Escritas

Lista de Poemas

e tanta saudade de ti!

e meu choro
chuva de verão
encostar os meus lábios
ao mar da tua face

é doce
é salgado
saber a ti

não precisas dizer nada

deixa amor
que te percorra
que te arrepie a vontade
que te deseje
enquanto que pelo teu corpo
deambule

e eu ficarei
ah, meu amor
e eu ficarei
para ser
contigo
infinita
um instante

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Dança das Nuvens

Na ponta dos meus dedos
consigo a maior das sensações
arrebatar desta galeria de vidas
a inexplicável vontade
de ser o fim de algo
e acomodar entre um pôr de lua
e a orla duma tempestade
a semente do futuro.

Intensa sensação esta!

Na ponta dos meus dedos
sou capaz de imaginar
os reflexos de luz
que conseguirei depois lapidar
dum pestanejar
iluminando as noites
com pirilampos.

Na ponta dos meus dedos
esvoaço sobre o mundo
tomando forma de miragem
num balanço
que lembra as árvores frondosas
onde me abrigo.

Na ponta dos meus dedos
aconchego-me num chão
que pinto dum azul tão forte
que me estonteia
me faz sorrir
a ponto de me banhar
num encanto delicioso
por tão mágico.

Omito que poderá chover mais tarde
pois que me perco nesta serenidade
e danço sobre as nuvens que então desenho
ao som da melodia que flui
até cair num bem-estar mais do que granjeado
na ponta dos meus dedos agora sossegados.
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De mão dada

pingam carícias
no areal da pele

entre as mãos
pérolas dentro duma concha

um beijo
uma onda
um abraço
um mar
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Sentados num muro

Interrompo o desfiar do corpo
pelos chãos verdes,
testemunhos que são
de passeios leves.

Neles se estendem agora
folhas brancas,
nuvens,
colocadas ali
com todo o cuidado
por deuses,
nos seus interlúdios merecidos,
prenhes da resposta
à pergunta que um poeta faz,
tão mais absorto está que as divindades.

Deleito-me ante aquelas sombras,
a tua,
a deles...

Olho-as e já as vejo
tornadas corpos cintilantes
pingando do céu
como que esvoaçando pelas noites cerúleas.

[Pareço divagar,
parece que nada do que digo faz sentido,
mas espera...
Apodero-me do que pensas,
procuro responder,
imaginando que são para mim
as perguntas,
todas as que não fazes, que adivinho.
Espera então,
porque já sou eu que me questiono
que descaradamente inverto os papéis.

Deixa-me continuar este devaneio,
retomar o fio
por em ordem o que penso,
o que te quero dizer,
fazer sentir.]

Vão ser lavradas,
sulcadas por pensamentos,
aradas,
as nuvens.
Vão alagar-se de suspiros
que choverão dos teus dedos
entrelaçados ludicamente nos meus...
Tornar-se-ão regadios que nos encherão,
tornando-nos campo exuberante.

Mas mesmo assim,
continuarão brancas,
enquanto,
incólumes,
nascerão de nós dias róseos,
nascerão de nós mais histórias,
onde correremos descalços.
Silenciar-se-ão por fim,
aquietar-se-ão,
aconchegar-se-ão
até adormecerem,
deixando-se apenas deslizar
pela pergunta,
margem de um rio que não cruzamos
com medo de nos afastarmos
do quanto nos queremos.

Se olharmos bem,
estarão dois vultos que se passeiam
na outra margem.

Se olharmos bem,
cruzaram o rio,
o receio ficou ancorado do lado de lá.

Se olharmos bem,
conseguiremos, até, vislumbrar uma cidade,
espécie de lugar onde ficaram as espadas...

E já é um jardim aquela margem,
um canteiro de cravos e de rosas,
e,
mais ao fundo,
um muro de pedra...

[Alonguei-me, perdoa,
mas valeu a pena.]

Se olhares bem,
pousada no muro
está a resposta,
está um lugar onde já estou sentada,
onde também já estás
e um outro lugar bem no nosso meio,
um espaço que espera, ansioso,
pela frase guardada.

Enchamos então o silêncio,
Meu Amor,
porque é nosso, por direito, o momento.

Vamos ver como um canteiro
pleno de cravos e rosas
vai ficar então completo
com o que nos diremos:
Quem somos na nossa memória?
Duas margens que se encontraram
num rio.

Afinal,
foi sempre parte integrante de nós.
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Borboleta

Leve o sentir da asa
por dentro...
onde me aconteces.

Antecipo tudo o que vou sentir
cada vez que te penso,
como se fizesse um rol
do que devo guardar,
por me ser tão raro
o horizonte do teu rosto,
o reflexo no meu.

Apetece-me entrar pela janela do teu corpo.
Apetece-me parar em cada um dos teus lugares.
Apetece-me até que te demores
para que me apeteça ainda mais dizer-te
como me apetece tanto
a pressa que tenho de ti.
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Comentários (2)

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joaoeuzebio
2020-08-02

Desejo te de te ter agora neste poemas belissimos viajei feito um passaro neste poema lindo Parabéns um abraço

2017-06-16

Cristina, me deparei com seus poemas e fiquei em estado de extâse, você tem muita sensibilidade e talento. Pretento ler todos os seus poemas e poesias, desgustando-as pouco a pouco. Parabéns