Escritas

Lista de Poemas

A CARLA O RAFAEL E OS OUTROS


Vorazes
com fumo e brilho
Nos olhos.

Risos pelo ar
voam com as aves.

Carrocel do sonho. amor para amar
debruçados nas varandas sobre o mar.

Velozes. no beijo e no encontro
no encanto.

Suaves e mordazes
com sem e muito
às vezes.

Assim perdidos
sujeitos aos speeds do amor
pelos cantos pelos braços pela dor
de não ser
capaz e tanto por despir
por dizer
por não sei quê
florir assim devagar
com muito medo.

antonio tropa
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A VIDA É ASSIM MESMO


A vida é assim mesmo
às vezes um desalento
um ternura que vem do fundo da infância
com olhos de pássaro ferido.

O que há pouco era
vertigem de euforia
agora amarfanhado
na sombra.

Regresso à simplicidade da terra
um cheiro doce
essa alegria.

Em qualquer colina do mundo
antes que o coração seja uma pedra
recordo agora
o que dantes vivia.


antonio tropa
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Para EUGÉNIO DE ANDRADE

Que rosto sobre o teu rosto
recebeu o que queria.

que olhos assim se deram
na beleza do meio dia.

que corpo maravilhado
com a sua própria alegria.

antónio tropa
👁️ 381

RETRATO URBANO


Estarem assim expostos ao tempo e ao olhar
na noite enlouquecida.

Ficar de mãos nos bolsos na esquina da cidade
perdido já o nome o espanto e o melhor.

Fugidos doutro tempo perdidos num instante
só então se arrependem de não poder voltar.

Seus modos permanecem limpos e despidos
nem sempre. desejados por quem os encontrar.

antonio tropa
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CASTELO BRANCO OUTUBRO DE MIL NOVECENTOS E TAL


A escola secundária andava pelas ruas
já de cachecol máxi e botas altas
assim azul e um pouco desajustada
pelos cafés e lugares melhor frequentados.

A cidade recebia-a
nas suas casas sem janelas
e explicadores frustrados.

Era vista todas as segundas feiras
depois das aulas com o namorado
sorridente e um pouco tímida
mas muito boa rapariga pelo menos
cheia de boas intenções e pouco cuidado
não lhe vá acontecer alguma e ficar abandonada
pois ser bem parecer bem e mostrar algum respeito
mesmo quando fica completamente encarnada
coitada em especial quando recusa
discretamente e um pouco cúmplice
o charro do grupo dos amorosos do sonho
enfim vale mais estar calada.

antónio tropa

👁️ 390

OUTRA VEZ SOBRE O AMOR


Com o coração entendo
aquilo que não é dito.

Há um espaço infinito
entre o meu e o teu olhar

Procuro então com o corpo
e é nesse labirinto
que muitas vezes me minto
para agradar ao meu par.

antonio tropa
👁️ 339

UMA TARDE SOBRE O TEJO


Há uma tarde sobre o Tejo
lentas colinas no ar
de mel alecrim e sol
ramo luz para dar.

Serão sombras de oliveiras
pelos caminhos deste encontro
ou o teu corpo perdido
nas estevas deste mar.

Ali à beira do rio
só a carícia do vento
e o aroma muito antigo
dos ninhos do nosso olhar.

antonio tropa
👁️ 390

P P PASOLINI


Que fizeste tu homem para te morder assim o teu amor
num gesto de desespero ao meio dia.
Que fizeste do anjo para ele se transformar em diabo
e te matar assim como nos filmes
por entre risos lágrimas e estrelas.

Tu eras um homem mas eras um menino
que inventou a ternura numa tela colorida.

Tu que te perdeste até á última noite
e bebeste da alegria o vinho e o fel

Tu homem eu não devia dizer-te isto
mas valeu a pena a tua vida.

antonio tropa
👁️ 430

RECADO PARA ANA


Posso compreender que em ti pouco corresponda
ao que gostarias de ser, Ana
contudo o teu sorriso às vezes é bonito
apesar dos óculos, da palidez, da sombra
que te faz parecer frágil, desajustada e
entrar à defesa em qualquer relação.

Por isso nos últimos tempos tens evitado
expor-te muito e neste caso
a Internet facilita bastante a imaginação.

A violência sobre ti foi exercida
apenas com palavras, gritos alguns actos
impedem-te agora de te sentires mais serena
e conformada.

A distância tem-te protegido das angústia
de rejeição. Longe ninguém pode agravar muito
o que em ti já existia.

A Net é a filha mais nova
da solidão.

antónio tropa
👁️ 386

SÁBADO Á NOITE


A chuvinha da noite convidava
a ser feliz só com o pensamento
e não entrar assim desamparado
nas alucinadas e traiçoeiras luzes
de sábado que corriam prá cidade
para cumprir não sei que mandamento
que nos obriga à procura sem cessar
de alegria enquanto aqui andarmos
com olhares que não nos tocam dentro
nem risos que sabemos partilhar
pessoas como nós mas só por fora
que não deixamos entrar só por entrar
por medo ou qualquer outra tristeza
e tão pouco arrebatamento
que não nos deixa antever qualquer beleza
em tal falta de verdade ou sentimento.

antonio tropa
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