Lista de Poemas

Memória

Esqueço nomes, faces
Cômodos da casa
Os compromissos 
Confusão sobre 
Quem sou, estou
Aqui parece estranho e familiar 
Quero ir para casa
Mas, onde eu moro?
Habito em mim? 
demência dormência 
Dos sentidos 

O equilíbrio em desequilíbrio 
Repetições infinitas 
Poderia voar e ir com 
Os pássaros que passam
Na minha janela 
No azul celeste de um dia 
Tão extraordinariamente comum 
Apática 
Deglutindo palavras 
Embaracadas.

👁️ 55

Beijo

Tocar a tua pele
É queimar-se 
Virar cinzas 
Ser soprada 
Levada
Em fragmentos 
Minúsculos 
Pelo vento 
Teu beijo 
Morte
E ter te amado
Foi perder-se no abismo

AntoniaK 
 

👁️ 78

Juliana

Um corpo dançante 
Sorriso abraçando a vida  
Olhos  ávidos, rapidos 
Passantes em lugares (in)comuns por aí
Leve e forte como o vento 
Agora inerte dorme
Abraçada as cinza  de um vulcão. 

Antoniak 
07/25

 

👁️ 11

Milissegundos

O teu pseudo-amor 
atingiu-me com a força de milhões de sóis 
Com as rajadas rápidas da tua voz
calcinou-me

 

👁️ 15

Amanhecer

O lumiar erguendo-se
Sob o manto d'água 
Feito ourives forjando o tempo
Fragmentando a luz
Revelando o dia em tons multicores 
As ondas compondo sons
Tocando meus pés nus
O mar  e  o alvorecer 
Devorando-se
Gestando ciclos infinitos 
De Nascimento e morte 
Caminhando em direções opostas 
Um intervalo entre nós 

Antoniak 

👁️ 85

Lápide

Decerto os mortos 
Estão mortos
Há mortos habitando 
Dentro da gente

Parecemos túmulos 
Carregando-os
Por todos os cantos
Imorredouro 
Medo de perde-los.

01/02/25

Antônia K

👁️ 211

Disfasia

Tudo que a voz não disse 
Pigarro crônico 
A fala não  deglutida 
Ingerindo palavras mal ditas
Deglutinação 

Ak


 
👁️ 16

Lagartas

Um jardim 
No canto o vaso abriga
Flores silvestres 
Precisamente lírios do campo 
Imponentes erguidas  ao alto

No subterrâneo 
Crescem cebolas apetitosas 
Um convite ao banquetear-se
De lagartas 
Famintas devoradoras 
Da consciência.

AK
👁️ 171

Aranha

Aranha tecendo  mandalas 
Fiandeira das rotas
Labirintos do tempo 
Do banquete 
De insetos 

Nas bordas
Nascedouro de estrelas 
Tecidas com fios
Do tecido  do tempo
Da espera 
Do nascer 

-Ak
👁️ 224

Silêncio


A crueza do silêncio
Num retorno congelante da voz
Absolutamente preciso.

Pedaços de gente emoldurando os vitrais
Eternizando  recortes de tempo
Sorvendo goles de tristeza
Ao entardecer.

Chuvas torrenciais na face pálida
Impulsos de recusa das gotículas 
umidecendo os lábios desidratados
Em conta-gotas 
As doses da cura;

Rasgada as vestes
Em um lugar secreto
Revela-se
Um sorriso  disfarçado
Embaraçado de dor.


- AK
👁️ 299

Comentários (2)

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antoniak
2020-08-01

Gratidão!

joaoeuzebio
2020-07-31

PARABÉNS ANTONIA PELAS PALAVRAS PELO SENTIMENTO GOSTEI DE TEU POEMA UM ABRAÇO