Odisseia das nuvens
Carla Pais
Porque se escondem os pássaros na odisseia das nuvens
quando a chuva mergulha no leito de um rio? No seio da terra
pousa de novo o inverno e há um bracejar poético vindo da
nudez das árvores, como se fossem mulheres agastadas no
tempo deuma saudade casual. Não há ninhos naqueles braços,
nem apegos na delicadeza do gesto, há sim; pássaros arrastados
pelo canto lírico de uma tempestade, um céu engrandecido
pelas asas negras de um corvo, um vulto de mulher que se
desvanece ao entardecer, uma centelha que surge de dentro
da janela e mais ao longe, tomado pela fineza da chuva,
continua aquele rio como guardião de olhares feridos.
quando a chuva mergulha no leito de um rio? No seio da terra
pousa de novo o inverno e há um bracejar poético vindo da
nudez das árvores, como se fossem mulheres agastadas no
tempo deuma saudade casual. Não há ninhos naqueles braços,
nem apegos na delicadeza do gesto, há sim; pássaros arrastados
pelo canto lírico de uma tempestade, um céu engrandecido
pelas asas negras de um corvo, um vulto de mulher que se
desvanece ao entardecer, uma centelha que surge de dentro
da janela e mais ao longe, tomado pela fineza da chuva,
continua aquele rio como guardião de olhares feridos.
Português
English
Español