Escritas

Lista de Poemas

Dos desejos da carne

A carne não passa de um punhado de pó,
Suportados a pequenos poros,
que suprime, ou costuma suprimir
Os momentos de nossas vidas.
Tal carne em desejo se converte.
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Do que há no mais íntimo mistério.

Há retirada repentina das suas virtudes,

Desde as mais horrendas; como a proibição.

Ah! Não temas intolerante.

Pois trata-se de um fenômeno paradoxal,

Faça-te do circulo que não se esvai;

Uma incrível e memorável explosão brotará de ti,

Pois de ti brotas o céu e a terra.

És-te a tua própria inspiração..!?
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Como os pássaros da UFC.

Assim como as vontades do meu coração cantam os pássaros na UFC,

Uma sinfonia caótica meio a um concerto..

Vá entender as zombarias que se diz mundo...

E cantam avorosadamente, numa beleza primaziada, mas o que cantam..?

Será então uma bruta adoração ao seu destino?

Cantam, enfim, aos seus ídolos?

Cantam seu último suspiro?

Cantem e se elevem, oh, majestosos passaros,

Alegra-me que cantem..
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À a-ventura

Enquanto a causa reduz-se numa tensão,

O efeito vem do feito.

A causa só faz o feito se só conhece-se o desrespeito de diminuir o ato..

Causa-efeito é fato,

Mas não é tudo,

Pois fora disso existe um mundo que acontece sem cessar, 

a estas coisas que aparentemente são,

Como à a-ventura dos nossos seres e não seres..
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Apenas este

Definitivamente o que é azul, o céu ou o mar?
Ilusão da minha parte, que parte?
Sem parte, nem medida, não tem!
Que ilusão és-te, sem dimensão sois, um ser igualmente perdido, desmesurado!
Desperdício só para mim, quem sois?
Não sou príncipe, não sou estátua, não sou coisa alguma!
Apenas sou este, nada mais...
Mas para quê subjaz a minha existência?
Que perdição!
Sou este, apenas este, nesta supérflua dimensão.. ilusão!
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Aforismo sobre sentimento

Eu sou quase nada.

Sou apenas um suspiro, um fantasma.

Sou neutro, sou apenas um vento que soa nos ouvidos de quem pode ouvir.

Sou apenas um vulto para olhos míopes que menos ainda me enxergam.

Sou finalmente sua ligeira lembrança, uma rápida aparição que aos poucos se esvai..
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Da luta, labuta..

Escrevo como se quisera por para fora,
Expirar algo da qual pulsa claudicante o meu coração.

Exponho por que é desse modo que luto,
Não criei, nem aprendi outra maneira ou estilo de luta.

É assim que exponho a vibração que ainda corre em minhas veias,
Em cores encarnadas estribrilha minha alma... Da luta, labuta! É vida!

Mas se não por isso, e mesmo assim tu negues ouvir-me
Ou Satirizo uma nova ilusão, ou então, se já não houver forças, nem mesmo implicação/intentação,
Serei eu meu próprio vácuo, um fim que sou,
E sempre serei e tudo há de assim ser.

Escurece oh meia noite, eis que me reconheço nela,
Junto a ela, e no mesmo ato deste desato que tudo escurece em mim.
Assim findo minha luta, mas fim-dando, outro tempo brilharei/vibrarei,
Serás eu o próprio meio dia... Que astro, oh!
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Dos encantos desencantados.

Vi hoje o brilho de uma estrela apagar como se fosse sonho.

Senti como se fosse as cinzas de um tempo fogo

Que até mesmo o tempo esqueceu.

Sou hoje esse verso dela e eu, que agora desfloresceu..

Morte a esse sentimento que em mim moribundamente teceu...

Cansei, estou fora desse sentimento de outrora.
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Eis o grito do artista que cria seu próprio brilho, sua própria vida.

O meu sangue nasceu sentenciado a morte.
Não há res-peito no peito de quem desigualmente me eclipsia a vida.
Matam-me desde sempre!
Aqui jaz!
Onde nunca pude me virir além de mim mesmo.
Morto e executado desde o dia em que nasci.
Extirpado em vida!
Esgotado é o mundo!
Fim-dá fôrma em vazio à todo sumo do meu ser.
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Amigos

Meus amigos, normais amigos, eu também gosto de fazer coisas fora de um padrão já determinado e comum. A novidade, o novo ato me instiga, me encanta, isto me faz sentir vivo, à vocês não?

Meus amigos, normais amigos, eu não tenho tantos amigos, nem muito menos tenho amigos loucos ou que ao menos elogiem a lou-cura, que também façam loucuras, e como um raio, fuja da regra e iludam as normas.

Não se trata, pois, de uma loucura total, trata-se de uma dança, de um saber ser e fazer diferente, mas nem sempre, pois “todos temos um par de chinelos velhos onde nos sentimos mais a vontade e podemos para lá voltar”; é compreender que pode vir a ser, uma dança, andança…

“É preciso saber vi-ver!”, como cantarolava Gonzaguinha, mas antes não concordam que é importante aprender a dançar?

Oh normalizados amigos, não precisamos – sempre – repetir (apenas reproduzir) o feito, o per-feito, de uma cultura perceptivelmente em decadência: em que rótulo encontramos este ou aquele certo/errado? Por ser mais conveniente julgamos ser aquilo que é vivo, unicamente isso é vivo? E ainda, é vivo para quem? Mas é este fato, em suma, ao mesmo tempo, vazio de Si, portanto, vazio. De que então valerá tu? Tua vida? Teu suor? Tua luta para se manter vivo nesta vida?

Mas normais amigos, desculpem-me se se julga isso que vos falo inconveniente. Mas me chega um sentimento de que não sinto prazer em vi-ver repetindo as tradições dos outros, não totalmente, ou levando até o pé da letra, percebo que é bem mais legal podermos criar, podemos depois voltar, não há quem nos impeça tentar..

No mínimo, olhemo-nos a cultura de nós mesmos, todos temos um mundo dentro de si, que pode ser infindável… Cabe-nos ao menos verificar se há luz, se há força para girar por si mesmo uma roda, a roda das rodas! Há esse esmerado movimento que acontece no mundo, esse eterno girar, ser, Vi-ver.
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