Lista de Poemas
DEZ ANOS
para Catarina
quando eu tinha dez anos
tu estavas muito, muito distante
perdida nos meus confins
dez anos depois
eu ainda não te via
e tu revolvias minha arqueologia
dez anos se passaram
e tu bem mais perto
pulsavas nos meus segredos
nos dez anos seguintes
tu viestes linda
laçar meu coração num bote
hoje, os dez anos são teus
lembro de mim nos dez anos meus
e vejo que somos muito,
muito parecidos, minha filha!
quando eu tinha dez anos
tu estavas muito, muito distante
perdida nos meus confins
dez anos depois
eu ainda não te via
e tu revolvias minha arqueologia
dez anos se passaram
e tu bem mais perto
pulsavas nos meus segredos
nos dez anos seguintes
tu viestes linda
laçar meu coração num bote
hoje, os dez anos são teus
lembro de mim nos dez anos meus
e vejo que somos muito,
muito parecidos, minha filha!
👁️ 697
DEZ ANOS II
para Bárbara
uma década demora para uma criança,
para nós passa tão rápido
olho para Bárbara e me vejo,
como em ontem,
quando olhei para meu pai
e disse coisas engraçadas,
filosofias encantadas na minha solidão.
hoje, Bárbara me pergunta sobre o tempo.
o tempo, Bárbara, não importa,
eu continuarei assistindo teu encantamento.
uma década demora para uma criança,
para nós passa tão rápido
olho para Bárbara e me vejo,
como em ontem,
quando olhei para meu pai
e disse coisas engraçadas,
filosofias encantadas na minha solidão.
hoje, Bárbara me pergunta sobre o tempo.
o tempo, Bárbara, não importa,
eu continuarei assistindo teu encantamento.
👁️ 697
A QUEM INTERESSA UM POEMA?
Hoje fiz um poema triste
Sozinho
Talvez ninguém lerá
Estarão ocupados com o quê?
Um minuto bastou
Lembrei de poemas aos 13 anos
aos 15, aos 20, 30... agora... pouco!
A quem interessa um poema?
Hoje pensei na dor
no tempo,
estou no alto, contemplando...
de um lado, o passado,
do outro, este horizonte sem fim
sozinho, sozinho sem mim.
Sozinho
Talvez ninguém lerá
Estarão ocupados com o quê?
Um minuto bastou
Lembrei de poemas aos 13 anos
aos 15, aos 20, 30... agora... pouco!
A quem interessa um poema?
Hoje pensei na dor
no tempo,
estou no alto, contemplando...
de um lado, o passado,
do outro, este horizonte sem fim
sozinho, sozinho sem mim.
👁️ 354
BRINCAR DE TEMPO
Minha filha acha que o
dia demora muito
eu acho nada
minha filha estuda
brinca
brinca
brinca
eu quase nada
minha filha precisa me emprestar
a sobra dos seus dias
dia demora muito
eu acho nada
minha filha estuda
brinca
brinca
brinca
eu quase nada
minha filha precisa me emprestar
a sobra dos seus dias
👁️ 745
ALGUMAS COISAS IMPRESTÁVEIS
Eu me iludi porque sou feito de desejos.
Cri num mundo que não existe.
Os ladrões de esperança
compraram as consciências
dos homens de almas pobres.
O amor fez que veio
E se fantasiou de cabelos longos
de alegria e de fantasia de amor.
E eu cri no amor porque o amor não adormece
os sonhos dos infantes.
Eu faço contas e junto coisas imprestáveis.
Tive muitos amores imprestáveis.
Quando arrumo as gavetas da memória
saltam-me poemas imprestáveis,
porque pertencem a um tempo
em que fazer poemas valia alguma coisa
- como ganhar um beijo da menina quieta
que lia poemas e entendia a eternidade
daquele momento.
Eu não troco um poema imprestável
por mil sorrisos falsos.
Cri num mundo que não existe.
Os ladrões de esperança
compraram as consciências
dos homens de almas pobres.
O amor fez que veio
E se fantasiou de cabelos longos
de alegria e de fantasia de amor.
E eu cri no amor porque o amor não adormece
os sonhos dos infantes.
Eu faço contas e junto coisas imprestáveis.
Tive muitos amores imprestáveis.
Quando arrumo as gavetas da memória
saltam-me poemas imprestáveis,
porque pertencem a um tempo
em que fazer poemas valia alguma coisa
- como ganhar um beijo da menina quieta
que lia poemas e entendia a eternidade
daquele momento.
Eu não troco um poema imprestável
por mil sorrisos falsos.
👁️ 134
SOU QUEM TE SABE
O que me dizes das árvores
Enfileiradas no bosque
Falando coisas de passarinho?
O que há em teus olhos de cometa
A incendiarem os meus sentidos
Depois de tantos sonhos repetidos?
Quem te mandou aqui?
Podes me dizer,
Se é para ser feliz posso te acolher
Tenho um coração maior que meu país
Feito de ilusão, que é pra ser feliz.
Feito de dor, que é pra ser humano.
Um coração de amor
Sou quem te sabe o que sou.
Enfileiradas no bosque
Falando coisas de passarinho?
O que há em teus olhos de cometa
A incendiarem os meus sentidos
Depois de tantos sonhos repetidos?
Quem te mandou aqui?
Podes me dizer,
Se é para ser feliz posso te acolher
Tenho um coração maior que meu país
Feito de ilusão, que é pra ser feliz.
Feito de dor, que é pra ser humano.
Um coração de amor
Sou quem te sabe o que sou.
👁️ 311
AMAR É BOM
Amar
é quase a mesma coisa
que morrer
a gente ama e sofre
pensando que vai vencer
Na infância
o maior amor de mãe
mãe é pudim, doce de leite
comida que só ela sabe fazer
Na adolescência
é tempo de heróis
às vezes o pai
às vezes o que voa na TV
Quando se é Romeu
o amor é afiado
Julieta é o diamante
no cristal envenenado
Depois somos pai e mãe
o amor é um espelho
de frente para outro espelho
amor de filho é divino.
Ah! Amar é bom
melhor do que ser amargo
carregar fardo
ou ser uma imensa
praga na solidão.
é quase a mesma coisa
que morrer
a gente ama e sofre
pensando que vai vencer
Na infância
o maior amor de mãe
mãe é pudim, doce de leite
comida que só ela sabe fazer
Na adolescência
é tempo de heróis
às vezes o pai
às vezes o que voa na TV
Quando se é Romeu
o amor é afiado
Julieta é o diamante
no cristal envenenado
Depois somos pai e mãe
o amor é um espelho
de frente para outro espelho
amor de filho é divino.
Ah! Amar é bom
melhor do que ser amargo
carregar fardo
ou ser uma imensa
praga na solidão.
👁️ 323
ALGUMAS COISAS IMPRESTÁVEIS
Eu me iludi porque sou feito de desejos.
Cri num mundo que não existe.
Os ladrões de esperança
compraram as consciências
dos homens de almas pobres.
O amor fez que veio
E se fantasiou de cabelos longos
de alegria e de fantasia de amor.
E eu cri no amor porque o amor não adormece
os sonhos dos infantes.
Eu faço contas e junto coisas imprestáveis.
Tive muitos amores imprestáveis.
Quando arrumo as gavetas da memória
saltam-me poemas imprestáveis,
porque pertencem a um tempo
em que fazer poemas valia alguma coisa
- como ganhar um beijo da menina quieta
que lia poemas e entendia a eternidade
daquele momento.
Eu não troco um poema imprestável
por mil sorrisos falsos.
Cri num mundo que não existe.
Os ladrões de esperança
compraram as consciências
dos homens de almas pobres.
O amor fez que veio
E se fantasiou de cabelos longos
de alegria e de fantasia de amor.
E eu cri no amor porque o amor não adormece
os sonhos dos infantes.
Eu faço contas e junto coisas imprestáveis.
Tive muitos amores imprestáveis.
Quando arrumo as gavetas da memória
saltam-me poemas imprestáveis,
porque pertencem a um tempo
em que fazer poemas valia alguma coisa
- como ganhar um beijo da menina quieta
que lia poemas e entendia a eternidade
daquele momento.
Eu não troco um poema imprestável
por mil sorrisos falsos.
👁️ 315
COM A SEDE DAS FORNALHAS
Eu passava os dias sonhando
com a mulher amada
achava que ela viria um dia
em camisola transparente
andando ao meu encontro
na displicência de quem demora
e o vento colava a camisola em seu corpo
e me entorpecia de desejo
à noite ela me visitava o pensamento
e nós conversávamos baixinho
para não acordar os outros da casa
e ríamos baixinho
fazendo gestos com as mãos
e encolhendo o corpo num abraço
horas a fio fiávamos o tempo
e nos beijávamos como noivos
e nos amávamos com a sede das fornalhas
que aqueciam os engenhos de cana
eu lembro de tudo que quase foi
cada pedaço de nós que costuramos
com as linhas da solidão.
com a mulher amada
achava que ela viria um dia
em camisola transparente
andando ao meu encontro
na displicência de quem demora
e o vento colava a camisola em seu corpo
e me entorpecia de desejo
à noite ela me visitava o pensamento
e nós conversávamos baixinho
para não acordar os outros da casa
e ríamos baixinho
fazendo gestos com as mãos
e encolhendo o corpo num abraço
horas a fio fiávamos o tempo
e nos beijávamos como noivos
e nos amávamos com a sede das fornalhas
que aqueciam os engenhos de cana
eu lembro de tudo que quase foi
cada pedaço de nós que costuramos
com as linhas da solidão.
👁️ 294
A ÁRVORE SOLITÁRIA
A árvore solitária na beira da estrada
Passa seu tempo contando os carros
Os caminhões, os ônibus, as motos
Olhei para ela nessa vida de solitário
E vi que só ela dava sombra
Em meio a tanto deserto
Pensei nela ali na estrada
Empoeirada, empoleirada de ninhos secos
Pensei nela um dia semente
Brotando da terra depois de uma chuva
Olhei para ela pelo retrovisor
E vi que sumia, pequenina, solitária
Como a vida que segue sem propósitos.
👁️ 504
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CARLOS GILDEMAR PONTES (Fortaleza-CE)
Escritor e Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Campus de Cajazeiras. Editor da Revista Acauã, Mestre em Letras. Tem 27 títulos publicados, entre Poemas, Contos, Ensaios, Crítica Literária, em 21 livros, e 7 cordéis.
É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas.
Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais.
Vencedor de Prêmios Literários locais e nacionais. Foi indicado para o Prêmio Portugal Telecom, o principal prêmio literário em Língua Portuguesa no mundo.
É articulista/ colunista do Gazeta do Alto Piranhas e do Site www.diariodosertao.com.br
Blog: http://rastros.zip.net E-mail: gilpoeta@yahoo.it
Faixa Preta de Karate Shotokan – 3º Dan/ CKIB
Coordenador do Projeto Karate Campeão, da UFCG.
FORMAÇÃO ESCOLAR
Primeiro/ Segundo Graus: Colégio Militar de Fortaleza/Colégio Rui Barbosa - 1980
Curso Básico de Língua Francesa: Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará. Carga Horária: 420 h/a,
Curso Superior: LETRAS - Universidade Federal do Ceará. 1986
Especialização em Literatura Brasileira – Universidade Federal da Paraíba, 1989.
Mestrado em Letras - Área Literatura - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 2011
Doutorando em Letras - UERN, 2019
LIVROS:
Lesco-Lesco: a lida cotidiana - poesia, 1984.
Canção à lua - poesia, 1984.
Caixa postal – poemas postais, 1986
Metafísica das partes – poesia, 1991.
O olhar de Narciso – poesia, 1995
O silêncio – conto/ literatura infantil, 1996.
A miragem do espelho – conto, 1998
Super Dicionário de Cearensês, 2000
Literatura (quase sempre) Marginal – ensaios, 2002
Os gestos do amor: magia e ritual – poesia, 2004
Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, ensaios, 2005
Quando o amor acontece... – poesia, 2006
Travessia de mundos paralelos – crítica literária, 2007
Da arte de fazer aeroplanos – conto, 2008
Melhor seria ser pardal – poesia, 2009.
A literatura e seus tentáculos (Org.) – ensaios, 2011.
Amor, verbo de se fazer – poesia, 2013.
Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura - Ensaio, 2014.
A essência filosófica do amor - fragmentos, 2014.
Poesia na bagagem, (Antologia poética, vol 1), 2018
Cultura popular: meios, formas e identidades (Org.), 2018
Cordéis:
Da roça pro viaduto, 2ª ed. 1998
As aventuras de Zé Severino, 2004
A queda do Zé Severino, 2005
Bush vai reinar no inferno, 2007
O delegado que roubava livros, 2008
A morte do rei do Pop Michael Jackson, 2010
A casa de Josenir (é a casa da poesia), 2012
Homenagem a Bráulio Bessa, 2018
I Mostra de Teatro de Cajazeiras, 2019
O mundo da poesia, 2019
Escritor e Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Campus de Cajazeiras. Editor da Revista Acauã, Mestre em Letras. Tem 27 títulos publicados, entre Poemas, Contos, Ensaios, Crítica Literária, em 21 livros, e 7 cordéis.
É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas.
Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais.
Vencedor de Prêmios Literários locais e nacionais. Foi indicado para o Prêmio Portugal Telecom, o principal prêmio literário em Língua Portuguesa no mundo.
É articulista/ colunista do Gazeta do Alto Piranhas e do Site www.diariodosertao.com.br
Blog: http://rastros.zip.net E-mail: gilpoeta@yahoo.it
Faixa Preta de Karate Shotokan – 3º Dan/ CKIB
Coordenador do Projeto Karate Campeão, da UFCG.
FORMAÇÃO ESCOLAR
Primeiro/ Segundo Graus: Colégio Militar de Fortaleza/Colégio Rui Barbosa - 1980
Curso Básico de Língua Francesa: Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará. Carga Horária: 420 h/a,
Curso Superior: LETRAS - Universidade Federal do Ceará. 1986
Especialização em Literatura Brasileira – Universidade Federal da Paraíba, 1989.
Mestrado em Letras - Área Literatura - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 2011
Doutorando em Letras - UERN, 2019
LIVROS:
Lesco-Lesco: a lida cotidiana - poesia, 1984.
Canção à lua - poesia, 1984.
Caixa postal – poemas postais, 1986
Metafísica das partes – poesia, 1991.
O olhar de Narciso – poesia, 1995
O silêncio – conto/ literatura infantil, 1996.
A miragem do espelho – conto, 1998
Super Dicionário de Cearensês, 2000
Literatura (quase sempre) Marginal – ensaios, 2002
Os gestos do amor: magia e ritual – poesia, 2004
Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, ensaios, 2005
Quando o amor acontece... – poesia, 2006
Travessia de mundos paralelos – crítica literária, 2007
Da arte de fazer aeroplanos – conto, 2008
Melhor seria ser pardal – poesia, 2009.
A literatura e seus tentáculos (Org.) – ensaios, 2011.
Amor, verbo de se fazer – poesia, 2013.
Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura - Ensaio, 2014.
A essência filosófica do amor - fragmentos, 2014.
Poesia na bagagem, (Antologia poética, vol 1), 2018
Cultura popular: meios, formas e identidades (Org.), 2018
Cordéis:
Da roça pro viaduto, 2ª ed. 1998
As aventuras de Zé Severino, 2004
A queda do Zé Severino, 2005
Bush vai reinar no inferno, 2007
O delegado que roubava livros, 2008
A morte do rei do Pop Michael Jackson, 2010
A casa de Josenir (é a casa da poesia), 2012
Homenagem a Bráulio Bessa, 2018
I Mostra de Teatro de Cajazeiras, 2019
O mundo da poesia, 2019
Português
English
Español