Lista de Poemas
A última floresta da terra
Hoje trazes no olhar as folhas verdejantes que o vento arrastou,
por engano, da última floresta da terra. Não se erguessem os
pássaros aflitos no céu e não saberia que ainda guardavas as histórias
pássaros aflitos no céu e não saberia que ainda guardavas as histórias
que o tempo teima em esquecer – linhas escritas de vírgulas perdidas na geografia do corpo,
como pobres romances que amparam a solidão das noites.
como pobres romances que amparam a solidão das noites.
👁️ 860
Os meus olhos
Guarda, se possível, a cor das paredes do quarto,
as flores desbotadas do tapete,
a lâmpada fundida junto ao teu lugar na cama,
o pó mergulhado na textura das cortinas,
a janela aberta em dias de vento,
o cheiro a alfazema do roupeiro,
os álbuns dentro das gavetas como memórias que
o teu corpo desejou no meu, só não guardes, por favor,
o som daquela porta a bater nas tuas costas,
pois esse, foi o som que guardaram os meus olhos.
as flores desbotadas do tapete,
a lâmpada fundida junto ao teu lugar na cama,
o pó mergulhado na textura das cortinas,
a janela aberta em dias de vento,
o cheiro a alfazema do roupeiro,
os álbuns dentro das gavetas como memórias que
o teu corpo desejou no meu, só não guardes, por favor,
o som daquela porta a bater nas tuas costas,
pois esse, foi o som que guardaram os meus olhos.
👁️ 903
Amar-te
Amar-te é inventar palavras que ficaram a faltar
em frases choradas, é ler-te o desejo abafado na
profundidade do olhar e adivinhar-te os pecados
intrínsecos numa carne por saciar. É sentir o sabor
dos teus beijos a nuvens de distância e num abraço
decifrar a intensa saudade submersa no tempo.
Amar-te é viver, como minhas, as dores mergulhadas
num peito que é teu, é beber-te as lágrimas do rosto como
se fosse de sede o meu estado. É fazer das minhas
míseras pernas o teu mais ansiado colo e dar-te os
meus ombros como a mais suave das almofadas.
Amar-te. Amar-te é contemplar cada pedaço da tua
pele fundida na minha, é desfazer camas com cheiro
intenso de linho e acariciar a manta que guardou a
nudez da alma. É desenhar poemas com gotas de suor
e neles descansar. Amar-te é tudo isto e ainda,
ler cada vírgula do teu silêncio.
em frases choradas, é ler-te o desejo abafado na
profundidade do olhar e adivinhar-te os pecados
intrínsecos numa carne por saciar. É sentir o sabor
dos teus beijos a nuvens de distância e num abraço
decifrar a intensa saudade submersa no tempo.
Amar-te é viver, como minhas, as dores mergulhadas
num peito que é teu, é beber-te as lágrimas do rosto como
se fosse de sede o meu estado. É fazer das minhas
míseras pernas o teu mais ansiado colo e dar-te os
meus ombros como a mais suave das almofadas.
Amar-te. Amar-te é contemplar cada pedaço da tua
pele fundida na minha, é desfazer camas com cheiro
intenso de linho e acariciar a manta que guardou a
nudez da alma. É desenhar poemas com gotas de suor
e neles descansar. Amar-te é tudo isto e ainda,
ler cada vírgula do teu silêncio.
👁️ 980
O som desse adeus
A tua boca ainda ressoa no eco do quarto (são
palavras que ficaram bordadas na pele, perdidas
na bainha dos lençóis que as noites brancas
enxovalharam) como restos de um beijo que perduram nos retratos.
Ficou o teu perfume quando abro o livro de poemas que
deixaste por ler, o mesmo que largaste ao lado do candeeiro
que de tão cansado já não vive. Não há luz que resista ao
desencanto de uma cama, ao suor lavado e à voz morta de um
corpo que emerge do vazio e se ilustra no frio das cinzas.
Não fechaste a porta antes de sair e por momentos achei
que as palavras largadas ao acaso regressariam contigo.
Mas não, escusaste-me ao som desse adeus.
👁️ 917
No íntimo de nada
Não há mundo que lhe caiba na agrura da boca,
nem caminhos que lhe reparem nas solas usadas
que os pés devoraram – são as ruelas acabadas
pelo silêncio dos gestos que lhe dançam nos olhos
a cada anoitecer, são os vultos adormecidos à soleira
das portas vazias que carrega nas palavras que desconhece
tal como as estrelas mortas na escuridão escusam o céu.
Assim é ela – presa naufragada no íntimo do nada. Que seja!
nem caminhos que lhe reparem nas solas usadas
que os pés devoraram – são as ruelas acabadas
pelo silêncio dos gestos que lhe dançam nos olhos
a cada anoitecer, são os vultos adormecidos à soleira
das portas vazias que carrega nas palavras que desconhece
tal como as estrelas mortas na escuridão escusam o céu.
Assim é ela – presa naufragada no íntimo do nada. Que seja!
👁️ 801
Desculpa meu amor
Fogem-me as palavras que usaria nesta folha para te
falar de amor. Talvez, no fundo, as palavras nunca tenham
existido, talvez não passem de invenções delicadas que o
amor nos oferece a cada intervalo de silêncio – desculpa
meu amor não ter nascido com o dom de tecer as palavras certas
para construir poemas que te enobreçam a alma,
ou que te aliviem o cansaço dos olhos, pois isso, já outros o fizeram;
os poetas abandonados à leveza das penas que trouxeram ao papel
todas as dores do mundo e mais as nossas. Desculpa meu amor,
mas as palavras teimam em debandar-se e não sei se voltarão depois,
suspeito que o amor não se escreva hoje como outros o escreveram, e,
por assim ser, o gastaram como gastamos nós todas as páginas em branco
que teimosamente desejamos escritas.
👁️ 999
Os vultos da saudade
Deixa-me repousar o cansaço dos dias do lado de dentro
do teu olhar, nessa paz onde se desfiam as linhas que cosem
o mundo e se tecem de novo as palavras que a terra aniquilou.
Deixa que esse manto verde onde se desfadiga o corpo seja
sono puro de criança como o foi o meu peito noutras noites, mas
não adormeças tu, guarda-me os pesadelos que a aleivosia da noite
trouxer (tais punhais afiados que ferem a mais ténue das lembranças) –
as sombras que me tocam são vultos que à saudade pertencem.
do teu olhar, nessa paz onde se desfiam as linhas que cosem
o mundo e se tecem de novo as palavras que a terra aniquilou.
Deixa que esse manto verde onde se desfadiga o corpo seja
sono puro de criança como o foi o meu peito noutras noites, mas
não adormeças tu, guarda-me os pesadelos que a aleivosia da noite
trouxer (tais punhais afiados que ferem a mais ténue das lembranças) –
as sombras que me tocam são vultos que à saudade pertencem.
👁️ 927
Odisseia das nuvens
Porque se escondem os pássaros na odisseia das nuvens
quando a chuva mergulha no leito de um rio? No seio da terra
pousa de novo o inverno e há um bracejar poético vindo da
nudez das árvores, como se fossem mulheres agastadas no
tempo de uma saudade casual. Não há ninhos naqueles braços,
nem apegos na delicadeza do gesto, há sim; pássaros arrastados
pelo canto lírico de uma tempestade, um céu engrandecido
pelas asas negras de um corvo, um vulto de mulher que se
desvanece ao entardecer, uma centelha que surge de dentro
da janela e mais ao longe, tomado pela fineza da chuva,
continua aquele rio como guardião de olhares feridos.
quando a chuva mergulha no leito de um rio? No seio da terra
pousa de novo o inverno e há um bracejar poético vindo da
nudez das árvores, como se fossem mulheres agastadas no
tempo de uma saudade casual. Não há ninhos naqueles braços,
nem apegos na delicadeza do gesto, há sim; pássaros arrastados
pelo canto lírico de uma tempestade, um céu engrandecido
pelas asas negras de um corvo, um vulto de mulher que se
desvanece ao entardecer, uma centelha que surge de dentro
da janela e mais ao longe, tomado pela fineza da chuva,
continua aquele rio como guardião de olhares feridos.
👁️ 850
Punhados de palavras
Tenho sempre medo que me faltem punhados de
palavras para te falar de amor, esse sentimento que
se demora no peito. E olho para ti, sei depois que o
silêncio onde se guardam as palavras é sempre a página
que lês nos meus olhos e fico-me – despida de tudo e o tudo
é agora a pele, a capa do livro que tu conheces de cor e afagas,
e folheias ao encontro de mim.
palavras para te falar de amor, esse sentimento que
se demora no peito. E olho para ti, sei depois que o
silêncio onde se guardam as palavras é sempre a página
que lês nos meus olhos e fico-me – despida de tudo e o tudo
é agora a pele, a capa do livro que tu conheces de cor e afagas,
e folheias ao encontro de mim.
👁️ 869
Comentários (1)
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maria isabel
2020-04-20
parabens
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