Lista de Poemas
Total de poemas: 7
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Eu e outreu
Um dia acordo e quero ganhar o mundo. No outro, só quero tomar meu café.
Em qual destes estou mais certo?
Não sei.
Só conheço por experiência própria que,
Se ganhei o mundo naquele dia, não vi nada daquele dia
(não pude parar pra ver,
caso contrário, como poderia ter ganho o mundo?)
Se finalmente tomei meu café, só o fiz, e mais nada,
E tampouco vi nada daquele dia, diabos!
Dia, roda, noite e volta.
Ganho o mundo para um dia tomar café,
Tomo café pra noutro ganhar o mundo.
Até que o mundo acabe,
Mas espero que ele acabe somente depois que o meu café acabar.
Em qual destes estou mais certo?
Não sei.
Só conheço por experiência própria que,
Se ganhei o mundo naquele dia, não vi nada daquele dia
(não pude parar pra ver,
caso contrário, como poderia ter ganho o mundo?)
Se finalmente tomei meu café, só o fiz, e mais nada,
E tampouco vi nada daquele dia, diabos!
Dia, roda, noite e volta.
Ganho o mundo para um dia tomar café,
Tomo café pra noutro ganhar o mundo.
Até que o mundo acabe,
Mas espero que ele acabe somente depois que o meu café acabar.
👁️ 24
Humanidade
Após derrota atrás de outra,
Após muitos dias de uma vida nublada por completo,
Após seus trinta e poucos com amarguras de setenta e tantos,
Após tudo isso e mais uns socos, ela virou-me e retrucou…
Tenho vontade de vomitar
Tenho vontade de vomitar não só o que tenho no estômago,
Tenho vontade de vomitar o estômago,
Tenho vontade de vomitar a vida.
E eu,
Após algum tempo sem compreender,
Após alguns muitos anos até aprender,
Após finalmente sentar ao lado dela (desta vez verdadeiramente tomando seu lado)...
Tenho vontade de continuar ao seu lado,
Tenho vontade de continuar,
Tenho agora, ainda mais vontade dela e de sua falha, porém magnética,
Humanidade.
Após muitos dias de uma vida nublada por completo,
Após seus trinta e poucos com amarguras de setenta e tantos,
Após tudo isso e mais uns socos, ela virou-me e retrucou…
Tenho vontade de vomitar
Tenho vontade de vomitar não só o que tenho no estômago,
Tenho vontade de vomitar o estômago,
Tenho vontade de vomitar a vida.
E eu,
Após algum tempo sem compreender,
Após alguns muitos anos até aprender,
Após finalmente sentar ao lado dela (desta vez verdadeiramente tomando seu lado)...
Tenho vontade de continuar ao seu lado,
Tenho vontade de continuar,
Tenho agora, ainda mais vontade dela e de sua falha, porém magnética,
Humanidade.
👁️ 18
Oração, ciência, arte e nada
Quando novo,
Rezava antes de dormir para dormir o sono dos anjos
(aqueles seres que nunca dormem e fazem extensas horas extras, Deus sabe como).
Com a chegada da matemática,
Comecei a calcular que talvez a solução não fosse bem Aquela Verdade invisível e absoluta personificada em um Ser mais que humano.
Na juventude,
Ditos gênios da filosofia ocidental se levantaram das tumbas para me ajudar no velório e enterro da religião. Por pura inocência, acabei escolhendo leituras endurecidas e mal selecionadas.
Já na vida adulta,
Tendo levado acumuladas e boas bofetadas, quando caído em frangalhos, preces me voltaram à mente, balbuciadas em tom de filho pródigo. Em tom ridículo e pífio de filho fracassado.
Agora,
No momento antes do momento marcado para o fim, atrasado (antes tarde, já que, agora, nunca mais), finalmente me deleito com o nada, com a arte, purarte, por arte, aquela que parte de dentro onde tudo brota.
Canto e falo com um pássaro e rosno com meu cão (como quando fazia quando novo, antes de rezar pra dormir o sono dos anjos), porque sei, em minha ligeira superioridade da condição humana, de um segredo que estes animais nunca imaginariam
(e que divindade não serem capazes de o imaginar)
Há um momento marcado para o fim do canto, da fala e da rosna.
O seu fim.
Rezava antes de dormir para dormir o sono dos anjos
(aqueles seres que nunca dormem e fazem extensas horas extras, Deus sabe como).
Com a chegada da matemática,
Comecei a calcular que talvez a solução não fosse bem Aquela Verdade invisível e absoluta personificada em um Ser mais que humano.
Na juventude,
Ditos gênios da filosofia ocidental se levantaram das tumbas para me ajudar no velório e enterro da religião. Por pura inocência, acabei escolhendo leituras endurecidas e mal selecionadas.
Já na vida adulta,
Tendo levado acumuladas e boas bofetadas, quando caído em frangalhos, preces me voltaram à mente, balbuciadas em tom de filho pródigo. Em tom ridículo e pífio de filho fracassado.
Agora,
No momento antes do momento marcado para o fim, atrasado (antes tarde, já que, agora, nunca mais), finalmente me deleito com o nada, com a arte, purarte, por arte, aquela que parte de dentro onde tudo brota.
Canto e falo com um pássaro e rosno com meu cão (como quando fazia quando novo, antes de rezar pra dormir o sono dos anjos), porque sei, em minha ligeira superioridade da condição humana, de um segredo que estes animais nunca imaginariam
(e que divindade não serem capazes de o imaginar)
Há um momento marcado para o fim do canto, da fala e da rosna.
O seu fim.
👁️ 25
Maioria que me cansa
A maioria me cansa.
Me cansa me entendia
É tudo a mesma coisa todo dia
É futebol no domingo e depois TV até dormir
É trabalhar 8:00 chegar em casa e
Comer sanduíche
É fingir e fugir da tristeza do filho adolescente
A maioria, a maioria vive girando dentro da roda da gaiola e ainda reclama da roda da gaiola, vai entender?!
Continua girando e continua girando todo dia
A maioria é a cerveja barata toda santa sexta-feira santa
E no domingo é a missa
A maioria é uma seita invisível onde aqueles que não passaram no teste são excluídos e tornam-se assunto nas rodas da gaiola dos finais de semana
Imagino eu que haja saco para aguentar todo essa conversa mole das rodas nas gaiolas dos finais de semana da maioria
Essa conversa fiada sobre o clima no elevador da maioria
essa conversa chata entediante sobre qual filho virou engenheiro, advogado ou médico e senão virou engenheiro, advogado ou médico, virou nada, fracassado.
A maioria fede mas faz de conta de que esse é o cheiro natural das coisas.
A maioria fede.
A maioria me cansa mas só me cansa quando me ponho a pensar sobre ela
mas penso que a maioria deve cansar de si mesma a todo momento.
a maioria se corrói mais rápido do que ferro mergulhado na água e postado ao sol. Como se aguentam?
A maioria é ficar rico para ir na Disney
A maioria é ser um total incompetente em quase tudo mas ter uma convicção certa e cega das questões mais complexas da vida
A maioria é preguiçosa. É preguiçosa e chora porque “quem não chora não mama” não é mesmo?!
E nos raros momentos em que a maioria sente uma minoria dentro de si, ela chora de verdade, mas só chora pra dentro, porque a qualquer sinal de minoria nela, sabe que estará fora da seita
até posso relevar o fato de que a humanidade, desde os primórdios, sempre se organizou em bandos
Mas sinto que formamos bandos muito grandes com muitas pessoas no mesmo bando e as funções dos indivíduos acabaram diluídas nesses bandos enormes
E para piorar cometemos a gafe de eleger representantes prefeitos vereadores deputados governadores senadores presidentes primeiros-ministros
E para piorar ainda mais, estes mesmos são os que faziam parte da turma do fundão no colégio, aquela turma que não aprendeu nada, que não fez nada, incapazes, sem conexões neurais suficientes, aqueles que em qualquer bando de outros animais estariam a mercê de todos os outros.
E deixamos que estes dirijam as intenções da maioria
Chegamos até onde chegamos só por conta da minoria
A minoria inventou o fogo, a minoria inventou a agricultura, a minoria inventou casas, a minoria inventou a eletricidade, a minoria inventou os carros, a minoria inventou os navios, a minoria inventou a informática, a minoria inventou a arte
Quanto à maioria,
A maioria é chata e a maioria me cansa.
A maioria só se aqueceu no fogo dos outros e comeu no prato dos outros e morou nas suas casas e enxergou por conta de sua eletricidade e pegou carona nos carros e navios e usou da informática para saber da vida dos outros, principalmente da minoria, e despreza a arte como se ela nada fosse.
Digo eu para terminar
Saibam, maioria, que arte é tudo e que vocês me cansam,
Parasitas pandêmicos
Só me acalma o pensamento de que pelo menos tenho certeza de que a maioria só sobrevive enquanto a minoria vive.
Me cansa me entendia
É tudo a mesma coisa todo dia
É futebol no domingo e depois TV até dormir
É trabalhar 8:00 chegar em casa e
Comer sanduíche
É fingir e fugir da tristeza do filho adolescente
A maioria, a maioria vive girando dentro da roda da gaiola e ainda reclama da roda da gaiola, vai entender?!
Continua girando e continua girando todo dia
A maioria é a cerveja barata toda santa sexta-feira santa
E no domingo é a missa
A maioria é uma seita invisível onde aqueles que não passaram no teste são excluídos e tornam-se assunto nas rodas da gaiola dos finais de semana
Imagino eu que haja saco para aguentar todo essa conversa mole das rodas nas gaiolas dos finais de semana da maioria
Essa conversa fiada sobre o clima no elevador da maioria
essa conversa chata entediante sobre qual filho virou engenheiro, advogado ou médico e senão virou engenheiro, advogado ou médico, virou nada, fracassado.
A maioria fede mas faz de conta de que esse é o cheiro natural das coisas.
A maioria fede.
A maioria me cansa mas só me cansa quando me ponho a pensar sobre ela
mas penso que a maioria deve cansar de si mesma a todo momento.
a maioria se corrói mais rápido do que ferro mergulhado na água e postado ao sol. Como se aguentam?
A maioria é ficar rico para ir na Disney
A maioria é ser um total incompetente em quase tudo mas ter uma convicção certa e cega das questões mais complexas da vida
A maioria é preguiçosa. É preguiçosa e chora porque “quem não chora não mama” não é mesmo?!
E nos raros momentos em que a maioria sente uma minoria dentro de si, ela chora de verdade, mas só chora pra dentro, porque a qualquer sinal de minoria nela, sabe que estará fora da seita
até posso relevar o fato de que a humanidade, desde os primórdios, sempre se organizou em bandos
Mas sinto que formamos bandos muito grandes com muitas pessoas no mesmo bando e as funções dos indivíduos acabaram diluídas nesses bandos enormes
E para piorar cometemos a gafe de eleger representantes prefeitos vereadores deputados governadores senadores presidentes primeiros-ministros
E para piorar ainda mais, estes mesmos são os que faziam parte da turma do fundão no colégio, aquela turma que não aprendeu nada, que não fez nada, incapazes, sem conexões neurais suficientes, aqueles que em qualquer bando de outros animais estariam a mercê de todos os outros.
E deixamos que estes dirijam as intenções da maioria
Chegamos até onde chegamos só por conta da minoria
A minoria inventou o fogo, a minoria inventou a agricultura, a minoria inventou casas, a minoria inventou a eletricidade, a minoria inventou os carros, a minoria inventou os navios, a minoria inventou a informática, a minoria inventou a arte
Quanto à maioria,
A maioria é chata e a maioria me cansa.
A maioria só se aqueceu no fogo dos outros e comeu no prato dos outros e morou nas suas casas e enxergou por conta de sua eletricidade e pegou carona nos carros e navios e usou da informática para saber da vida dos outros, principalmente da minoria, e despreza a arte como se ela nada fosse.
Digo eu para terminar
Saibam, maioria, que arte é tudo e que vocês me cansam,
Parasitas pandêmicos
Só me acalma o pensamento de que pelo menos tenho certeza de que a maioria só sobrevive enquanto a minoria vive.
👁️ 25
À maestria da maioria
Mas e se fosse tudo ao contrário?
E se na verdade, a maioria só fosse maioria p’ra ensinar sua sabedoria à minoria?
E se na sua verdade, a maioria fosse realmente quem, por cansar de tédio e de nojo a minoria, com suas conversas de elevador e tudo o mais que faz e diz,
Quem estivesse certa, no final das contas?
Quem estivesse certa, por ser o real mestre da minoria?
Não professores, não educadores, não facilitadores,
Não quem mostra o caminho por entre as pedras,
Mas que atira as pedras enquanto percorres o caminho só de pedras pontudas?
Mestres? Mestres da verdadeira sabedoria? Mestres duros, mas certos? Mestres da vida, para que se aprenda a vida de verdade, não aquela dos livros?
Seria então mestre o seu pai carracudo, que não te ama, por você ser homossexual, e por ter tanto medo quanto você, de ser excluído em sua pequena roda conquistada de sociedade?
A sua avó chata, que não faz mais nada além de reclamar, por ter tantos arrependimentos do que não falou e não fez, na época em que seu avô machista era vivo?
O seu vizinho insuportável, que reclama de seu cachorro, por ser perturbado de suas sessões internas de remoer seus fracassos, um a um?
O seu chefe pé-no-saco, que te cobra o horário, por ter sido tão bitolado a seguir somente as leis que perdeu a visão e o porquê das coisas pelas quais trabalha?
Estes seriam os mestres maiores da vida?
Mestres sem hora marcada, de todo o dia, sem feriados, sempre martelando, mesmo que
fisicamente ausentes, em algum pensamento em sua cabeça?
Como um lampejo me vem à tona.
Odeio e repudio a maioria,
Mas a maioria é bem capaz de ser a mestra verdadeira,
Sem ela, e sem sua beleza que poucos conseguem ver,
Sem ela, tudo seria utopia, talvez.
Todos da minoria, pode ser que estes estejam errados,
Buscando algo diferente, que em sua sabedoria simples e crua, a maioria já tem em posse. E sempre o teve.
Seria sobreviver o verdadeiro viver?
Não quero acreditar que sim,
Mas não consigo deixar de crer que pode ser.
Arrepiado agora, que aflição isto me causa.
Meu Deus, não pode ser que isto seja.
Estás a brincar comigo.
Será mesmo?
Procuro me acalmar e me recordo de mais um possível mestre agora, de quem tenho sentido raiva ultimamente,
Uma pessoa simples e vã que, mesmo do lado da maioria, vive de lamúria.
Desta pelo menos, da lamúria me refiro,
Desta, posso ter certeza,
Ninguém escapa.
Ah Deus! Nisto não fizestes distinção entre maioria e minoria.
Tanto esta pessoa quanto Pessoa,
De um ponta a outra,
Ambos não escapam,
Ninguém escapa.
E isto volta a me acalmar
Um empate no fim.
Ambas, maioria e minoria.
A maioria sobrevivendo, mestra,
A minoria vivendo, aluna,
Mas de forma que a segunda nunca alcance a primeira.
Sempre assim,
Sempre assim.
Pode até ser que seja assim,
Mas será?
E se na verdade, a maioria só fosse maioria p’ra ensinar sua sabedoria à minoria?
E se na sua verdade, a maioria fosse realmente quem, por cansar de tédio e de nojo a minoria, com suas conversas de elevador e tudo o mais que faz e diz,
Quem estivesse certa, no final das contas?
Quem estivesse certa, por ser o real mestre da minoria?
Não professores, não educadores, não facilitadores,
Não quem mostra o caminho por entre as pedras,
Mas que atira as pedras enquanto percorres o caminho só de pedras pontudas?
Mestres? Mestres da verdadeira sabedoria? Mestres duros, mas certos? Mestres da vida, para que se aprenda a vida de verdade, não aquela dos livros?
Seria então mestre o seu pai carracudo, que não te ama, por você ser homossexual, e por ter tanto medo quanto você, de ser excluído em sua pequena roda conquistada de sociedade?
A sua avó chata, que não faz mais nada além de reclamar, por ter tantos arrependimentos do que não falou e não fez, na época em que seu avô machista era vivo?
O seu vizinho insuportável, que reclama de seu cachorro, por ser perturbado de suas sessões internas de remoer seus fracassos, um a um?
O seu chefe pé-no-saco, que te cobra o horário, por ter sido tão bitolado a seguir somente as leis que perdeu a visão e o porquê das coisas pelas quais trabalha?
Estes seriam os mestres maiores da vida?
Mestres sem hora marcada, de todo o dia, sem feriados, sempre martelando, mesmo que
fisicamente ausentes, em algum pensamento em sua cabeça?
Como um lampejo me vem à tona.
Odeio e repudio a maioria,
Mas a maioria é bem capaz de ser a mestra verdadeira,
Sem ela, e sem sua beleza que poucos conseguem ver,
Sem ela, tudo seria utopia, talvez.
Todos da minoria, pode ser que estes estejam errados,
Buscando algo diferente, que em sua sabedoria simples e crua, a maioria já tem em posse. E sempre o teve.
Seria sobreviver o verdadeiro viver?
Não quero acreditar que sim,
Mas não consigo deixar de crer que pode ser.
Arrepiado agora, que aflição isto me causa.
Meu Deus, não pode ser que isto seja.
Estás a brincar comigo.
Será mesmo?
Procuro me acalmar e me recordo de mais um possível mestre agora, de quem tenho sentido raiva ultimamente,
Uma pessoa simples e vã que, mesmo do lado da maioria, vive de lamúria.
Desta pelo menos, da lamúria me refiro,
Desta, posso ter certeza,
Ninguém escapa.
Ah Deus! Nisto não fizestes distinção entre maioria e minoria.
Tanto esta pessoa quanto Pessoa,
De um ponta a outra,
Ambos não escapam,
Ninguém escapa.
E isto volta a me acalmar
Um empate no fim.
Ambas, maioria e minoria.
A maioria sobrevivendo, mestra,
A minoria vivendo, aluna,
Mas de forma que a segunda nunca alcance a primeira.
Sempre assim,
Sempre assim.
Pode até ser que seja assim,
Mas será?
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Visitas forçadas de amigos que gostaria de ter
Depois de acordar de noites bem dormidas
Tenho me permitido as melhores manhãs
Converso por primeiro com meu cachorro, lhe dou um bom dia enquanto ele se estica,
Logo depois, procuro aquela que me acompanha desde muito tempo, lhe dou bom dia enquanto ela coa o café
Fico amigo dela rápido novamente, desde ontem a noite,
E logo sentamos a mesa a conversar e, é impressionante, como ideias bizarras mas brilhantes nos saem pela boca,
Essa gasolina me aquece por dentro, e ela vai trabalhar.
É aí, entre este tempo em que ela sai e eu fico terminando de me arrumar, que ligo pra outro amigo para que venha continuar a conversa que tive com ela, e terminar o resto de café quente, e a queimar o resto de gasolina que ainda me aquece por dentro.
Tenho chamado vários, cada dia um diferente, mas não muitos que não possa contar nas mãos,
Já chamei Pessoa, e ele é sempre duro e carrancudo, mas me faz ficar sóbrio para o dia. Ele sempre chega com mais alguém junto com ele, às vezes traz o Álvaro, por vezes, Caeiro ou ainda o Ricardo.
Já chamei Melo Neto, que é mais brando, mas nem por isso menos interessante.
Chamei estes dias atrás a Martha, e ela me falou de vários outros amigos delas, todos muito certos da incerteza desta vida.
Chamo com certa frequência Abujamra, e o tenho como um terceiro avô com quem gostaria de ter sentado e sido provocado.
Chamo por vezes alguns cientistas, sim, e por que não? Sagan e Tyson chegam sempre juntos e trazem por vezes o Hawking em sua cadeira de rodas, orgulhoso de ter enxergado com sua lógica precisa, o interior de buracos negros. Conversamos sempre sobre educação e sobre humildade. Lamentamos o desperdício das mídias.
Também me faz visitas o Mlodinov, pra me lembrar que temos pouco controle sobre o que tanto queremos controlar, e que nossa mente subjetiva é tão vasta que muitas vezes nos prega peças.
Sento com cada um deles, sozinho.
Há algum tempo, trouxe Jesus, Buda e Muhammad para uma conversa. Os três se entenderam tanto em suas ideias que eu fiquei só ouvindo. O mundo seria um lugar melhor se dali surgisse outra religião. Todos se queixavam de terem tido seus discursos distorcidos. Me confidenciaram que nunca haviam pedido para que templos fossem levantados em seus nomes. Tudo o que queriam era que as pessoas tratassem bem umas às outras.
Dia sim, dia não, senta-se comigo uma senhora já debilitada, apesar de ainda não ser tão idosa. Sei de sua condição pois ela não se cansa de me contar e repetir sua debilidade.
Me conta de como teve poucos momentos bons, e que poucas escolhas fez por si própria.
Conta histórias de amor que negou viver, de traumas sobre traumas que passou pelas inúmeras mortes que vivenciou. De sua covardia perante a vida. E por fim, lamenta-se antecipadamente da vida perdida, sem forças pra tentar.
E de todos que se sentam comigo, sejam poetas, cientistas, mártires ou santos, esta última senhora do tempo perdido é a que mais me ensina.
Sigo concluindo meu café pra iniciar o dia com aquela pulga atrás da’orelha me dizendo:
Quando sentir que é hora de virar a mesa, não pense, vire.
Tenho me permitido as melhores manhãs
Converso por primeiro com meu cachorro, lhe dou um bom dia enquanto ele se estica,
Logo depois, procuro aquela que me acompanha desde muito tempo, lhe dou bom dia enquanto ela coa o café
Fico amigo dela rápido novamente, desde ontem a noite,
E logo sentamos a mesa a conversar e, é impressionante, como ideias bizarras mas brilhantes nos saem pela boca,
Essa gasolina me aquece por dentro, e ela vai trabalhar.
É aí, entre este tempo em que ela sai e eu fico terminando de me arrumar, que ligo pra outro amigo para que venha continuar a conversa que tive com ela, e terminar o resto de café quente, e a queimar o resto de gasolina que ainda me aquece por dentro.
Tenho chamado vários, cada dia um diferente, mas não muitos que não possa contar nas mãos,
Já chamei Pessoa, e ele é sempre duro e carrancudo, mas me faz ficar sóbrio para o dia. Ele sempre chega com mais alguém junto com ele, às vezes traz o Álvaro, por vezes, Caeiro ou ainda o Ricardo.
Já chamei Melo Neto, que é mais brando, mas nem por isso menos interessante.
Chamei estes dias atrás a Martha, e ela me falou de vários outros amigos delas, todos muito certos da incerteza desta vida.
Chamo com certa frequência Abujamra, e o tenho como um terceiro avô com quem gostaria de ter sentado e sido provocado.
Chamo por vezes alguns cientistas, sim, e por que não? Sagan e Tyson chegam sempre juntos e trazem por vezes o Hawking em sua cadeira de rodas, orgulhoso de ter enxergado com sua lógica precisa, o interior de buracos negros. Conversamos sempre sobre educação e sobre humildade. Lamentamos o desperdício das mídias.
Também me faz visitas o Mlodinov, pra me lembrar que temos pouco controle sobre o que tanto queremos controlar, e que nossa mente subjetiva é tão vasta que muitas vezes nos prega peças.
Sento com cada um deles, sozinho.
Há algum tempo, trouxe Jesus, Buda e Muhammad para uma conversa. Os três se entenderam tanto em suas ideias que eu fiquei só ouvindo. O mundo seria um lugar melhor se dali surgisse outra religião. Todos se queixavam de terem tido seus discursos distorcidos. Me confidenciaram que nunca haviam pedido para que templos fossem levantados em seus nomes. Tudo o que queriam era que as pessoas tratassem bem umas às outras.
Dia sim, dia não, senta-se comigo uma senhora já debilitada, apesar de ainda não ser tão idosa. Sei de sua condição pois ela não se cansa de me contar e repetir sua debilidade.
Me conta de como teve poucos momentos bons, e que poucas escolhas fez por si própria.
Conta histórias de amor que negou viver, de traumas sobre traumas que passou pelas inúmeras mortes que vivenciou. De sua covardia perante a vida. E por fim, lamenta-se antecipadamente da vida perdida, sem forças pra tentar.
E de todos que se sentam comigo, sejam poetas, cientistas, mártires ou santos, esta última senhora do tempo perdido é a que mais me ensina.
Sigo concluindo meu café pra iniciar o dia com aquela pulga atrás da’orelha me dizendo:
Quando sentir que é hora de virar a mesa, não pense, vire.
👁️ 18
Giz
Logo após o momento em que acordamos,
Neste período até levá-la ao encontro do mundo externo,
No desjejum da manhã que balança as folhas das árvores que não são nossas, mas são como se fossem,
Ali, por pouco mais de quarenta minutos (daqueles minutos rápidos),
Tenho palavras com a mestra da vida, reflexiva, aberta a tudo,
Pura energia e positivismo (quase um oráculo).
Ao primeiro retorno, meio-dia, outra lhe ocupa,
Uma outra sintonia ocupa-lhe a mente e impõe um ar de cansaço antecipado do que tem ou acha que ainda tem por vir no resto do dia que ainda está por vir,
No último retorno, bateria quase no fim, dia sim dia também, a luta é perdida e o que se acha que estaria por vir durante a tarde, realidade se faz,
Realidade se fez.
E o sofá recebe esta multi-persona em seu colo (esta multi-despersona), sabendo ele que,
a realidade sempre se fará real.
Ao fim do dia, somente ele dá conta de abastecer nossas baterias para que eu volte a encontrar a mesma pessoa do momento em que acordar no dia que estará por vir,
Logo após o momento em que acordarmos.
Neste período até levá-la ao encontro do mundo externo,
No desjejum da manhã que balança as folhas das árvores que não são nossas, mas são como se fossem,
Ali, por pouco mais de quarenta minutos (daqueles minutos rápidos),
Tenho palavras com a mestra da vida, reflexiva, aberta a tudo,
Pura energia e positivismo (quase um oráculo).
Ao primeiro retorno, meio-dia, outra lhe ocupa,
Uma outra sintonia ocupa-lhe a mente e impõe um ar de cansaço antecipado do que tem ou acha que ainda tem por vir no resto do dia que ainda está por vir,
No último retorno, bateria quase no fim, dia sim dia também, a luta é perdida e o que se acha que estaria por vir durante a tarde, realidade se faz,
Realidade se fez.
E o sofá recebe esta multi-persona em seu colo (esta multi-despersona), sabendo ele que,
a realidade sempre se fará real.
Ao fim do dia, somente ele dá conta de abastecer nossas baterias para que eu volte a encontrar a mesma pessoa do momento em que acordar no dia que estará por vir,
Logo após o momento em que acordarmos.
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