Lista de Poemas

233 - REPETIÇÕES

O amor nos lábios é mais sábio e vivo.
Repetições que amor nos acarrete
Pecados não serão que amor comete.
E de sentir amor jamais me esquivo.

Eu de dizer-te amor jamais me privo.
Seis vezes digo amor que se repete.
E agora amor enfim te disse sete.
O amor só pode ser repetitivo.

Sou eu sim por amor quem já te escreve
Do amor que nunca te seria dito
Só uma vez e, amor, de modo breve.

Portanto, com amor a ti repito
A frase, meu amor, que ecoa leve:
"Amor, amor, amor..." ao infinito.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 19/01/2019)
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SONNET 093

Oh, Sheila's sheen of sheer silk sheets outshone
Sunshines with shock that shivered, shuddered, shook
The shale mounts showed the shoulders she'll cry on.
At shingly shores she'll shoot her shining look.
To ships that sheered off shoals of shame she'll shout.
Her shimmer shifts their shapes: if shards were she
She'd shatter shackles she'd worn, shambling out
And share the sharp sword, sheath and shield with me.
On shells where she's lived shellac she can shed.
From showers shelter she'll take, shorn like sheep
And shun her shuttered shack and shabby bed.
My sugar shuts her shy eyes shamming sleep.
I'm sure that shortly should stars shine like Sheila
No show of shade and shadows shall conceal her!

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 12/10/2003.)
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231 - EU INCOMUM

Que eu, incomum, sem medo algum da morte,
Lembre o meu dom: ver lado bom da vida;
Mostre o meu bem: amar a quem me agrida;
Morra amanhã: com mente sã e forte;

Traga feliz a cicatriz do corte;
Pleno de luz: em peitos nus incida;
Caia na paz: porque não faz ferida;
Sangre talvez: que ser cortês me importe.

Cinzas e pó: sou sempre só um homem.
Lágrimas há na lida má, tão fria.
Sombras que vi, que são daqui, não somem.

Mas apesar de porto e mar, compensam
Noites que houver, dum mal qualquer, e o dia
Nasça melhor ao meu redor: é benção.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 17/01/2019)
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SONNET 110

All creatures crow in cribs and croon and croak.
Joints crackled, crotches creaked, skin crinkled, creased.
When crass hope crumpled, cranks' bones crumbled, broke.
Decreased, teeth crushed and crunched a crust at least.
Like crocks and crystals cronies crash and crack,
Like crickets, crest no crag, walk crabwise, crane.
A crabbed sick crone on crutches cricks her back
By critics crippled, cramped by chronic pain.
By cruel time creaked off crude life's crumbs she craves.
Death crops up crazed with crimes: folks cringe and crouch,
From cradles cross a crimson creek to graves,
Wear crapes, not crowns, and cry on Christ's warm couch.
Decrepit crowds' age crammed with craft just crawls
Across the craters, creeps up crannied walls.

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 09/12/2004.)
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SONNET 109

She's better than all women while not mine.
Her thoughts are purer while invoiced, alone.
Her words are wiser while I'm drunk on wine.
Her virtues far more precious while unknown.
Her skin feels softer while untouched behind.
Her lips are sweeter while not tasted yet.
Her eyes are brighter while my love is blind.
Her beauty greater while skin-deep it's set.
I shun her not because, sent from above
She was not, (far more pleasant), but because,
While I love her, she's not the one I love
And her love is not love and never was.
So I regard her love both won and lost
Instead of seeking for it to my cost.

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 07/12/2004.)
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226 - INTÉRPRETES

Há gente como intérprete do escrito,
Da fala e da intenção, que averigua
Minúcias de qualquer palavra crua
Em toda e cada frase que recito.

Quando interpreta tudo o que foi dito
Crê que será prerrogativa sua
Julgar a mente para que atribua
Pior motivação ao que repito.

E, às interpretações tal gente presa
Não faz perguntas, nunca quer respostas
E nem me dá direito à vã defesa.

Assim, jamais me indagará: "Tu gostas
De que a reputação não saia ilesa
Do julgamento feito pelas costas?"

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 07/01/2019)
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228 - SEMPRE

Nem sempre te amo como tu mereces
Ser sempre amada e sempre da maneira
Mais terna e sempre para a vida inteira
E para que tu sempre me quisesses.

Nem sempre te amo para que comeces
A te sentires sempre a companheira
Querida sempre e para que te queira
Como te peço sempre a Deus nas preces.

Nem sempre te amo tanto, reconheço.
Sempre te digo o que te disse acima.
Sempre o direi com gratidão e apreço.

Mas sempre o meu amor se legitima.
Nem sempre há um igual nem um avesso:
Como a palavra sempre, não tem rima.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 10/01/2019.)
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227 - AGRESSORA

Vem, agressora, bate nos poetas.
Que as suas almas sejam agredidas.
Sabemos bem que, mesmo que os agridas
Com ferro e fogo, não os interpretas.

As agressões que tu lhes acarretas
Não lhes darão lesões, vergões, feridas.
Tão agressiva nunca os intimidas
Com agonias nas certeiras setas.

Vida agressora, com navalha fria,
Não vês o sangue deles quando os feres:
Não sangram, mas segregam poesia.

Depois de tantos versos, se quiseres
Que morram, algo sempre os mataria:
O amor vivificante das mulheres.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 07/01/2019)
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225 - DENTE NA ENGRENAGEM

Sou um pequeno dente na engrenagem
Das relações humanas; sou a rosca
Que com palavra espanas, Língua tosca!
Danificou-me a mente o som selvagem.

É mecanicamente que reagem
As emoções que danas; é na mosca
Que acertas peças planas, Vista fosca,
Do mecanismo quente da linguagem.

E tudo o que for dito me atarraxa:
Motor sou de explosão aonde for.
Produz faísca o grito que me racha.

Com paz o que se diz me vai compor:
Para evitar o atrito não há graxa
Se a máquina motriz não for o amor.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Soneto escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 01/01/2019.)
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PESSOAS

As pessoas que me desculpem pela minha sinceridade:
Estou cansado de pessoas.
Estou exaurido por gente.
Não é que eu não as ame.
Não é que eu não precise delas.
Prefiro o ser humano.

Mas sinto o seu peso sobre os ombros.
Por que hostilizam tanto um ombro amigo?
Pessoas desestruturadas são escombros da infeliz cidade;
Cada pessoa pesa mais de uma tonelada sobre o meu peito.
Sinto-me esmagado pelas suas exigências, soterrado sob as suas cobranças, esmigalhado pelas suas censuras.

Pessoas são fardos pesados demais para eu, um homem imperfeito, carregar:
Pessoas tem expectativas elevadas para eu alcançar.
Pessoas tem necessidades enormes para eu atender.
Pessoas ofendem-se tanto comigo e não me podem perdoar.
Pessoas causam-me tanta mágoa e obrigam-me a lhes dar perdão prontamente.

Ao lidar com pessoas é que se desgastam o corpo e a mente:
Ao cuidar de pessoas é que me descuido de mim mesmo.
Pessoas não se darão por satisfeitas até me transformarem no que são: ruínas tétricas do que foram.

Pessoas são mais imprevisíveis que a ocorrência de terremotos e tsunamis:
Nunca se pode saber porque, quando e como haverá o seu próximo tremor;
Ai de quem estiver perto delas!
Uma onda turva de emoções negativas e lágrimas de crocodilo arrastará quem estiver pela frente;
Quando desabam sob o carga das suas consciências pesadas, soterram os que lhes prestam socorro;
Quando expressam coisas sem nexo,
Quando nunca ouvem a voz da razão e o que dizem não faz sentido,
Quando expõem queixas sem fundamento,
Quando fogem da lógica,
Quando disparam acusações como uma metralhadora automática,
Tornam-se montes de entulho a serem removidos com uma colher de chá.

Pessoas esperam que eu me anule como pessoa,
Que eu não me expresse,
Que eu não pense.
Pessoas fazem-me pisar em ovos enquanto me pisoteiam com olhares de desaprovação.

Pessoas reivindicam os seus direitos:
Devem ser compreendidas a contento quando deixam a desejar;
Quando falham, devem de imediato ser absolvidas;
Quando estão indispostas, devem poder isentar-se da responsabilidade;
Quando cometem erros, devem receber total clemência e encorajamento;
Quando estão carrancudas, devem ganhar sorrisos largos;
Quando tem enxaqueca, todo o mundo deve fazer silêncio e andar nas pontas dos pés;
Quando se comportam de maneira infantil, devem receber colo e mimos abundantes;

No entanto, pessoas não me querem dar qualquer elogio mas exigem que não desperceba nenhuma virtude sua.
Pessoas transformaram-me em um pequeno dente na engrenagem das relações humanas.

Pessoas julgam-me, condenam-me e sentenciam-me à execução sumária do desprezo - mas tudo isso pelas costas.
Se ao menos me acusassem na própria face e me interrogassem sobre as minhas pretensas transgressões.
Mas não me dão direito à vã defesa;
Não me dão direito de resposta;
Não me concedem o benefício da dúvida
E ainda afirmam que recai sobre mim o ônus da prova.

Ó se tão somente as pessoas me tratassem como pessoa!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 24/12/2018)
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