificado e nos vemos enredados em demandas sem respaldos. Sentimo-nos fracos por momentaneamente aceitarmos as teias nos envolucrar, mas lutamos para sobrevivermos, assim fortalecemo-nos para soltar-nos e novamente erguer-nos, fugirmos da aranha e sua teia rompermos para alcançarmos a liberdade e sermos um novo ser na esperança de encontrarmos quem realmente seja fiel, que expresse a verdade e não seja cruel e, não brinque com os sentimentos deixando um gosto de fel, mas que demonstre arrependimento e mostre um semblante compatível, daqueles que veem na culpa uma esperança plausível para se redimirem dos erros e da hipocrisia, que engodam o espírito e deixam a alma vazia sem expectativa de perdão, mesmo sabendo que a mão que com todo carinho afaga, tendo a chama que não se apaga do fogo consumidor, que tem todo o amor para sucumbir toda a tristeza e dor, e limpar o coração desviando-o da perdição, com oferendas de perdão e verdadeiro galardão.
Erimar Lopes.
Comentários (3)
amei parabéns
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
Belo poema
1971
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