Lista de Poemas
UM VELHO, UM LÍRIO, UM RIO, MARTE E VÊNUS
A chuva veio depois de anos no sertão que carrego no peito
A poeira virou lama, escorreu pelos vales
Até chegar na mais profunda das terras
E ali, encontrou morada, e repousou na companhia do que tem sentido em si mesmo
Onde só havia escombros, raiva e desencontro
Brotou no orvalho uma pequena semente com toda potência de ser
E surpreendentemente estava cercada só do que era necessário
Para crescer e virar alimento de quem caminha por muito tempo no mato
Visto os olhos da quietude que nutre a leveza da alma
Depois de ter visto a tragédia e o renascer intrínsecos da vida
O laço de virtude também vejo
Tem a mesma matéria de amores e angústias contados no escuro de noites sem luar
Esperar nada e receber tudo
Sustentando a audácia de acreditar no sopro singelo de uma ideia nova
Que voa no vento do riso espontâneo
E se confunde ao som do bater infinito de asas de um beija-flor da Serra do Mar.
A poeira virou lama, escorreu pelos vales
Até chegar na mais profunda das terras
E ali, encontrou morada, e repousou na companhia do que tem sentido em si mesmo
Onde só havia escombros, raiva e desencontro
Brotou no orvalho uma pequena semente com toda potência de ser
E surpreendentemente estava cercada só do que era necessário
Para crescer e virar alimento de quem caminha por muito tempo no mato
Visto os olhos da quietude que nutre a leveza da alma
Depois de ter visto a tragédia e o renascer intrínsecos da vida
O laço de virtude também vejo
Tem a mesma matéria de amores e angústias contados no escuro de noites sem luar
Esperar nada e receber tudo
Sustentando a audácia de acreditar no sopro singelo de uma ideia nova
Que voa no vento do riso espontâneo
E se confunde ao som do bater infinito de asas de um beija-flor da Serra do Mar.
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QUADROS NUM ABISMO
Nada em mim é notável
Os pés seguem por rumos ordinários
Ainda assim
Digo ter sorte
E hão de concordar comigo
Pois
Quando os únicos ouvidos eram as folhas de um caderno sem pauta
A voz não precisava dizer, bastando o riscar quase sem ruído da caneta tinteira no papel
As louças eram postas sem par
A cúrcuma temperava um jantar de diminuta porção
E tantos horizontes se pintavam de cores que faziam duvidar.
Quando as pegadas na areia marcavam de dois em dois ouvindo as ondas em um coração-cais sem marinheiro
Os abismos tinham ecos sedutores
E a poesia fazia silêncio na imensidão de uma cama amargamente confortável.
Quando esperança não era senão um fio de balão de hélio que quase escapa de pequenas mãos…
As flores abriram com um afago
A cozinha se fez um salão de baile
Vira-latas alegraram o mundo
E o Improvável veio de trem para o chá
A mesa feita
Para dois.
Os pés seguem por rumos ordinários
Ainda assim
Digo ter sorte
E hão de concordar comigo
Pois
Quando os únicos ouvidos eram as folhas de um caderno sem pauta
A voz não precisava dizer, bastando o riscar quase sem ruído da caneta tinteira no papel
As louças eram postas sem par
A cúrcuma temperava um jantar de diminuta porção
E tantos horizontes se pintavam de cores que faziam duvidar.
Quando as pegadas na areia marcavam de dois em dois ouvindo as ondas em um coração-cais sem marinheiro
Os abismos tinham ecos sedutores
E a poesia fazia silêncio na imensidão de uma cama amargamente confortável.
Quando esperança não era senão um fio de balão de hélio que quase escapa de pequenas mãos…
As flores abriram com um afago
A cozinha se fez um salão de baile
Vira-latas alegraram o mundo
E o Improvável veio de trem para o chá
A mesa feita
Para dois.
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