Lista de Poemas
Análise Sensorial do Teu Corpo
Toda dor
Pétalas despertas
Inalando o odor
Emanação.
Tateando teu corpo
Com o tato
Intensidade dos teus tons, formas e texturas.
Meus sentidos químicos excitas
Teu gosto ácido-doce.
Percepções olfativas- gustativas do teu corpo-sabor.
AK
voz
desencantarei
Tu minha composição poética
AK
Abismo Antigo
Uma tristeza milenar
escorre pelos corredores da minha alma,
inunda as frestas dos meus dias,
cobre de sombra o sol que em mim respira.
Invade cada canto,
cada silêncio,
cada palavra não dita.
O abismo, paciente,
mira tudo que me envolve —
é olhar profundo,
eco sem fim,
um chamado que pulsa
nas margens do meu ser.
E eu, feito ponte suspensa,
atravesso o vazio
com passos de névoa
e esperança tardia.
AntôniaK
Cansaço
Estou tão cansada
das falácias que ecoam em bocas vazias,
dessas vozes que se erguem
como se carregassem verdades absolutas
mas não passam de poeira,
ruído, distração.
Cansada dos vídeos rápidos, brilhantes,
que prometem conhecimento
e entregam sombras,
fragmentos rasos,
informação sem alma,
conteúdo sem profundidade —
um banquete de nada
servido para mentes famintas.
As pessoas, hipnotizadas pelas telas,
absorvem imagens como quem respira fumaça,
uma névoa que captura, molda,
e dita — silenciosa —
a forma de pensar, sentir, existir.
Buscando algo sem saber o quê,
numa fome insensata, exausta,
que só produz mais cansaço,
mais alienação.
Estou cansada da mídia,
dos discursos prontos,
dos governos que prometem mundos
e entregam labirintos,
da estupidez humana
que insiste em florescer
em tempos que pedem consciência.
Estou cansada.
Mas esse cansaço também é sinal:
o corpo pede verdade,
a alma pede profundidade,
o espírito pede um mundo que respire
menos ruído
e mais humanidade.
AntôniaK
Procura II
Doem as lembranças
Do que fomos
Um tempo inteiro, doce, nosso
Fere o peito pensar
Que não deu certo,
Que deixamos palavras frias
Escorrerem como lâminas sobre nós,
As vezes te procuro na saudade,
As vezes busco a menina que fui
Aquela que acreditava
Na ternura do mundo, no amor,
Hoje caminho devagar
Por dentro de mim,
Tentando encontrar
O que em nós se perdeu.
Antônia K
Procura
Há dias que te busco na memória
Pelas coisas boas que fomos
Há dias que sinto uma tristeza
Pelas palavras cortantes
Que feriram pele, emoção e alma
Há dias em que sinto saudade de mim
E sigo me procurando
Nesse labirinto que ficou de nós
Antônia K
Silêncios
Sou feita de quedas, e subidas
De aurora e poente
De lágrimas que aprenderam a calar,
De mundos que desabam dentro,
E renascem em silêncios.
Antônia K
A antiga tristeza
Há em mim uma tristeza milenar,
Selenciosa como uma brisa nas ruínas,
Profunda como um oceano
Esquecida pelo sol
Se espalha por todos os espaços
Em gestos, suspiros,
Em lembranças
Que não consigo nomear.
Antônia K
Abismo
O abismo me observa -
Não com crueldade,
Mas com o olhar de quem compreende
As feridas que o tempo não apaga, não cura.
Ampara velando uma dor.
Miríade
A explosão de miríades no céu
Caindo em cascata cintilante
Ao atingir o solo
Devastando tudo que alcança
O horror bélico
Sepultamento a céu aberto
De vidas
Os olhos voltados ao firmamento
O infinito de estrelas
Eu da minha janela luminescente observo
As luzes incandescentes
em reação, irradiação
A beleza é o horror
De átomos instáveis
Antoniak
Comentários (2)
Gratidão!
PARABÉNS ANTONIA PELAS PALAVRAS PELO SENTIMENTO GOSTEI DE TEU POEMA UM ABRAÇO
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