Lista de Poemas

Panorama

A visão sobre o mundo
Não tem nenhum preço
Mesmo que a conte por inteiro 
Não se entenderá um terço

Ainda assim, deixe eu partilhar meu segredo
Sobre as coisas que vejo
Em troca, diga-me se vejo direito
Que o mundo não é assim, tão preto

Em troca, dê-me um sorriso
Mesmo que não seja verdadeiro . . . 
E limpe minhas mágoas, por favor
Minhas mão se ocupam agarrando-se ao seu calor
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Sáfico

Por palavras que eu só deixei em falta 
Engasgo dessas falas dentro da alma  
Pelos mares e por todo o ar que salva 
Os seres, deuses, oh, livrai-me agora  
 
Do injustiçado, desse mau agouro  
Voai como fosse o vento poente de ouro  
De uma manhã, para que o poema tenha  
De um tecelã o seu afã na lírica  
 
Caso pudessem escutar falar 
As puras nuvens iam cantar o amar  
Para chorar, para pintar, sonhar  
 
Desse amontoado de morros eu peço  
Para ouvir a emoção do peito 
No mimo cálido que diz te amo  
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Uma vela apagada

Anéis, anéis, coroam como aúreos véus
De aspecto de mel no sol qu'mira os céus

Findando, sondando, fomentei o anseio 
De embrenhar-me nas aureúlas o seio

Clemente coroa em teu sorriso um beijo
Crê que a vida não fora por direito?
Céu q'sibila nele eu engastei-o, seu lume
Pregaram-no estrela, mas seu o perfume?
Raiando pelo recinto, circundando

Gotas de ouro marejam pelo olhar
Pela audácia d'terem ido vagar
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Céu Emotivo

O choro do céu é firme  
E de certo que dele se acompanhe  
Um pensamento sublime  
Como o marejo de sangue  
Que toma conta do horizonte  

Na visão na frente   
Do homem intransigente  
Seu sonho qual se mantém obstante  
E, como é. Ah, como é distante 
A realidade do seu alcance 
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A Manhã de Meio Mundo

Pela noite, as luzes iluminam a cidade  
Pontos brilhantes de uma pura castidade  
Quanto se deve dar para poder brilhar?  
Como uma que fica sob um pequeno lugar 
Onde um diminuto mundo pode estar  
 
Borrões, flashes, a luz começa a pesar 
Traz tudo de bonito, tudo que nem chego a enxergar  
Na estampa desses reflexos vejo-me falhar 
Como em amostra, exsurge da escuridão 
Nos filetes de sua cor, em amarelo como a constelação,
O fim do mundo, e em rubro, como o meu coração 
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Grãos do Horizonte

Dava-te mil sois e uma estrela 
Pois pouco importa se são da mesma natureza
Se algumas tem vários planetas 
Ou das suas várias grandezas
Quando contra o brilho, a beleza e a altiveza
Tu acabas em primeira
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Vá ao meu redor, mundo

Vejo, com grande exulto, o passar dum'vulto 
Em um meu, grande, tão sozinho mundo
Meu horizonte . . . na orla que cobre
No sozinho mundo, o fim não descobre 

Vejo, com penúria, a fúria do escuro
Que se esconde nas plantas e em diturno
Em meu, tão, afinco mundo, no fundo 
É feito da queda d'mais outro assunto

Eu quero viver no zero e se espero
É porque em meus desejos eu desprezo
Por toques sujos o olhar do defunto

Auscutar as batidas do meu fundo
Em sincrônia com este lugar sujo
O meu mundo infundo, não só meu feito 
    
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Calor da Juventude

Olhe sobre quem sou
Através de minh'alma
Fite com seus olhos sem vida
E o semblante que de um modo tenro corou

Além das pérolas no sorriso
Que se mostram rindo enquanto nada foi dito 
Nada mais – . . . – Ela respira, e eu, suspiro 
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Vida de Merda

Sorri o caminho 
Só indo e vindo 
Transita o peregrino 

Sorrindo o homem veio
Para surpresa era austero
O jeito do medo

Riu com um semblante vazio
Vi-o como vil. Viu meu o rosto sério
E clamou: — Que por um dia
Possa ter a sua própria vida.

Saiu, aí caminhando
E um rogo por mim e logo 
Para nós, foi rezando 

Sorri o caminho 
Só indo e vindo 
Transita o peregrino
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