Lista de Poemas
SERTÃO DOS BICHOS
Arde a terra sob meus pés
Anteu sou eu e os meus calos
de léguas e sol
arde em mim uma lua
que acalma meus olhos
e os olhos dos bichos
que sonham
a chuva amarela do
milharal em flor
Anteu sou eu e os meus calos
de léguas e sol
arde em mim uma lua
que acalma meus olhos
e os olhos dos bichos
que sonham
a chuva amarela do
milharal em flor
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RELICÁRIO
Há mais coisas
entre o mel e a abelha
do que possa imaginar
nossa chã homeopatia.
O terço, amigo,
é a arma do vigário
se não posso te ofertar um poema
que os anjos escutem a prece
desse nosso relicário.
entre o mel e a abelha
do que possa imaginar
nossa chã homeopatia.
O terço, amigo,
é a arma do vigário
se não posso te ofertar um poema
que os anjos escutem a prece
desse nosso relicário.
👁️ 723
FOI O VENTO
Minha filha agora entrou
No mundo das siglas:
TPM
Se bem que no caso dela é uma tepeemezinha.
Fico olhando para ela, com raiva do vento
Me olhando silenciosa como se quisesse dizer:
O que foi?
E eu digo: foi esse vento que passou!
No mundo das siglas:
TPM
Se bem que no caso dela é uma tepeemezinha.
Fico olhando para ela, com raiva do vento
Me olhando silenciosa como se quisesse dizer:
O que foi?
E eu digo: foi esse vento que passou!
👁️ 688
DE BORBOLETAS E PASSARINHOS
Se o mundo fosse cinza
Não haveria borboletas
Nem passarinhos
Bastaria um papagaio daltônico
Repetindo a mesma canção
Mas o mundo é colorido
E somos as tintas que fazem
A diferença entre a alegria
E a imensidão de vazios.
Não haveria borboletas
Nem passarinhos
Bastaria um papagaio daltônico
Repetindo a mesma canção
Mas o mundo é colorido
E somos as tintas que fazem
A diferença entre a alegria
E a imensidão de vazios.
👁️ 76
E DEUS NÃO ESTAVA LÁ
Eu vigiei o céu na minha infância
e Deus não estava lá.
Sentei nos templos que diziam existir Deus
e Deus não estava lá.
Fiquei desgarrado da sorte
e esperei por Deus, mas Deus não estava lá.
Às vezes estive no inferno do ser
e apelei para Deus e Deus não estava lá.
Quando pensei que Deus era uma ilusão
encontrei Deus testando as minhas forças,
embaralhando minha inteligência,
realçando minhas dúvidas,
para que eu descobrisse
que Deus estava em mim.
e Deus não estava lá.
Sentei nos templos que diziam existir Deus
e Deus não estava lá.
Fiquei desgarrado da sorte
e esperei por Deus, mas Deus não estava lá.
Às vezes estive no inferno do ser
e apelei para Deus e Deus não estava lá.
Quando pensei que Deus era uma ilusão
encontrei Deus testando as minhas forças,
embaralhando minha inteligência,
realçando minhas dúvidas,
para que eu descobrisse
que Deus estava em mim.
👁️ 86
ARIANO SUASSUNA
No verso de pé quebrado
O poeta que se assuma
Quem precisa de Homero
Dante, Ovídio ou Shakespeare
Eu prefiro mesmo ouvir
Ariano Suassuna.
O poeta que se assuma
Quem precisa de Homero
Dante, Ovídio ou Shakespeare
Eu prefiro mesmo ouvir
Ariano Suassuna.
👁️ 101
FOI O VENTO
Minha filha agora entrou
No mundo das siglas
Tpm
Se bem que no caso dela é uma tepeemezinha
Fico olhando para ela, com raiva do vento
Me olhando silenciosa como se quisesse dizer:
O que foi?
E eu digo: foi esse vento que passou!
No mundo das siglas
Tpm
Se bem que no caso dela é uma tepeemezinha
Fico olhando para ela, com raiva do vento
Me olhando silenciosa como se quisesse dizer:
O que foi?
E eu digo: foi esse vento que passou!
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DESEJO DE VINGANÇA
Trago na alma o desejo de vingança.
Vermelha, amarrada, pisoteada, traída
minha alma chora.
Desprezo todos que amordaçam a alma.
Desejo me vingar com o mesmo sangue
que me socorre as veias dilatadas,
sangue doce, quase azul, sem maldade,
como uma canção triste de Piazzolla,
Ravel ou Schubert.
Meu sangue é quente para ferver o ódio
emparedado do outro lado de mim.
É assim que eu me vingo!
Sei matar a tristeza com o amor
dos grandes poemas
e das grandes canções.
Vermelha, amarrada, pisoteada, traída
minha alma chora.
Desprezo todos que amordaçam a alma.
Desejo me vingar com o mesmo sangue
que me socorre as veias dilatadas,
sangue doce, quase azul, sem maldade,
como uma canção triste de Piazzolla,
Ravel ou Schubert.
Meu sangue é quente para ferver o ódio
emparedado do outro lado de mim.
É assim que eu me vingo!
Sei matar a tristeza com o amor
dos grandes poemas
e das grandes canções.
👁️ 73
Aprendi...
Aprendi com a vida e com os livros que há concessões que nos levam embora a liberdade, há silêncios que nos tiram a paz e há condescendências que nos fazem cúmplices.
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EXISTE UM MUNDO FORA DA INTERNET
O melhor mesmo seria perguntar se existe um mundo fora da internet. Parece que, se existe, está agonizando. Estamos lentamente (uma imensidão de gente) transferindo nossos afetos para as redes sociais. E quando um afeto se transforma em autoimagem, que afasta a pessoa do real, o mundo real vai ficando opaco. Cada vez mais o ego precisa de curtidas, compartilhamentos, comentários. Esse acúmulo de empatia em estado de aparência nos faz cair na ilusão de uma vida sem riscos de atropelos, assaltos, tragédias, porque o nosso santo cantinho diante do computador ou do celular nos dá a segurança de uma existência de sorrisos.
Paralelemente, o mundo real segue com seus sistemas de controle cada vez mais aperfeiçoados. A luta de classes ficou mais sofisticada, pode promover a aparência da igualdade quando eu posso postar da mesma forma que o presidente pode também. E eu posso rebatê-lo, posso esbravejar e criar meu protesto ou simplesmente replicar o protesto de alguém. Essa malha ilusória que nos faz pensar em igualdade é uma armadilha para ir, aos poucos, determinando nosso lugar no espaço dessa luta por audiência virtual. Quem detém o poder e está no controle de tudo sabe que o mundo fora da internet é para quem é livre e autossuficiente. Os zumbis das redes sociais precisam de doses cada vez maiores de sensacionalismo para estimularem sua integração com a virtualidade. O espetáculo, enfim, atingiu a humanidade, como preconizou Guy Debord.
A mim, me parece, que posso viver sem essa transferência pacífica e servil para o mundo virtual. Posso controlar meus neurônios e barrar o alojamento do chip cerebral que se alimentará das aparências.
Ainda gosto de lembrar e sentir o cheiro das pessoas. De sentir o pelo arrepiado. De esperar e trocar longos abraços por outros longos abraços. Olhar para fora de mim e ver que não tem uma tela pequena ou grande manipulando meus dedos e meu tempo. George Orwell já havia me alertado que o grande irmão estava de olho em nós. E Huxley previu até que passaríamos por um tipo de controle como seria o código de barras. Esses são meus companheiros de mundo real. Senhores sem idade que romperam o tempo para me dar mais créditos para viver a realidade.
Não quero me tornar um agente Smith, a serviço da Matrix, muito menos amanhecer transformado num inseto, como advertiu meu amigo Kafka. Quero cultivar minhas idiossincrasias e remendar meus erros na beira da praia, num efêmero castelo de areia. Afinal, se não fosse a onda que brinca de arrastar e devolver nossos sonhos ao mar, por que eu faria castelos para me tornar prisioneiro deles?
Minha memória me fez sorrir. Trouxe-me os cheiros e os abraços que perdi. Há nuvens no céu, livros sobre a mesa. Au revoir!
Paralelemente, o mundo real segue com seus sistemas de controle cada vez mais aperfeiçoados. A luta de classes ficou mais sofisticada, pode promover a aparência da igualdade quando eu posso postar da mesma forma que o presidente pode também. E eu posso rebatê-lo, posso esbravejar e criar meu protesto ou simplesmente replicar o protesto de alguém. Essa malha ilusória que nos faz pensar em igualdade é uma armadilha para ir, aos poucos, determinando nosso lugar no espaço dessa luta por audiência virtual. Quem detém o poder e está no controle de tudo sabe que o mundo fora da internet é para quem é livre e autossuficiente. Os zumbis das redes sociais precisam de doses cada vez maiores de sensacionalismo para estimularem sua integração com a virtualidade. O espetáculo, enfim, atingiu a humanidade, como preconizou Guy Debord.
A mim, me parece, que posso viver sem essa transferência pacífica e servil para o mundo virtual. Posso controlar meus neurônios e barrar o alojamento do chip cerebral que se alimentará das aparências.
Ainda gosto de lembrar e sentir o cheiro das pessoas. De sentir o pelo arrepiado. De esperar e trocar longos abraços por outros longos abraços. Olhar para fora de mim e ver que não tem uma tela pequena ou grande manipulando meus dedos e meu tempo. George Orwell já havia me alertado que o grande irmão estava de olho em nós. E Huxley previu até que passaríamos por um tipo de controle como seria o código de barras. Esses são meus companheiros de mundo real. Senhores sem idade que romperam o tempo para me dar mais créditos para viver a realidade.
Não quero me tornar um agente Smith, a serviço da Matrix, muito menos amanhecer transformado num inseto, como advertiu meu amigo Kafka. Quero cultivar minhas idiossincrasias e remendar meus erros na beira da praia, num efêmero castelo de areia. Afinal, se não fosse a onda que brinca de arrastar e devolver nossos sonhos ao mar, por que eu faria castelos para me tornar prisioneiro deles?
Minha memória me fez sorrir. Trouxe-me os cheiros e os abraços que perdi. Há nuvens no céu, livros sobre a mesa. Au revoir!
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CARLOS GILDEMAR PONTES (Fortaleza-CE)
Escritor e Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Campus de Cajazeiras. Editor da Revista Acauã, Mestre em Letras. Tem 27 títulos publicados, entre Poemas, Contos, Ensaios, Crítica Literária, em 21 livros, e 7 cordéis.
É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas.
Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais.
Vencedor de Prêmios Literários locais e nacionais. Foi indicado para o Prêmio Portugal Telecom, o principal prêmio literário em Língua Portuguesa no mundo.
É articulista/ colunista do Gazeta do Alto Piranhas e do Site www.diariodosertao.com.br
Blog: http://rastros.zip.net E-mail: gilpoeta@yahoo.it
Faixa Preta de Karate Shotokan – 3º Dan/ CKIB
Coordenador do Projeto Karate Campeão, da UFCG.
FORMAÇÃO ESCOLAR
Primeiro/ Segundo Graus: Colégio Militar de Fortaleza/Colégio Rui Barbosa - 1980
Curso Básico de Língua Francesa: Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará. Carga Horária: 420 h/a,
Curso Superior: LETRAS - Universidade Federal do Ceará. 1986
Especialização em Literatura Brasileira – Universidade Federal da Paraíba, 1989.
Mestrado em Letras - Área Literatura - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 2011
Doutorando em Letras - UERN, 2019
LIVROS:
Lesco-Lesco: a lida cotidiana - poesia, 1984.
Canção à lua - poesia, 1984.
Caixa postal – poemas postais, 1986
Metafísica das partes – poesia, 1991.
O olhar de Narciso – poesia, 1995
O silêncio – conto/ literatura infantil, 1996.
A miragem do espelho – conto, 1998
Super Dicionário de Cearensês, 2000
Literatura (quase sempre) Marginal – ensaios, 2002
Os gestos do amor: magia e ritual – poesia, 2004
Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, ensaios, 2005
Quando o amor acontece... – poesia, 2006
Travessia de mundos paralelos – crítica literária, 2007
Da arte de fazer aeroplanos – conto, 2008
Melhor seria ser pardal – poesia, 2009.
A literatura e seus tentáculos (Org.) – ensaios, 2011.
Amor, verbo de se fazer – poesia, 2013.
Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura - Ensaio, 2014.
A essência filosófica do amor - fragmentos, 2014.
Poesia na bagagem, (Antologia poética, vol 1), 2018
Cultura popular: meios, formas e identidades (Org.), 2018
Cordéis:
Da roça pro viaduto, 2ª ed. 1998
As aventuras de Zé Severino, 2004
A queda do Zé Severino, 2005
Bush vai reinar no inferno, 2007
O delegado que roubava livros, 2008
A morte do rei do Pop Michael Jackson, 2010
A casa de Josenir (é a casa da poesia), 2012
Homenagem a Bráulio Bessa, 2018
I Mostra de Teatro de Cajazeiras, 2019
O mundo da poesia, 2019
Escritor e Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Campus de Cajazeiras. Editor da Revista Acauã, Mestre em Letras. Tem 27 títulos publicados, entre Poemas, Contos, Ensaios, Crítica Literária, em 21 livros, e 7 cordéis.
É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas.
Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais.
Vencedor de Prêmios Literários locais e nacionais. Foi indicado para o Prêmio Portugal Telecom, o principal prêmio literário em Língua Portuguesa no mundo.
É articulista/ colunista do Gazeta do Alto Piranhas e do Site www.diariodosertao.com.br
Blog: http://rastros.zip.net E-mail: gilpoeta@yahoo.it
Faixa Preta de Karate Shotokan – 3º Dan/ CKIB
Coordenador do Projeto Karate Campeão, da UFCG.
FORMAÇÃO ESCOLAR
Primeiro/ Segundo Graus: Colégio Militar de Fortaleza/Colégio Rui Barbosa - 1980
Curso Básico de Língua Francesa: Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará. Carga Horária: 420 h/a,
Curso Superior: LETRAS - Universidade Federal do Ceará. 1986
Especialização em Literatura Brasileira – Universidade Federal da Paraíba, 1989.
Mestrado em Letras - Área Literatura - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 2011
Doutorando em Letras - UERN, 2019
LIVROS:
Lesco-Lesco: a lida cotidiana - poesia, 1984.
Canção à lua - poesia, 1984.
Caixa postal – poemas postais, 1986
Metafísica das partes – poesia, 1991.
O olhar de Narciso – poesia, 1995
O silêncio – conto/ literatura infantil, 1996.
A miragem do espelho – conto, 1998
Super Dicionário de Cearensês, 2000
Literatura (quase sempre) Marginal – ensaios, 2002
Os gestos do amor: magia e ritual – poesia, 2004
Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, ensaios, 2005
Quando o amor acontece... – poesia, 2006
Travessia de mundos paralelos – crítica literária, 2007
Da arte de fazer aeroplanos – conto, 2008
Melhor seria ser pardal – poesia, 2009.
A literatura e seus tentáculos (Org.) – ensaios, 2011.
Amor, verbo de se fazer – poesia, 2013.
Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura - Ensaio, 2014.
A essência filosófica do amor - fragmentos, 2014.
Poesia na bagagem, (Antologia poética, vol 1), 2018
Cultura popular: meios, formas e identidades (Org.), 2018
Cordéis:
Da roça pro viaduto, 2ª ed. 1998
As aventuras de Zé Severino, 2004
A queda do Zé Severino, 2005
Bush vai reinar no inferno, 2007
O delegado que roubava livros, 2008
A morte do rei do Pop Michael Jackson, 2010
A casa de Josenir (é a casa da poesia), 2012
Homenagem a Bráulio Bessa, 2018
I Mostra de Teatro de Cajazeiras, 2019
O mundo da poesia, 2019