Escritas

Lista de Poemas

Poesia Dilatada

No meu lado esquerdo,
há um problema profundo
que me rouba o mundo
e me tira o sossego.

Se eu conto o segredo
ninguém acredita
como pausa e palpita
aqui dentro do peito.

Me aperta de um jeito
que me falta o ar,
e se falo a respeito
me faz marejar.

É uma bola de carne
que cresce constante,
não para um instante
até me matar.


Clareanna V. Santana
@Clareamente
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Nem tanta poesia

Tem dias
que passa um tanto,
outros não é tudo isso.
Alguns dias têm horas.
Outros, infinito.

Alguns dias passo casulo,
outros me canso.
Há cento e vinte dias eu vivia
Hoje nem tanto.

Clareanna V. Santana
Clareamente
👁️ 568

Versos em Consolo

Trazia os dedos
em consolo,
usando os versos
como gatilho.
Ardia a chama
acesa ao forno
com o compasso
de um andarilho.
Foi respirando
suavemente,
acelerando
a cada trilho.
O trem passando
ardentemente
e sufocando
em espartilho.
Foi dedilhando
literalmente
até chegar
no empecilho...
E ofegou
profundamente
para gozar
no trocadilho.


Clareanna V. Santana
@Clareamente
👁️ 600

Quando Poesia é Diário

Ao abrir os olhos
observa o sol que repousa sobre ela.
Pensa em dar o primeiro passo
que rompe a linha da cama
pra divagar em seu mundo
que inicia na sala
e termina na janela.

Clareanna V. Santana
@clareamente
👁️ 538

Questão

Se me descrevo
inconsequente,
não há poema
que sustente
minha questão
mais recorrente:

Há quanto tempo,
impaciente,
tive os pés frios
e a buceta quente?

Clareanna V. Santana
@Clareamente
👁️ 558

Viva vulva

Vulva
lucidez
do dia amargo.

Viva
a fluidez
do teu afago.


Clareanna V. Santana
@Clareamente
👁️ 754

Cheia de Faltas

Eu sempre começo o dia
abrindo os olhos.
Queria amanhecer abrindo os braços de um abraço, 
pra variar de vez em quando.
Talvez preenchesse esse vazio que chamam de existencial.

Enquanto o sol adentra pela janela
fico observando como ele esquenta as coisas, 
só não os meus pés.
Meus pés andam frios. Penso até que é solidão,
ou tristeza talvez.

O fato é que a solidão deve ser mãe da tristeza.
Ela é grande e sua filha é pequena e
por isso só nos alcança os pés.

Tenho pra mim que esse vazio é inexistencial, 
pois tem faltas na minha vida.
Algo inexiste em meus dias
e por isso esse frio não passa.
Já levanto sentindo falta de alguma coisa
e vou dormir acumulada de tanta falta.

Parece ilógico, mas estou cheia de sentir faltas.
Meus pés sentem falta,
meus olhos sentem falta,
meu sorriso sente falta.
Começo a pensar que preciso parar de sentir,
como alguns por aí…

Há muito o que fazer na sala, 
sentir às vezes me toma tempo.
Mas como fazer o sentir dar um tempo?
Já tentei contar as horas para ganhá-lo e
só perdi tempo mesmo. 

Não adianta contar…
o tempo não pára, eu não saio do lugar
e não paro de sentir. 
O que é a natureza, não é? Uns sentindo falta de 
tanto e outros com tanto sem dividir.

Clareanna V. Santana
Clareamente
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Caixa Preta

Minha caixa preta registra
o fluxo interno suspeito.
Um descompasso cardíaco
ativa o choque no peito.

Enquanto a bomba se encaixa
apertada à caixa torácica
Vislumbro o bote certeiro
da outra bomba metálica.

Clareanna V. Santana
@Clareamente
👁️ 543

A Morte é nome próprio

Sabe quando a noite dura mais que eternamente?
Tem sido assim. Os dias não passam e as noites menos ainda.
É um tempo esquisito... infinito.
Há exatos seis meses que meu tempo passa devagar.
Enquanto há sol me faço e desfaço; Invento e reinvento. Sou verso e avesso.
Busco de tudo um pouco para preencher o meu eterno dia.
Mas a noite… ah! A noite é teste. É limbo.
Porque no dia tudo é poesia. À noite, palavras.
É na noite que as coisas sombrias saem pra passear.
O peito palpita, os pensamentos exclamam… e as palavras, amigos?! As palavras saem das coisas, ganham vida e se transformam em todas as dúvidas. Elas se reúnem com os medos e nos atropelam.
Então você não dorme e o tempo paralisa.
Você se lembra daquilo que mais te inquieta: a morte.
Tenho reflito muito sobre a morte antes dormir.
Penso que é preciso saber mais da morte. A morte e o sono andam juntos.
Vivemos e convivemos com a morte diariamente. Seja na rua ou na tv. E apesar disso ninguém trata a morte como algo próximo.
A morte é sempre do outro, por mais próxima que esteja.
Andam relativizando a morte. Deram-lhe tantas faces que é difícil até reconhecê-la.
Ela é vingativa, mensageira… ora um caminho, ora é matemática... biologia, mas nunca é nossa.
A morte não é própria. Falam da morte como coisa do outro.
E se não é minha, a morte não está próxima. Ela é uma mera possibilidade.
A morte do outro não nos afeta. O outro é sempre o outro.
De mim, resta apenas viver. O risco é uma forma de vida.
Adapte-se! E a morte? Ah! a morte é estatística.

Clareanna V. Santana
Clareamente
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A Água

Escondia-se
no silêncio dela,
aquela gala rala,
numa noite turva...

E se perguntava:
Será que foi baba?
Ou será que foi chuva?

Clareanna V. Santana
Clareamente
👁️ 577

Comentários (2)

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clareanna
2020-09-12

Obrigada Wilson!

wilson1970
2020-09-12

Parabéns pelos poemas ! percebesse grande talento.