Lista de Poemas
TRAJETÓRIA
Minhas lágrimas são doces, o meu choro é de alegrias, minhas mãos estão vazias, a minha paz e a minha história, são de atitudes simplórias.
O meu passado se apagou, as minhas faltas Deus levou, o meu caminho Ele acertou, todas as guerras que eu lutei, de minh’alma as livrei.
Aqui na terra o Redentor, em mim não falta o Seu amor, meu coração está aberto, a minha vida está coberta pelas bênçãos do meu Senhor.
A luz que me ilumina, em esperanças, em tudo em mim culmina. A cada dia é uma batalha, sem estratégia a luz é falha, mas pela fé a força se espalha, e a coragem surge como uma muralha.
O meu passado se apagou, as minhas faltas Deus levou, o meu caminho Ele acertou, todas as guerras que eu lutei, de minh’alma as livrei.
Aqui na terra o Redentor, em mim não falta o Seu amor, meu coração está aberto, a minha vida está coberta pelas bênçãos do meu Senhor.
A luz que me ilumina, em esperanças, em tudo em mim culmina. A cada dia é uma batalha, sem estratégia a luz é falha, mas pela fé a força se espalha, e a coragem surge como uma muralha.
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QUEM ME VÊ ASSIM
Quem me vê assim, não sabe nada de mim. Quem imagina o que sou, de onde venho, para aonde vou, está se confundindo, se iludindo, no meu caminho ninguém nunca andou. Quem não sabe quem sou? Quem nunca perguntou? Não sou precipício, nem fome, nem vício, tampouco tenho um nome derivado do exercício que nos consome, não tenho codinome. Quem me fez assim sabe tudo de mim. Agora, se livre da curiosidade e fique de fora, abra bem os seus olhos para que não tropeces, e vá embora seguindo o seu próprio caminho sem vaidades e desalinho. Não ficaria comigo por favor. Não teria ninguém. Não me levaria para aonde você for, se não me levasse te diria amém! Não tenho bens, não tenho lar, mas também tenho razão para não os dar. Faça-me chorar te implorando para que me queira levar. A minha aparência não testifica a verdade, mas o meu coração está cheio de bondade. Não Prometo que não te daria trabalho, não te seria pesado, não te seria falho. Diga que não me quer contigo, te daria também amor amigo, você poderia receber, eu posso ver e sentir, não seja esnobe, não estou por fingir. Eu corri tanto para chegar até aqui, sei que não me conhece bem e não viveu o que eu vivi. Por isto não insisto se por teus olhos eu sou visto um colibri, tão ágil e tão frágil, sugando o néctar das flores voando aqui e ali.
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TRAIÇOEIRA
Na fogueira do amor, na cegueira,
Na iminência de se entenebrecer,
Num mergulho sem ver traiçoeira,
Contraindo uma doença para se corroer.
Na palma das mãos, entre os dedos,
O que muito se aperta, desperta,
Ao que detesta lembrar seus medos,
Quando se queima na pele descoberta.
De olhos bem fechados se imagina,
Nudez, beijos, gemidos sem confissão,
Num paraíso perigoso se incrimina,
Na Lâmina afiada do desejo da paixão.
Quando os segredos revelam a morte,
Arrancando um coração pulsante,
Pelo ciúme tão venenoso e forte,
É possesso, controverso, fulminante.
Na iminência de se entenebrecer,
Num mergulho sem ver traiçoeira,
Contraindo uma doença para se corroer.
Na palma das mãos, entre os dedos,
O que muito se aperta, desperta,
Ao que detesta lembrar seus medos,
Quando se queima na pele descoberta.
De olhos bem fechados se imagina,
Nudez, beijos, gemidos sem confissão,
Num paraíso perigoso se incrimina,
Na Lâmina afiada do desejo da paixão.
Quando os segredos revelam a morte,
Arrancando um coração pulsante,
Pelo ciúme tão venenoso e forte,
É possesso, controverso, fulminante.
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LIUZINHA
Ela era toda certinha, cabelos longos, loiros, olhos verdes, andava somente na linha, um metro e setenta e cinco de altura, curvas, tronco, rosto de menininha. Parecia uma escultura, pele clara de jambo, vinte e dois anos, ela era pura. O avesso do mundo, Liuzinha, a garotinha filhinha de um senhor furibundo. Não tinha mãe, nem um irmão, ela era a paz, mas causava confusão. Senhor Atanásio, morador do Vale do Cão, era respeitado pelo seu olhar frio e por ser filho de Gervásio, aquele que lutou, venceu e matou um leão. Pai de Liuzinha a princesinha do não, senhor Atanásio vivia um grande dilema, proteger a filha pura era um grande problema, o Vale era Sodoma, filhos da vadiagem e da perdição, de crimes diversos, e morte, para se protegerem seguramente necessitariam de uma grande redoma. Vivia fugindo dos assédios de homens indesejáveis, o que para ela os tornavam ainda mais detestáveis. Liuzinha também tinha outros atributos, além da beleza, era guerreira, e suas qualidades e frutos eram força, coragem, várias habilidades e tamanha destreza. Saqueadores, injustos e pérfidos, homens de má conduta, no Vale, seu Atanásio e a filha com eles lutam, para a preservação da suas vidas se defendem e não se assustam, se legitimam com as suas espadas, os fere, se livram e fogem de mais uma cilada. _Filha está tudo bem contigo? _Sim pai, difícil é não correr perigo, mas estes mereceram tal castigo, não tentarão mais outra vez se engraçarem comigo. _Certamente não, mas fiquemos atentos, todavia vivemos no Vale do Cão, o mal é sempre iminente e a nossa vigilância constante é a solução. _Sim meu pai, estarei sempre atenta, oxalá consigamos nos livrar de todas as investidas do mal, meu espírito está pronto, pois ele representa todo ideal de justiça neste caos de lugar, e um dia pai, conseguiremos daqui nos livrar. _É filha, talvez eu já seja velho o bastante e não me importe mais em morrer por aqui, mas você é tão linda, jovem e interessante, que eu seu pai lutarei e se necessário for, morrerei por ti. Feliz serei em vê-la um dia partir, mesmo que eu não possa ir, mas você filha, até os últimos esforços irá conseguir. _Não meu pai, eu jamais deixarei o senhor, também lutarei até à morte se preciso for, mas juntos sairemos, nos gloriaremos nos muitos dias de paz que longe daqui encontraremos. Lugar hostil, cheio de armadilhas, cães famintos e suas matilhas, violências desenfreadas por desestruturadas famílias. Terra sem governo constituído, terra de chacais onde o terror foi estabelecido, onde o bem foi destituído. Um lugar de ruínas e escravos sem princípios, onde reina a fome, a miséria e das almas ociosas os vícios, onde os espíritos de homens e animais não encontram paz e a injustiça ferrenha cada dia se refaz.
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DOS PÃES AOS MILHÕES
SEBASTIÃO PADEIRO
Maria da Consolação no Morro das Lamúrias, pérola, moça que aos olhos encanta. Sebastião Padeiro não descansava o ano inteiro, contava de janeiro a janeiro com aquela aparição, Maria da Consolação descendo o beco para comprar-lhe pão. E ver a moça que alegrava o seu coração, sendo ela quem o entusiasmava a gritar causando ecos com satisfação passando por entre os becos, e quando a via, dizia: _seu nome já me é perfeito, “Consolação”, te dou meu coração, pode levá-lo no lugar do pão. _Mas que é isso Sebastião, me vê os pães que estou indo embora, onde já se viu isso, recebe aí e não demora. _Esquenta não meu cheiro, preciso de inspiração, corre de mim não, te quero tanto bem! _Toma modos, não vê que tá muito pra frente, não desvia a atenção, tem mais fregueses, mais gente, ou vai ficar aí abobado? Será que não te comprarei pães mais vezes? Sebastião em plena satisfação despedia a bela jovem sem cobrar-lhe os pães. Era um moço vistoso, sem grandes aspirações nos estudos, de família carente vivia da venda de pães e de pensamentos absurdos. Bem como muitos pobres, sonhava ou pensava em um dia ter fartura, esqueceu do morro a arquitetura e foi-se à casa lotérica, Sebastião Padeiro da zona periférica com o pouco dinheiro dos pães que vendeu o dia inteiro, fez uma fezinha na Mega Sena, cruzou os dedos e voltou sem sentir pena feliz para casa, esperando no dia seguinte, estar no morro naquela mesma labuta ver Maria da Consolação pensando: _ah! Se ela me desse asa, todavia pelo menos ela me escuta. Amanhece o dia e lá está ele novamente, alegre e sorridente entre as vielas do morro, sempre naquele ponto onde esperava o socorro, aquela que alimentava as suas esperanças, Maria da Consolação agitando as suas tranças, toda faceira em busca dos seus pães, mas desta vez, aquela morena não desceu com as suas danças e, Sebastião padeceu momentânea pasmaceira com as suas lembranças. Esperou, esperou e nada, gritou, gritou, mas ela não apareceu. Sentiu-se abatido, seu semblante se fez caído e o seu olhar entristeceu. Perguntou para dona Geruza: _a senhora sabe da Consolação? Dona Geruza que dava notícias de tudo naquela localização, respondeu-lhe: _meu padeiro Sebastião, não tá sabendo? A Consolação ficou famosa, todos do beco ontem à tarde desceram o morro correndo, você precisa ver que menina formosa! Será modelo, vai desfilar, cantar, alguma coisa assim, acho que nem mais irá voltar para aquele humilde barraquim. As palavras da dona Geruza foram um balde de água gelada, Sebastião perdeu as forças e sentou-se em uma escada, não acreditou no que ouviu e refletiu apaixonado: _disse-me que compraria pães mais vezes, que não era para eu ficar abobado. Agora sou apenas mais um coitado, nem vai se lembrar mais de mim, no meio daquela gente rica e famosa, quando a verei de novo no morro? Do início ao fim era apenas fantasia, mas nunca imaginaria que um dia ela partisse assim. Terminou a sua tarefa todo cabisbaixo, voltou para casa com a autoestima lá embaixo, ao deitar chorou com muita tristeza, Maria da Consolação para ele era certamente um coquetel de beleza. A partir dali os dias não foram mais os mesmos, o morro perdeu a graça e nos becos Sebastião não fazia mais praça, vendia diariamente o seu pão, mas na sua alegria em que andava, a questão tornou-se angústia em seu coração e da freguesia dela não disfarçava. Não respondia se o perguntavam o que havia acontecido, era como se um irmão querido dele houvesse morrido, ou um filho se lhe houvesse perdido, mas não se alegrava mais, vender os pães já não tinha mais sentido. Nesse lapso de tempo Maria da Consolação dava os primeiros passos na carreira, ser modelo, dançarina e cantora lhe rendia espaços numa vida corriqueira, não lhe sobrando tempo, se sobrecarregando sobremaneira, lembrar de Sebastião para ela seria apenas se fosse zoeira. Vai chegando o dia do sorteio da loteria, Sebastião já não está mais a fim do bilhete da aposta, entristecido pela ausência da Consolação no morro, fica buscando uma resposta e, em casa seus pais tentam desencorajá-lo: _meu filho não fique assim por causa daquela moça, sabemos que é difícil e que não podemos do sofrimento livrá-lo, mas tenha força, isso vai passar, d’outra garota irá gostar e da Consolação irá esquecer, filho estamos torcendo para vermos você se reerguer. _Mas mãe e meu pai, eu sempre sonhei com ela, para mim é a mais bela moça que conheço, sei que talvez não a mereço, contudo tudo tem o seu preço, esta ilusão pela qual padeço. Pensava em um dia ficar rico, ter muitos recursos para poder causar-lhe impressão, oferecê-la o mundo e não ser mais um vendedor de pães, conquistá-la, tê-la em meus braços e dar-lhe tudo em suas mãos.
SORTES MUDADAS
Mas aquela luz que se acende para um em milhões, Sebastião Padeiro também tinha brilho em suas imaginações, algo o incomodava para conferir as dezenas sorteadas, ficava relutante, mas o íntimo era insistente em suas escolhas desnorteadas. Ele parecia estar sem nenhum desejo, queria mesmo era sumir dali, todavia era como um lampejo as imagens de Consolação em si, por isso foi ficando abafado e com o coração apaixonado resolveu conferir. Ah! Aquela coisa né, sorte não é fruta que dá em pé, sorte ninguém sabe de quem é, é de quem tenta, de quem inventa, ou de quem nasceu para ter fé. Sebastião nasceu com todos os requisitos, sorte foi o que não lhe faltou, conferiu o sorteio e as seis dezenas acertou. Ficou ressabiado, ficou maravilhado, mudou até o andado, não se conteve extasiado e o choro deixou cair, de padeiro a milionário, Sebastião o visionário viu poder o seu projeto de vida concluir. O morro, já não poderia ser mais das Lamúrias, nem Sebastião, tampouco Consolação gostariam de lembrar das suas penúrias, o que fizeram naquele lugar foi deixar todo o passado num altar de esquecimentos, mesmo sabendo eles que muitas vezes lembrariam de alguns poucos bons momentos, porquê ali viveram desde que nasceram até os eventos que mudaram seus destinos, agora Sebastião rico e Consolação famosa, a história havia mudado seus figurinos e seus mundos diferentes ainda não haviam se cruzado, haveriam de se cruzar para novamente criar entre eles um novo trecho de prosa. O prêmio avultado foi o de Sebastião, muitas cifras, cem vezes milhão, diferente da moça Maria da Consolação, que ainda dava murros mesmo famosa, seus ganhos comparados ao do ex-padeiro, ainda não a deixaria em um mar de rosas, eram simplesmente pouco dinheiro, mas a estrela dela crescia com tanto talento, beleza e energia e, dentro de tão pouco tempo seu primeiro milhão ela faria.
ALIMENTANDO AS ESPERANÇAS
Sebastião investiu o seu dinheiro em muitos bons negócios, era cauteloso e tinha muito medo do ócio, jamais queria ficar pobre novamente, por isso trabalhava com a mente, se ocupando, estudando em como fazer seu dinheiro render, então estava sempre trabalhando, se inteirando de tudo o que estava passando com os seus empreendimentos, mas nem por isso, deixava de viver bons momentos. Passeava, conhecia lugares importantes, pessoas influentes, se mergulhando no mercado empresarial, se tornando um jovem com capacidades gestoras num atual mundo cada vez mais exigente, onde pessoas inteligentes se sobressaiam, tornando seus negócios, seus produtos e serviços cada vez mais atraentes. Mas, e o amor do seu passado remoto? Ele, dele não tinha nenhuma foto, mas estava lá preso em suas lembranças, estava apenas dando um tempo, pois eram certas as esperanças que tinha em reencontrar Maria da Consolação, agora o seu campo era imenso, poderia revirar uma nação para realizar em seu coração sua tão almejada pretensão. O tempo passou numa velocidade assustadora, e Maria da Consolação consolidou-se mesmo foi como cantora, seus hits logo chegaram ao topo das paradas nas rádios, com suas canções bastantes tocadas e consequentemente aos ouvidos de Sebastião que as ouviu, que quando ficou sabendo que eram músicas da Consolação procurou logo gravar os nomes e, em seu coração sentiu uma chama de amor crescendo e o mais rápido que pôde preparou-se para que os vídeoclipes dela estivesse vendo. Em sua sala, no conforto do seu lar, Sebastião com o coração batendo forte preparou o seu espírito para descansar, estava prestes a ver na tela de sua televisão, Maria da consolação a dançar e cantar. A primeira impressão fê-lo sentir-se turbado, em assistir e imaginar Consolação tão linda e sexy ao seu lado, ficou paralisado por entender que em quão maravilhosa mulher ela havia se transformado. Ao contrário de Sebastião, Consolação estava noutros mundos, a fama crescendo, seus fãs a adorando a fundo, colhendo seus frutos oriundos do seu trabalho árduo, não mais se lembrava do padeiro, e nem imaginava que seu assíduo admirador do morro havia se tornado um milionário.
ANTES O SIMPLES, DEPOIS O GLAMOUR
Vamos falar do Morro das Lamúrias: periferia das Gerais, daqueles lugares onde para muitos sem recursos, acaba se tornando o cais, barracos de favela, becos e vielas, esconderijos de marginais, mas que também abrigam gente boa que são a maioria, trabalhadores que lutam honestamente dia a dia, iguais eram Sebastião Padeiro e Maria, gente humilde que tem muitas esperanças, que guardam talentos natos e às vezes são descobertas por algumas lideranças. Tal qual Consolação a que Sebastião via no morro e não sabia o que ela fazia, alimentando suas românticas fantasias. A moça era parte de um projeto de cantoras e dançarinas, pois desde criança ela era diferenciada entre tantas meninas, nisso os pais logo viram um futuro promissor, se fez moça aplicada nos estudos e ao projeto deu valor, valeu tanto suas forças, sua aplicação, foco e objetivo, que ao tempo certo, portas se abriram para os seus atrativos. Meio parecido com o destino de Sebastião, o de Consolação antes do estrelato, teve muita preparação. Sorte imensa a dele, isto é fato, ela também teve sorte, todavia venceu com muitos talentos e predisposição. A essa altura dos acontecimentos em que Consolação já havia se envolvido, muito se tinha vivido, moça linda, artista famosa, recebia constantemente propostas indecentes, muito cobiçada, convites feitos por pessoas descompromissadas, mas seu coração era livre, ainda não estava ocupado por ninguém, tinha os pés no chão, sozinha se sentia bem, por ela, não era tempo de namorar com alguém. Mas logo uma surpresa a esperava, Sebastião com o seu coração já a buscava e em um de seus shows a assistia, e estar bem perto dela era tudo o que ele queria, mas como se aproximar dela, era tudo diferente, parecia algo mágico, estar por causa dela no meio daquela multidão de gente, não havia mais a liberdade do morro, naquela ocasião seria apenas vê-la de um camarote, todavia Sebastião não satisfeito, usando a sua influência procurou um suporte, um jeito que o levasse até ao camarim de Consolação. Em um pequeno intervalo, depois de anos, aquela morena se admiraria, trocaria olhares com o homem que humildemente, pães a ela vendia, mas não entenderia, em seu camarim, um ex-padeiro, empresário e aventureiro, com ar galanteador, todo entusiasmado, muito afim de conquistar o seu tão sonhado amor. Não se falaram, não havia tempo, apenas se flertaram. Consolação voltou para o palco, confusão em sua cabeça fez com que ela cantasse forte para que aquilo não a balançasse, mesmo assim um filme se passou, e ao fim, no íntimo ela tudo considerou.
O TÃO SONHADO ENCONTRO
Agora, curiosa, Conceição quis saber mais sobre Sebastião, por isto separou na agenda um espaço para um possível encontro e de antemão buscou uma solução para estar acessível, porquê dentro do seu coração havia uma interrogação: _mesmo que eu não sinta nada, não sei, tá tudo muito estranho, pode parecer conto de fadas, mas aquela cena no camarim me causou umas dúvidas, realmente estranho, ele não é mais padeiro, já deve conhecer o mundo inteiro. Podemos trocar algumas palavras, quem sabe tudo é verdadeiro! É chegado o dia do esperado encontro entre Maria da Consolação e Sebastião, o lugar escolhido é simples, eles não tiveram grande ambição, se encontraram em uma ilha, numa praia bem pacata onde se chegava de barco, no litoral nordestino, na hora bem exata, ali eles selariam seus destinos. Sebastião ao ver consolação ficou todo maravilhado, ela ao contrário, estava muito ansiosa e inspirando cuidado, mas em seu coração ao fitar Sebastião, algo se fez por mudado. _Oi riqueza para os meus olhos! Sebastião como sempre num tom descontraído. Consolação responde: _olá! Você esteve tanto tempo sumido, mas com o mesmo jeito atrevido. _É claro, e até pensei por uns tempos que eu havia te perdido. Não sei se lembrava mais de mim, mas em meu coração, de reencontrar você eu nunca havia me desistido. _Pois é, como são as coisas, aquelas suas brincadeiras lá no morro, para mim não faziam realmente nenhum sentido, mas como tudo mudou, eu aqui assim e você com tudo que tem conseguido. Se abraçaram, se sentiram por um instante, se assentaram de frente um para o outro e com olhares fixos fizeram um pouco de silêncio, deixando o barulho das ondas e o zunido do vento serem o bastante. Logo em seguida retomaram o diálogo, Sebastião explicou o que aconteceu depois que ela saiu do morro, como foi que ele ficou desesperado pedindo socorro, Consolação ficou sem entender, pois não levava a sério o que Sebastião a dizia naqueles tempos, não imaginava que eram tão sérios para ele todos aqueles momentos. Disse Sebastião desabafando: _eu chorei muito com a sua partida, você era tudo que estava faltando naquele morro, parecia que eu não tinha mais vida, sua ausência me abriu uma ferida, a minha sorte foi o prêmio que ganhei, pois assim tive que lidar com outro sonho que sonhei. Respondeu Consolação: _eu não tive escolha, era também um sonho meu sair daquele lugar, me perdoe se para você tudo era tão sério e se te fiz sofrer, se te fiz chorar, nunca pensei que realmente de mim fosse um dia gostar. _Tudo bem, agora me conte, perguntou Sebastião: como foram os seus dias, sua trajetória na carreira de cantora? Não deu para ser modelo né, me conte essa história promissora. _Ah! As coisas não são tão fáceis como alguns pensam, você entra com seus talentos que na realidade não são tudo, porque tem outros talentos com os mesmos intentos, na verdade além dos diferenciais que você tem, ainda deve contar com a sorte de encontrar quem te dê suporte, além do mais então vi que como modelo seria quase impossível sobressair, mas para não desistir preferi apostar como cantora e dançarina, porque também era no que eu mais destacava quando era menina. Agarrei minha chance como se vivesse um romance, dei tudo de mim e fui até o fim, fui reconhecida, ganhei muitos fãs e transformei a minha vida. Para você foi fácil imagino, fez uma aposta, conferiu o bilhete e a resposta, já era um milionário aurino. _Fácil sim até saber que fui sorteado, todavia muito complicado saber o que fazer e como lidar com tanto dinheiro que me foi dado.
Maria da Consolação no Morro das Lamúrias, pérola, moça que aos olhos encanta. Sebastião Padeiro não descansava o ano inteiro, contava de janeiro a janeiro com aquela aparição, Maria da Consolação descendo o beco para comprar-lhe pão. E ver a moça que alegrava o seu coração, sendo ela quem o entusiasmava a gritar causando ecos com satisfação passando por entre os becos, e quando a via, dizia: _seu nome já me é perfeito, “Consolação”, te dou meu coração, pode levá-lo no lugar do pão. _Mas que é isso Sebastião, me vê os pães que estou indo embora, onde já se viu isso, recebe aí e não demora. _Esquenta não meu cheiro, preciso de inspiração, corre de mim não, te quero tanto bem! _Toma modos, não vê que tá muito pra frente, não desvia a atenção, tem mais fregueses, mais gente, ou vai ficar aí abobado? Será que não te comprarei pães mais vezes? Sebastião em plena satisfação despedia a bela jovem sem cobrar-lhe os pães. Era um moço vistoso, sem grandes aspirações nos estudos, de família carente vivia da venda de pães e de pensamentos absurdos. Bem como muitos pobres, sonhava ou pensava em um dia ter fartura, esqueceu do morro a arquitetura e foi-se à casa lotérica, Sebastião Padeiro da zona periférica com o pouco dinheiro dos pães que vendeu o dia inteiro, fez uma fezinha na Mega Sena, cruzou os dedos e voltou sem sentir pena feliz para casa, esperando no dia seguinte, estar no morro naquela mesma labuta ver Maria da Consolação pensando: _ah! Se ela me desse asa, todavia pelo menos ela me escuta. Amanhece o dia e lá está ele novamente, alegre e sorridente entre as vielas do morro, sempre naquele ponto onde esperava o socorro, aquela que alimentava as suas esperanças, Maria da Consolação agitando as suas tranças, toda faceira em busca dos seus pães, mas desta vez, aquela morena não desceu com as suas danças e, Sebastião padeceu momentânea pasmaceira com as suas lembranças. Esperou, esperou e nada, gritou, gritou, mas ela não apareceu. Sentiu-se abatido, seu semblante se fez caído e o seu olhar entristeceu. Perguntou para dona Geruza: _a senhora sabe da Consolação? Dona Geruza que dava notícias de tudo naquela localização, respondeu-lhe: _meu padeiro Sebastião, não tá sabendo? A Consolação ficou famosa, todos do beco ontem à tarde desceram o morro correndo, você precisa ver que menina formosa! Será modelo, vai desfilar, cantar, alguma coisa assim, acho que nem mais irá voltar para aquele humilde barraquim. As palavras da dona Geruza foram um balde de água gelada, Sebastião perdeu as forças e sentou-se em uma escada, não acreditou no que ouviu e refletiu apaixonado: _disse-me que compraria pães mais vezes, que não era para eu ficar abobado. Agora sou apenas mais um coitado, nem vai se lembrar mais de mim, no meio daquela gente rica e famosa, quando a verei de novo no morro? Do início ao fim era apenas fantasia, mas nunca imaginaria que um dia ela partisse assim. Terminou a sua tarefa todo cabisbaixo, voltou para casa com a autoestima lá embaixo, ao deitar chorou com muita tristeza, Maria da Consolação para ele era certamente um coquetel de beleza. A partir dali os dias não foram mais os mesmos, o morro perdeu a graça e nos becos Sebastião não fazia mais praça, vendia diariamente o seu pão, mas na sua alegria em que andava, a questão tornou-se angústia em seu coração e da freguesia dela não disfarçava. Não respondia se o perguntavam o que havia acontecido, era como se um irmão querido dele houvesse morrido, ou um filho se lhe houvesse perdido, mas não se alegrava mais, vender os pães já não tinha mais sentido. Nesse lapso de tempo Maria da Consolação dava os primeiros passos na carreira, ser modelo, dançarina e cantora lhe rendia espaços numa vida corriqueira, não lhe sobrando tempo, se sobrecarregando sobremaneira, lembrar de Sebastião para ela seria apenas se fosse zoeira. Vai chegando o dia do sorteio da loteria, Sebastião já não está mais a fim do bilhete da aposta, entristecido pela ausência da Consolação no morro, fica buscando uma resposta e, em casa seus pais tentam desencorajá-lo: _meu filho não fique assim por causa daquela moça, sabemos que é difícil e que não podemos do sofrimento livrá-lo, mas tenha força, isso vai passar, d’outra garota irá gostar e da Consolação irá esquecer, filho estamos torcendo para vermos você se reerguer. _Mas mãe e meu pai, eu sempre sonhei com ela, para mim é a mais bela moça que conheço, sei que talvez não a mereço, contudo tudo tem o seu preço, esta ilusão pela qual padeço. Pensava em um dia ficar rico, ter muitos recursos para poder causar-lhe impressão, oferecê-la o mundo e não ser mais um vendedor de pães, conquistá-la, tê-la em meus braços e dar-lhe tudo em suas mãos.
SORTES MUDADAS
Mas aquela luz que se acende para um em milhões, Sebastião Padeiro também tinha brilho em suas imaginações, algo o incomodava para conferir as dezenas sorteadas, ficava relutante, mas o íntimo era insistente em suas escolhas desnorteadas. Ele parecia estar sem nenhum desejo, queria mesmo era sumir dali, todavia era como um lampejo as imagens de Consolação em si, por isso foi ficando abafado e com o coração apaixonado resolveu conferir. Ah! Aquela coisa né, sorte não é fruta que dá em pé, sorte ninguém sabe de quem é, é de quem tenta, de quem inventa, ou de quem nasceu para ter fé. Sebastião nasceu com todos os requisitos, sorte foi o que não lhe faltou, conferiu o sorteio e as seis dezenas acertou. Ficou ressabiado, ficou maravilhado, mudou até o andado, não se conteve extasiado e o choro deixou cair, de padeiro a milionário, Sebastião o visionário viu poder o seu projeto de vida concluir. O morro, já não poderia ser mais das Lamúrias, nem Sebastião, tampouco Consolação gostariam de lembrar das suas penúrias, o que fizeram naquele lugar foi deixar todo o passado num altar de esquecimentos, mesmo sabendo eles que muitas vezes lembrariam de alguns poucos bons momentos, porquê ali viveram desde que nasceram até os eventos que mudaram seus destinos, agora Sebastião rico e Consolação famosa, a história havia mudado seus figurinos e seus mundos diferentes ainda não haviam se cruzado, haveriam de se cruzar para novamente criar entre eles um novo trecho de prosa. O prêmio avultado foi o de Sebastião, muitas cifras, cem vezes milhão, diferente da moça Maria da Consolação, que ainda dava murros mesmo famosa, seus ganhos comparados ao do ex-padeiro, ainda não a deixaria em um mar de rosas, eram simplesmente pouco dinheiro, mas a estrela dela crescia com tanto talento, beleza e energia e, dentro de tão pouco tempo seu primeiro milhão ela faria.
ALIMENTANDO AS ESPERANÇAS
Sebastião investiu o seu dinheiro em muitos bons negócios, era cauteloso e tinha muito medo do ócio, jamais queria ficar pobre novamente, por isso trabalhava com a mente, se ocupando, estudando em como fazer seu dinheiro render, então estava sempre trabalhando, se inteirando de tudo o que estava passando com os seus empreendimentos, mas nem por isso, deixava de viver bons momentos. Passeava, conhecia lugares importantes, pessoas influentes, se mergulhando no mercado empresarial, se tornando um jovem com capacidades gestoras num atual mundo cada vez mais exigente, onde pessoas inteligentes se sobressaiam, tornando seus negócios, seus produtos e serviços cada vez mais atraentes. Mas, e o amor do seu passado remoto? Ele, dele não tinha nenhuma foto, mas estava lá preso em suas lembranças, estava apenas dando um tempo, pois eram certas as esperanças que tinha em reencontrar Maria da Consolação, agora o seu campo era imenso, poderia revirar uma nação para realizar em seu coração sua tão almejada pretensão. O tempo passou numa velocidade assustadora, e Maria da Consolação consolidou-se mesmo foi como cantora, seus hits logo chegaram ao topo das paradas nas rádios, com suas canções bastantes tocadas e consequentemente aos ouvidos de Sebastião que as ouviu, que quando ficou sabendo que eram músicas da Consolação procurou logo gravar os nomes e, em seu coração sentiu uma chama de amor crescendo e o mais rápido que pôde preparou-se para que os vídeoclipes dela estivesse vendo. Em sua sala, no conforto do seu lar, Sebastião com o coração batendo forte preparou o seu espírito para descansar, estava prestes a ver na tela de sua televisão, Maria da consolação a dançar e cantar. A primeira impressão fê-lo sentir-se turbado, em assistir e imaginar Consolação tão linda e sexy ao seu lado, ficou paralisado por entender que em quão maravilhosa mulher ela havia se transformado. Ao contrário de Sebastião, Consolação estava noutros mundos, a fama crescendo, seus fãs a adorando a fundo, colhendo seus frutos oriundos do seu trabalho árduo, não mais se lembrava do padeiro, e nem imaginava que seu assíduo admirador do morro havia se tornado um milionário.
ANTES O SIMPLES, DEPOIS O GLAMOUR
Vamos falar do Morro das Lamúrias: periferia das Gerais, daqueles lugares onde para muitos sem recursos, acaba se tornando o cais, barracos de favela, becos e vielas, esconderijos de marginais, mas que também abrigam gente boa que são a maioria, trabalhadores que lutam honestamente dia a dia, iguais eram Sebastião Padeiro e Maria, gente humilde que tem muitas esperanças, que guardam talentos natos e às vezes são descobertas por algumas lideranças. Tal qual Consolação a que Sebastião via no morro e não sabia o que ela fazia, alimentando suas românticas fantasias. A moça era parte de um projeto de cantoras e dançarinas, pois desde criança ela era diferenciada entre tantas meninas, nisso os pais logo viram um futuro promissor, se fez moça aplicada nos estudos e ao projeto deu valor, valeu tanto suas forças, sua aplicação, foco e objetivo, que ao tempo certo, portas se abriram para os seus atrativos. Meio parecido com o destino de Sebastião, o de Consolação antes do estrelato, teve muita preparação. Sorte imensa a dele, isto é fato, ela também teve sorte, todavia venceu com muitos talentos e predisposição. A essa altura dos acontecimentos em que Consolação já havia se envolvido, muito se tinha vivido, moça linda, artista famosa, recebia constantemente propostas indecentes, muito cobiçada, convites feitos por pessoas descompromissadas, mas seu coração era livre, ainda não estava ocupado por ninguém, tinha os pés no chão, sozinha se sentia bem, por ela, não era tempo de namorar com alguém. Mas logo uma surpresa a esperava, Sebastião com o seu coração já a buscava e em um de seus shows a assistia, e estar bem perto dela era tudo o que ele queria, mas como se aproximar dela, era tudo diferente, parecia algo mágico, estar por causa dela no meio daquela multidão de gente, não havia mais a liberdade do morro, naquela ocasião seria apenas vê-la de um camarote, todavia Sebastião não satisfeito, usando a sua influência procurou um suporte, um jeito que o levasse até ao camarim de Consolação. Em um pequeno intervalo, depois de anos, aquela morena se admiraria, trocaria olhares com o homem que humildemente, pães a ela vendia, mas não entenderia, em seu camarim, um ex-padeiro, empresário e aventureiro, com ar galanteador, todo entusiasmado, muito afim de conquistar o seu tão sonhado amor. Não se falaram, não havia tempo, apenas se flertaram. Consolação voltou para o palco, confusão em sua cabeça fez com que ela cantasse forte para que aquilo não a balançasse, mesmo assim um filme se passou, e ao fim, no íntimo ela tudo considerou.
O TÃO SONHADO ENCONTRO
Agora, curiosa, Conceição quis saber mais sobre Sebastião, por isto separou na agenda um espaço para um possível encontro e de antemão buscou uma solução para estar acessível, porquê dentro do seu coração havia uma interrogação: _mesmo que eu não sinta nada, não sei, tá tudo muito estranho, pode parecer conto de fadas, mas aquela cena no camarim me causou umas dúvidas, realmente estranho, ele não é mais padeiro, já deve conhecer o mundo inteiro. Podemos trocar algumas palavras, quem sabe tudo é verdadeiro! É chegado o dia do esperado encontro entre Maria da Consolação e Sebastião, o lugar escolhido é simples, eles não tiveram grande ambição, se encontraram em uma ilha, numa praia bem pacata onde se chegava de barco, no litoral nordestino, na hora bem exata, ali eles selariam seus destinos. Sebastião ao ver consolação ficou todo maravilhado, ela ao contrário, estava muito ansiosa e inspirando cuidado, mas em seu coração ao fitar Sebastião, algo se fez por mudado. _Oi riqueza para os meus olhos! Sebastião como sempre num tom descontraído. Consolação responde: _olá! Você esteve tanto tempo sumido, mas com o mesmo jeito atrevido. _É claro, e até pensei por uns tempos que eu havia te perdido. Não sei se lembrava mais de mim, mas em meu coração, de reencontrar você eu nunca havia me desistido. _Pois é, como são as coisas, aquelas suas brincadeiras lá no morro, para mim não faziam realmente nenhum sentido, mas como tudo mudou, eu aqui assim e você com tudo que tem conseguido. Se abraçaram, se sentiram por um instante, se assentaram de frente um para o outro e com olhares fixos fizeram um pouco de silêncio, deixando o barulho das ondas e o zunido do vento serem o bastante. Logo em seguida retomaram o diálogo, Sebastião explicou o que aconteceu depois que ela saiu do morro, como foi que ele ficou desesperado pedindo socorro, Consolação ficou sem entender, pois não levava a sério o que Sebastião a dizia naqueles tempos, não imaginava que eram tão sérios para ele todos aqueles momentos. Disse Sebastião desabafando: _eu chorei muito com a sua partida, você era tudo que estava faltando naquele morro, parecia que eu não tinha mais vida, sua ausência me abriu uma ferida, a minha sorte foi o prêmio que ganhei, pois assim tive que lidar com outro sonho que sonhei. Respondeu Consolação: _eu não tive escolha, era também um sonho meu sair daquele lugar, me perdoe se para você tudo era tão sério e se te fiz sofrer, se te fiz chorar, nunca pensei que realmente de mim fosse um dia gostar. _Tudo bem, agora me conte, perguntou Sebastião: como foram os seus dias, sua trajetória na carreira de cantora? Não deu para ser modelo né, me conte essa história promissora. _Ah! As coisas não são tão fáceis como alguns pensam, você entra com seus talentos que na realidade não são tudo, porque tem outros talentos com os mesmos intentos, na verdade além dos diferenciais que você tem, ainda deve contar com a sorte de encontrar quem te dê suporte, além do mais então vi que como modelo seria quase impossível sobressair, mas para não desistir preferi apostar como cantora e dançarina, porque também era no que eu mais destacava quando era menina. Agarrei minha chance como se vivesse um romance, dei tudo de mim e fui até o fim, fui reconhecida, ganhei muitos fãs e transformei a minha vida. Para você foi fácil imagino, fez uma aposta, conferiu o bilhete e a resposta, já era um milionário aurino. _Fácil sim até saber que fui sorteado, todavia muito complicado saber o que fazer e como lidar com tanto dinheiro que me foi dado.
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PENSO QUE
A letra é robusta e incontestável, mas o verdadeiro dom gratuito da sabedoria somente se alcança com humildade.
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LEVA-ME EM SUAS ÁGUAS
Há um lugar em que eu possa sentir o amor que se esconde dentro de você, é lá que te espero pra valer eu e você nesta vida, sem saber o porquê de existir sua despedida, sem entender quão prematuro é o meu viver, por isto vim buscar humildemente uma forma para contigo estar, e alcançar condições para que possa me iluminar. Eu quis te ter noturno até ao alvorecer em minha cama, eu quis você sorrindo, chama linda que me ama, até me perder na senda finda, calma e plena, que me leva aos confins da mente insana, e me mergulha no infinito do prazer que me abranda, transportando o medo encrudescido da paixão para o místico fogo preso em minhas mãos, derramado em teu corpo fresco até ao chão da claridade em sua boca, onde se esconde a face quente, úmida e louca, desmentindo toda cogitação de fraqueza, mas estrelas surgem em milhões caindo vivas no teu céu, e explodem raios límpidos de grandeza. Eu quero ter certeza que é real, que eu possa me envolver em alto astral, mas sem ser banal. É para lá que eu quero ir, naquele lugar onde um vazio me deixou, não eram choros os rios que as águas queriam partir lágrimas fluindo em seu olhar, mas eu era uma nascente tão carente e confiante para em ti me desaguar.
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UM DIA TUDO NÃO SERÁ MAIS
O sangue, a vida que se parte adida
À terra onde se morre e é despedido
E se é enterrado e tem a alma despida
De tudo que se conquistou entendido.
Se homem, esposa, se mulher, marido
Filhos ou bens materiais adquiridos
E o tempo passa e não se dá por perdido
Se são naturais ou trágicos acontecidos.
Se vai à morte nossos entes queridos
Não há um dia marcado ou preferido
Também perecem os desconhecidos
Na maldade ou bem que se têm escolhido.
Na verdade, é a falibilidade humana
Daqueles que em si mesmos creem
A culpada, que ao coração engana
Conjecturando os projetos que preveem.
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LEVE TAMBÉM A SUA CRUZ
Amei de forma a me satisfazer, a vida, amei a paz, amei com o coração o puro viver e me decepcionei com pessoas despertas que não criam no futuro, isto me foi um furo. A minha razão levou-me a dar socos em superfícies sólidas, a suportar muitos desaforos, pessoas sórdidas. Amei o imperfeito, cri naquilo que não havia mais jeito, amei por respeito. Cansei de sonhar um verdadeiro amor a brilhar, nisto amei o sol, amei a luz e deixei o mar a me esperar por algo que me seduz, o sacrifício na cruz. Amei o pequeno e também amei o grande, e ainda carrego a minha cruz neste solo que se expande. Me amou JESUS, sem preconceito, me edificou como casa numa rocha de conceito. É Seu o mar, a luz do sol, é Seu amor maior que tudo, em Seu farol a me iluminar não mais me perco e nem me iludo. Me ama JESUS, tomou sobre Si as minhas angústias e dores e mandou-me levar a minha cruz, e por mim intercede, Ele tem todo o poder e Seu maior prazer é amar os pecadores e os atender, se com os corações contritos a Ele se apresentarem e derramarem aos Seus pés certamente irão vencer as lutas contra o pecado e entrarão em Seu reinado e nunca mais irão morrer. Amei a vida, amei a paz, amei a luz, amei o sol, o mar a me esperar, levo a minha cruz e o amor de JESUS.
Ipatinga, 31/08/2019
Erimar Santos.
Ipatinga, 31/08/2019
Erimar Santos.
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NUM CORREDOR DE NOSOCÔMIO
Não vejo sustentação nesta vida
Em nós fracos e tão fúteis sofredores
Não podemos encontrar outra saída
Inúteis nos corredores onde há dores.
Se nos alcançam as enfermidades
Silenciosas, invisíveis ou à mostra
Não importam as nossas qualidades
Sem forças o nosso corpo se prostra.
Belas peles, lindos cabelos e rostos
Corpos maravilhosos, que alvoroço
Nada valem se ao mal estão expostos
E todos estamos nesse fundo poço.
Nada se pode se Deus não for conosco
Porque a Medicina se diz inexorável
Que a morte não tarda em um dia fosco
Se a doença é dita incurável, intratável.
Ervas que se murcham e se secam
Somos nós neste mundo enganador
Se plantados a ribeiros que nos regam
Tão longevos nos tornamos sem temor.
Em nós fracos e tão fúteis sofredores
Não podemos encontrar outra saída
Inúteis nos corredores onde há dores.
Se nos alcançam as enfermidades
Silenciosas, invisíveis ou à mostra
Não importam as nossas qualidades
Sem forças o nosso corpo se prostra.
Belas peles, lindos cabelos e rostos
Corpos maravilhosos, que alvoroço
Nada valem se ao mal estão expostos
E todos estamos nesse fundo poço.
Nada se pode se Deus não for conosco
Porque a Medicina se diz inexorável
Que a morte não tarda em um dia fosco
Se a doença é dita incurável, intratável.
Ervas que se murcham e se secam
Somos nós neste mundo enganador
Se plantados a ribeiros que nos regam
Tão longevos nos tornamos sem temor.
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Comentários (3)
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parabéns
2024-11-11
amei parabéns
Bárbara Pinardi
2022-09-20
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
lagazaz
2020-09-12
Belo poema
1971
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