Escritas

Lista de Poemas

CONCEDA-ME O PERDÃO

Se desentendeu e brigou comigo me mandando embora dizendo que já era tempo e hora de tirar-me o abrigo, que já não dava mais e que eu me virasse e sozinho curasse os meus ais.

Saí desorientado e desiludido, fui para rua todo entristecido, o que fazer se fui humilhado e dispensado pela mulher que eu sempre quis ao meu lado.

Em uma avenida vi uma floricultura, entrei cabisbaixo e escolhi um buquê de flores mais lindas e puras, pedi um cartão e em linha de lágrimas não sabia a razão, mas escrevi o que senti com o meu coração:

Amor você sabe que eu tentei, fiz de tudo por nós dois, mas fui deixado pra depois e agora te suplico, depois de tudo o que pensei, receba estas flores com o perfume e a beleza no intimo desses botões e leia atentamente estas palavras de tristeza que saem de mim  em paixões.

Não me deixe assim senão morro, não tenho aonde pedir socorro, por que me abandonaste? Somente quero mais uma chance para te provar e te amar com uma avalanche de amores, sinta o perfume dessas flores e tenha compaixão, abra o seu coração e conceda-me o perdão.
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DESLUMBRADO

Eu busquei com muita cautela um amor
E encontrei com uma pessoa tão bela
Tanto na aparência quanto o seu interior
Eu sonhava em ter uma esposa singela.

Eu pensei antes que não suportaria
O quanto a solidão me machucava
Ela veio em uma forma de alegria
E num olhar e sorriso eu já a desejava.

Ela me disse com toda a certeza
Que o amor a encontrou no caminho
Eu a agradeci com toda presteza
Sinceramente por não ser mais sozinho.

Abriguei-a logo em meu coração
Em lágrimas me declarei emocionado
Segurando firme a sua delicada mão
Em reverência me ajoelhei deslumbrado.
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PENSAMENTOS

Não coma o pão da mentira, nem beba o vinho da violência, para que não antecipe os seus dias ou seja julgado sem clemência.

Vê um sábio em sabedoria e considera a sua prudência, aparte do louco em sua loucura e o deixe sofrer a consequência.

Separe um bom amigo do coração, reserve-o com sinceridade, sempre estenderá a sua mão quando estiver em dificuldade.

Abrace a sua mãe e diga não sou digno, mesmo que a não queira bem, foi ela quem te deu a luz, porventura viver não é um bem?

Não te apresses na adversidade quando pedirem o seu testemunho, não sejas preguiçoso, leia atentamente o que assina com o próprio punho.

Se puderes matar a sede a contento, agradeça ao que te propicia, porquê o soberbo terá sede, mas beberá do fel da agonia.

Se lhe faltarem calçados, louve o teu estado com fé, antes descalço, a sapatos sem pé.

Vê o esvoaçar dos pássaros migratórios, sempre encontrarão alimento, vê um homem daqui e dali, vem do suor o seu sustento.
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MULHER E MÃE

Mulher, és a criatura de louvor, é incondicional o teu amor entre a espécie humana, do teu seio a força que alimenta emana, no teu ventre gera a vida em mistério divinal, se virtuosa, é esteio, é forte, é luz resplandecente. Um coração de largura imensurável em acolher a prole, a tua semente. Mulher, dádiva concedida ao homem, companheira e senhora, esposa e mãe, procriadora obsequiosa. Mulher, que aos prantos ignora a dor da concepção e se alegra por trazer um renovo ao mundo, sendo para um filho proteção e consolação. Mãe, sei que a senhora sempre vela por mim, sei que nunca me esquece, e às vezes com a minha ingratidão se aborrece. Que suportou tudo para que eu não me perdesse, aturou as dores quando me dava a luz sob os olhares e os cuidados de uma obstetriz, e assim permitiu que eu nascesse. Sei que fui amamentado por ti, e que não mediu esforços para me fazer o bem me ensinando o que verdadeiramente convém. Mãe, quantas lutas travaste para me guardar, como sofreste para me criar. Quantas vezes vi em teu semblante a tristeza, mas em teu espírito era maior a tua robusteza. Mãe não duvides do meu amor por ti, mas também sei que não tenho como retribuir todo o teu amor a mim dispensado e os momentos felizes que passei ao teu lado. Mãe agradeço imensamente por me gerar criança em teu ventre, por me suportar quando fui rebelde contigo, por ser meu exemplo de paciência e perseverança e me ter como filho e amigo. Pela senhora que foi uma virgem mulher, e a tua beleza não finda sequer, que ao amor se entregou e dele se desfrutou, se unindo ao homem da tua mocidade com toda jovialidade, que concebeu-me em dores, e abraçou-me em amores, e não me abandonou em nenhuma circunstância, mesmo que o sofrimento chegasse à extrema consequência. À senhora minha mãe e mulher e a todas as mães e mulheres do mundo que geraram e geram a vida com amor fecundo, a minha humilde e sincera gratidão.
Ramire-07-05-2019
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LÍNGUA VENENOSA

O raio da roda gira sem raios
A carapuça embuça a cabeça culpada
O cubo num tubo de ensaios
Quando o discurso não sabe de nada.

A língua intrépido chicote mortal
Açoita a alma quando a fala é do mal
O corte é profundo, a cicatriz anormal
E o que se dissemina pode ser fatal.

Preso ao corpo esse membro pequeno
Logo liberta palavras tênues adagas
Que penetram no coração com veneno
Causando terríveis e profundas chagas.

Não tem freio nem pode ser controlada
O mal pensamento não será descoberto 
Somente não tropeça a boca fechada
Mas se escrito ou falado o dano é certo.
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AMOR VERDADEIRO

Há uma luz, e essa luz é branca, há uma cruz, e essa cruz é pesada, há um caminho, e esse caminho é reto, há uma porta, e essa porta é estreita, há um coração, e esse coração clama, há um lugar, e esse lugar está preparado. Há um plano, e esse plano é perfeito. Há uma alma, e essa alma chora, há uma vida, e essa vida implora. Há uma dor, e essa dor não cessa. Há um Amor, e esse Amor é eterno. Há uma busca, e essa busca é constante, e incessante por esse Amor que nos é o bastante.

Ipatinga, 06/05/2019
Erimar Santos.
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FAVELA

Na face do fácil há laço e ardil, na classe de baixo misérias a mil, no rosto de mosto desgosto se viu, na alma com trauma que embriagada caiu. Na floresta que resta tem festa bancada, há pobres que bebem e dormem em calçada. O luxo do lixo é lixa engrossada, o limo que lima a classe de classe folgada. No limbo o cachimbo prima a boca, a fome que consome e ela está sempre oca, que na labuta conduta do pobre se cobre, da miséria tão séria e louca. Um menino felino sem leite, mofino triste resiste ao destino, na crença desavença que vença o impostor, por comida, pela vida, pela droga do remédio, por algum valor, e não cresça no tédio vendo do alto os prédios, e o mundo não seja uma bandeja que sempre veja na televisão, onde o lixo é luxo e os sentidos alimentam o fluxo da imaginação.

Ipatinga, 04/05/2019
Erimar Santos
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BARCO DOS SONHOS

O barco dos sonhos vem navegando em águas mansas, serenas e tranquilas, cheio de esperanças, eu o espero ansioso no porto poder ancorá-lo em mim. Quem o guia o faz com ciência e muita habilidade. Ele traz os meus sonhos de verdade àquela que vigia e guia os meus passos. Vem de longe, demorado, espero pacientemente e angustiado o realizar de uma intrigante coisa: o sofrer por amor.
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CASO PERDIDO

Vede quanta falta me faz desde o dia em que partiu sem me avisar para aonde iria, quanto tempo já faz que você não liga mais, parece que tudo tanto faz.

Já fui o seu tesouro escondido, sua joia mais que preciosa, hoje perdi o valor, por você fui abandonado, já não me quer mais, de graça fui vendido.

Não fui o culpado por ter te perdido, mas por ter te amado além sem ser correspondido e de mim esquecido, por isso não me deste valor e trocaste o meu amor por um caso perdido.
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VELHA ESTAÇÃO DA LOUCURA

Eu anunciei de dia enquanto havia luz, que o velho trem de passageiros em cruz, que passaria naquela velha estação, chegaria à noite e não esperaria não, pois estava cansado de cruzar lado a lado nos trilhos o meu árido sertão.

Anunciei e esperei com muita atenção, o meu velho trem, naquela velha estação, fiquei sozinho, ninguém viajaria nem de noite ou de dia, nem jamais entraria naquela velha locomotiva, que levaria a deriva o meu inconstante coração.

Era o trem da ilusão, na velha estação da loucura, era somente eu numa viagem insegura, de vagão em vagão, ninguém que segurasse a minha mão, e o velho trem me levava, não haviam paradas, era longa a viagem, dias e noites de jornadas.

Oh maquinista! Pare essa máquina, a loucura me mata, a ilusão é nefasta, arranque os trilhos, descarrilhe os vagões, me leve de volta ao meu árido sertão, lá estava calmo, era muita sede e eu vi a miragem e me embarquei nessa viagem de alucinação.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema