Lista de Poemas
SONHOS AQUÁTICOS
Deixa me pensar poema
Com esse teu silêncio
De chuva noturna
Escorrendo na vidraça
Querendo e não querendo
Revelar me os segredos
Mas eu arrisco um pensamento
Em que essas gotas compõem
Dessa melodia calada
Que respinga nas lembranças
Dos meus tempos de criança
Cheiro das águas que passaram
Vozes de gente que sumiram
Embrulhados na inocência
Acariciados pela brisa
Da lama amassada
Na enxurrada da velha rua
Envoltos na alegria
Que não é minha e nem sua
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azuis diferentes
Eu posso ver os teus olhos
Com os azuis dos olhares meus
Mas meus mares você não vê
Com os azuis dos olhos teus
Com os azuis dos olhares meus
Mas meus mares você não vê
Com os azuis dos olhos teus
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Olhos castanhos
Nessa minha janela eu sonho
E com a boca desses olhos castanhos
Vou devorando a fruta madura
Doce como os poemas da vida
Enquanto no céu alaranjado
Vejo um avião branco sumindo
Riscando segredos esquecidos
Então olho pra baixo e sinto saudades
Dos ruídos inocentes de criança
Brincando aos últimos raios de sol
Os pássaros voltando ao ninho
E um trem apitando perto das casas
Enquanto luzes vão se acendendo
E os cenários se rendem
À noite onde as pessoas se recolhem
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INFINITO & SUPREMO
Tua existência explica
Descomplica, simplifica
Encontra, acha
Absolve e resolve
Resgata e levanta
Tua existência esvazia
Decentraliza e centraliza
Se derrama e compartilha
Sacrifica, aromatiza
Caminha a segunda milha
Tua existência julga
Governa e moraliza
Quebra o julgo e teocratiza
Faz justiça e destroniza
Traz a paz e realiza
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Rota 21
Nunca deletei do meu arquivo de recordações, os melhore momentos
daquelas noites frisadas de inverno no estado de New Jersey, quando eu adorava ouvir
no silencio do meu quarto um som incrivelmente melodioso. Era o som do trem do
metrô parando nas estações paralela a rodovia da rota 21, há poucas quadras de minha casa.
Ele vinha de longe, todo místico e exuberante rompendo a noite em cima de
uma plataforma de ferro muito alta, onde jaziam postes de luzes ofuscadas pela
neblina da neve que caia suavemente.
Aquele som, ecoando entre as brisas geladas da solidão escura, vinham como camadas
de música imperceptível a serem decodificadas e desfrutadas num contexto poético.
Sua chegada suave no subway contrastava com o fundo ritimado de dezenas de rodas
freando lenta e calculadamente.
Parecia a galopagem cadenciada de uma tropa enorme de cavalos de aço rasgando
a paisagem urbana engolfada na noite.
Cada vez que isso acontecia eu ficava bem concentrado com a sensacao única
de não querer perder nenhuma fração do espetáculo. Em meu leito eu começava
absorver avidamente a quebra desse silencio embebido de expectativas que não durariam
mais que cinco minutos.
Meus sentidos eram então capturados pela imagem orquestrada da
harmonia nostálgica que fluía desse efeito sonoro ritimado, produzido pelo atritar
de ferro com ferro, soprar do vento, nevoeiro e alguma voz humana..
Era uma transferência espaço temporal de presente e passado, de real
e imaginário totalmente sincronizados. Um fenômeno do sentimento
que me transportava simultaneamente para uma outra viagem. A viagem no trem da
memória. Lembranças etéreas subtraídas da coreografia abstrata do passado
ativado pelas saudades. Saudades imortalizadas que esse fenômeno faz reviver!
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FRUTO DA ESSÊNCIA
Pensar poema
É extrair o sumo
Da beleza da fruta
Cuja essência
Esconde o misterioso aroma
Suave e doce
Lido pelos olhos do coração
Pensar poema
É viajar fora de si mesmo
Alçar as velas
Em aguas desconhecidas
É festejar a chegada
Em território estrangeiro
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Vinho incubado
Neste canto da poesia
Eu saco as rolhas
Das garrafas desconhecidas
Do velho vinho incubado
Do subsolo do meu eu
Nesse refugio tão distante
Terra que não é de ninguem
Onde o tempo vive frisado
Eu me isolo desse mundo
E mato o tempo matutando
Nesse auto exilio não programado
Idéias morrem e ressucitam
Sacodem a poeira da cortina
Fazem castelos do inusitado
E celebram a autenticidade
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lembranca nostálgica
Me lembro daquela manhã ofuscada de neblina
Mergulhada no cheiro agreste da natureza
Tão cheia de algo místico inexplicável
De ar fresco engolfado de humidade
Caminhos de terra, árvores e burbulhos de águas
Envoltos numa quietude que não era silêncio
Misturado de nostalgia. De saudades
De sol sem brilho. De lugar quase sem gente
Era uma sinfonía de sensacões entrelaçadas
Comtemplando o azul cobalto cintilante
Das asas da libélula no limbo esverdeado
Da pedra polida nas aguas espumantes
A estrada solitária rodeada de topografias
De encontros abruptos de rochedos e barrancos
Mostrando desencontros geométricos graciosos
Entre os vales cortados de águas corrediças
Do silencio quebrado no estatalar do bambuzeiro
Pássaros, insetos e animais soltando a voz
Da brisa suave trazendo lembranças
De um passado que o tempo levou
Mergulhada no cheiro agreste da natureza
Tão cheia de algo místico inexplicável
De ar fresco engolfado de humidade
Caminhos de terra, árvores e burbulhos de águas
Envoltos numa quietude que não era silêncio
Misturado de nostalgia. De saudades
De sol sem brilho. De lugar quase sem gente
Era uma sinfonía de sensacões entrelaçadas
Comtemplando o azul cobalto cintilante
Das asas da libélula no limbo esverdeado
Da pedra polida nas aguas espumantes
A estrada solitária rodeada de topografias
De encontros abruptos de rochedos e barrancos
Mostrando desencontros geométricos graciosos
Entre os vales cortados de águas corrediças
Do silencio quebrado no estatalar do bambuzeiro
Pássaros, insetos e animais soltando a voz
Da brisa suave trazendo lembranças
De um passado que o tempo levou
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Comentários (2)
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fernandoarroz
2020-05-18
belê
gioliveira
2020-04-22
Muito bom! Gostei
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