Lista de Poemas
À JANELA NO TEU ANIVERSÁRIO
A vida passa-te à janela
um ar gelado
queima-te o tempo que resta
ela parte para longe
tu ficas
cortado ao meio
morres
no absinto dos dias
com a boca cheia de abysmo
e os olhos fundos
postos na sebenta
escrevendo ao anjo
o desespero do vazio
o osso duro na garganta
a tesoura na língua
o sangue seco
sobre a ferida da tarde.
Todos os desastres do mundo
buscam o teu corpo.
Vai-te embora
não lamentes
não voltes.
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ANTÓNIO & ERICE
O pintor olha o marmeleiro
a árvore agarra no pincel
e através dele pinta o mistério
o pintor assiste
ao sonhar da árvore
somente a luz
que é árvore
entende o pintor
que é tinta.
a árvore agarra no pincel
e através dele pinta o mistério
o pintor assiste
ao sonhar da árvore
somente a luz
que é árvore
entende o pintor
que é tinta.
👁️ 252
UM ABRAÇO IMPOSSÍVEL
Ainda que os teus dedos
não estejam mais ao alcance dos meus
ainda que eu nunca te tivesse dito
que os teus olhos
eram as verdes paisagens
que me iluminavam todos os minutos
ainda que só agora o diga
ainda assim abro com doce desespero
esta garrafa de poesia e saúdo-te
mulher da minha vida
na cidade em que o mar tem o teu nome
e todas as pessoas te conhecem em demasia
para te poderem perder como eu te perdi
ainda que este papel
não seja o lugar
onde sublime possas existir
eu digo que se houvesse de louvar-te
buscar-te-ia no vento porque nada sou
e tudo é pouco
para abraçar o impossível
e esconder as minhas dores.
não estejam mais ao alcance dos meus
ainda que eu nunca te tivesse dito
que os teus olhos
eram as verdes paisagens
que me iluminavam todos os minutos
ainda que só agora o diga
ainda assim abro com doce desespero
esta garrafa de poesia e saúdo-te
mulher da minha vida
na cidade em que o mar tem o teu nome
e todas as pessoas te conhecem em demasia
para te poderem perder como eu te perdi
ainda que este papel
não seja o lugar
onde sublime possas existir
eu digo que se houvesse de louvar-te
buscar-te-ia no vento porque nada sou
e tudo é pouco
para abraçar o impossível
e esconder as minhas dores.
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PODERIA SUBITAMENTE
Por dentro de nós
é hora de todos os minutos
tempo de conhecer pela sede
o significado da água
onde vibra a respiração
da madrugada
que foge sempre
aranha assustada pelo morrer do dia
animal que procura a palavra nua
o poema cru vivificado pela alegria da luz
uma garganta para dizer o teu nome
veia do poema
areia luminosa
efémera gota de tempo
eu sou o arco e a flecha da tempestade
que não conheceste
um presságio com uma ferida futura
eu sou a impossibilidade da escolha
o fogo nas pálpebras que a insónia promete
descanso merecido nos confins do mundo
eu deambulo entre a luz
e por dentro da treva da luz
como um cão ou um gato melancólico
trabalho no deserto da existência
poderia enlouquecer subitamente
se não existisses quando fecho os olhos.
é hora de todos os minutos
tempo de conhecer pela sede
o significado da água
onde vibra a respiração
da madrugada
que foge sempre
aranha assustada pelo morrer do dia
animal que procura a palavra nua
o poema cru vivificado pela alegria da luz
uma garganta para dizer o teu nome
veia do poema
areia luminosa
efémera gota de tempo
eu sou o arco e a flecha da tempestade
que não conheceste
um presságio com uma ferida futura
eu sou a impossibilidade da escolha
o fogo nas pálpebras que a insónia promete
descanso merecido nos confins do mundo
eu deambulo entre a luz
e por dentro da treva da luz
como um cão ou um gato melancólico
trabalho no deserto da existência
poderia enlouquecer subitamente
se não existisses quando fecho os olhos.
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ONDE OUTRORA HAVIA UM ASTRO NA BOCA
Onde outrora havia um astro na boca
hoje é visível uma pedra negra
e o mistério é esse desespero
das palavras que não encarnam o poema
quando o homem já não é casa
ou agasalho suficiente para o frio
que no ar circula como sangue.
Onde outrora se ocultava a esperança
vê-se agora o pão da morte
a língua alcança o sal antigo
na praia onde esqueces sem descanso
a água agarra-te pelas mãos
lava-te o rosto
e eu choro o mar todo
para sempre.
hoje é visível uma pedra negra
e o mistério é esse desespero
das palavras que não encarnam o poema
quando o homem já não é casa
ou agasalho suficiente para o frio
que no ar circula como sangue.
Onde outrora se ocultava a esperança
vê-se agora o pão da morte
a língua alcança o sal antigo
na praia onde esqueces sem descanso
a água agarra-te pelas mãos
lava-te o rosto
e eu choro o mar todo
para sempre.
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OS MORTAIS
O copo cheio de promessas vazias
o rosto engolido pelo desanimo
a água negra do desejo
seca o lábio.
Que a tua mão ampare a luz
que me desvia do precipício
qual desígnio de medo
no corpo
eu sofro a faca
que na ponta leva o abysmo
ao poço
na queda das tardes de inverno
morro com um cão literário
e uma vertigem vermelha
concentrada nas têmporas
estala-me na cabeça.
Quanto mais escrevo
mais desapareço.
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Carlos Ramos, Nasceu em Peniche, Portugal. Licenciou-se em Direito, escritor, tradutor e fotógrafo. Foi sócio fundador da VIRTUAL – Associação de Fotógrafos. Publicou os primeiros trabalhos nos jornais, DN Jovem e no JL – Jornal de Letras, está publicado também nas colectâneas “Nas Águas do Verso” e “Entre o Sono e o Sonho”, nas revistas literárias: “Palanque Marginal” – (Brasil), “Abismo Humano”, “Piolho”, “LiteraLivre” – (Brasil), “Proyecto Straversa” – (Colombia), “Oropeles y Guiñapos” – (Espanha), “Literatura & Fechadura”- (Brasil) e nas páginas “Poesia Portuguesa”, “Quem lê Sophia de Mello Breyner Andersen” e em “TheBooksmovie – Fonoteca de Poesia Contemporânea” – (Espanha), e Weixin offcial platform” – (China), assim como em diversos blogues, entre outros “Gazeta de Poesia Inédita”, “Canal de Poesia”, etc. Participou como programador no projecto Alcova Org. Foi autor e administrador dos blogues: “Infinito Atlântico” e “As Mãos Por Dentro do Corpo”. Está traduzido para espanhol, chinês e inglês. Participou e participa em festivais literários e recitais de poesia.
Livros publicados:
• O Mar Todo
• As Mãos Por Dentro do Corpo
• Visitação da Noite
• Outros Amarão o teu Caminho
• 13 Naufrágios (+) 1. (ed.bilingue português/español)
• Um destino Atravessa a Língua Para Chegar/Un destino atraviesa la lengua para llhegar. (ed.bilingue português/español).
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