Lista de Poemas
O Dom da ubiquidade
O Dom da ubiquidade
Tivesse eu o Dom da *ubiquidade
Estaria a teu lado neste momento, amor !
Mas, por ser um Dom inerente a Deus
A não ser no pensamento, ninguém o invade
Esse Dom da ubiquidade só se impregna
Se representado pelo pensamento **bergsoniano
Jamais materializado no campo ***teluriano
Pois a realidade é séria e não admite ironia.
Quisera eu, meu amor tê-lo por um só dia
Para minimizar minha louca fantasia,
De poder beijar-te, cheio de alegria,
Acariciar teu seio, sentir teu perfume
Arder de desejos, como madeira no lume,
Oh! quem me dera transpor incólume !
* Que está ao mesmo tempo em toda a parte;
** a ubiquidade do pensamento por Bergson
*** da terra
São Paulo, 28/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O preço da bondade do velhinho
O preço da bondade do velhinho
Cansado de caminhar o velhinho
Sentou-se na relva fresca a descansar
Fecha os olhos e a ideia em torvelinho
No instante pensa... de que serviu trabalhar
Após longo tempo meditando no passado
De suas andanças viu-se amargurado
- Foi rico... agora ao mundo jogado
Por seus bens ter doado antecipado.
D' nada lhe serviu no mundo trabalhar.
De sonhos e de carinhos despojado,
O preço do equívoco está a pagar,
Peregrinando nas ruas sem parar
Tratado como um cão e debuxado
Foi a paga, por seus bens, antes doar !
São Paulo, 13/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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As cordilheiras da vida
As cordilheiras da vida
Parecem intransponíveis as cordilheiras da vida
Mas pé ante pé, sem exceder os limites da liberdade
Após ter resistido corajosamente e enfrentado a lida
Insistindo, recalcitrando, permaneceu a vontade.
Pé ante pé, transpôs as abstrusas cordilheiras
Excitadoras de grandes esperanças futuras
Norteadoras de probabilidades clareiras,
De trilhar novos caminhos, sem agruras.
E, finalmente vencidas, surge a esperança
De novos dias, onde a luz e a bonança
Serão os fatores de toda predominância.
E sem meter os pés pelas mãos, está no caminho
Cruzado o embaraço, tirou o espinho.
Finalmente, leva a vida cheia de carinho!
São Paulo, 30/03/ 2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Mundo de insatisfeitos
Mundo de insatisfeitos
Um mundo de insatisfeitos nos limita
Uns p'la falta de sorte que o destino dita,
Outros, pelo quinhão nefasto ou benfazejo,
Quando a ganância, supera o seu almejo.
O pobre, por ser pobre, pouco planeja,
O rico, a totalidade, ele deseja !
O ser humano; essas quimeras sustenta,
Onde pobre e rico delas se alimenta,
O rico com o ouro, fica encantado
O pobre na cachaça, leva enganado
O destino perverso, mágico, tirano,
Insaciáveis desejos alimenta
A mente humana na qual se sustenta ,
A ilusão do pobre, do rico, do cigano !
Porangaba, 30/01/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Perdido em mim
Perdido em mim
Perdido em mim, como vou saber quem sou
Se esse louco amor por ti, me cegou,
Minh'alma ao abandono, de ti migrou,
A matéria... é este trapo... o que restou !
Não posso saber quem sou, nem o quero
Vivo na aparência, realidade de fachada
Se um dia te encontrar, já nem espero
Ouvir dizer, que foste minha namorada.
A paixão desse amor, ainda existe,
A sofrer até à morte os meus pecados
Sou como flor velha, estiolada e triste,
Que às ondas da saudade mal resiste !
Ao engano infeliz destes meus fados
Desde o dia jururu em que partiste.
São Paulo, 13/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Meu Trás-os-Montes
Meu Trás-os-Montes
Numa tarde de silêncio e calmaria
Mal buliam as folhas dos olivais
Ao sol abrasador do meio-dia
Num ouro fulvo, ondeavam trigais
Os sobreiros quietos e sossegados
Dão pequenas sombras aos trigais,
Nessa paisagem, de amarelos dourados
Rapazes e raparigas fazem arraiais,
Tudo é casto e sedutor nessa miragem
Mais parecendo a tela de um pintor !
- Esta terra agreste, dura, e de coragem
Faz parte do folclore de minha terra,
- Onde é a gaita de fole, quem nos convida,
A ceifar o nosso trigo, ao pé da serra !
São Paulo 14/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Recordações d’amor
Recordações d'amor
Recordações são o preâmbulo d'amor
A beijar suavemente minha saudade
Lindas melodias cheias de candor
Trazendo à minha alma felicidade.
Nelas, alimentei meu sonho e fantasia
Ah! Se as lagrimas pude segurar,
Vi meu coração chorar nostalgia
E refugiar-se num sonho a palpitar.
Essa saudade infinita de ti amor
Tem sido o constante em minha vida
Tu foste para mim aquela flor
Que vi nascer e não desabrochar,
E sem sentir os teus olores querida,
Ferido de morte, restou-me aceitar !
São Paulo, 09/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Nostalgia
Nostalgia
Meu manto da nostalgia, neste exílio,
Enterrado em coisas velhas do passado,
Após ter mudado pra sempre o domicílio
Deixa-me olhar o mundo desconsolado.
É saudade da Pátria, que a alma sente
Cujas memórias não ficaram esquecidas,
É sonhar puder voltar, ser consciente
Da pungente dor que causou a despedida.
Sentir nostalgia, é ter na alma saudade,
Do fado plangente, a trinar na guitarra
É reavivar esperanças mortas, amizade
É encher de sonhos minha fantasia
É tornar esta dor, ainda mais bizarra
Ir ao meu país, sentir vozes à porfia !
São Paulo, 27/01/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Meu pobre coração
Meu pobre coração
Meu pobre coração não corras mais,
Cuidado com amplas idéias liberais,
Porque os anseios de total liberdade
Não estão inseridos na realidade.
As quimeras são lindas, porém irreais,
São conquistas dos meios sociais,
Que paulatinamente, vão-se moldando
E nesse ínterim, o mundo vai mudando.
Não te fascine o brilho da liberdade,
Não temas que esse culto possa fazer mal
Sê prudente e cauteloso como a serpente
Que quando dá o bote, é de repente
Embora a ela, em nada sejas igual,
-Não andes cego, a tatear igualdade !
São Paulo 15/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Resido na via-láctea
Resido na via-láctea
Sou sombra perdida, dum passado errante
Longe das ilusões, do fausto das primaveras,
Resido na via-láctea em nuvens de quimeras
Perdido nos sonhos, das cinzas dum gigante !
Em manto clemente, repouso alma sonhadora
Onde um dia, há de dormir o sono eterno
E nesse manto de amor o Criador paterno
Há de, pelo ideal sagrado, levar-me à nova aurora
A luz da vida, é como a do sol ao entardecer,
Vai morrendo... até encontrar a escuridão
- Ao oposto da criatura que ao nascer,
Tudo é luz, fanal de claridade, esperança
Um seio de amor, ternura e afeição,
Nas asas da ventura, que não se cansa !
São Paulo, 04/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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