Lista de Poemas

Iscariotes

Tudo bem?
Voltarei outro dia.
Talvez daqui um mês.

O tempo?
Não existe!
É fetiche, é traição,
Iscariotes!

Calma, levo-te,
levanto-te daqui um ano.
Talvez para sempre.

O tempo?
Não existe!
É fetiche, é traição.
Afrodite!

Leva-me embora carbono,
Lavo-me nas tuas chagas.
As que calam e consentem


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2010/03/escariotes.html
👁️ 102

Esclerótica Côncava

Calma, aprenda a sentir os anis anestésicos.
Licorosos e espumantes pensamentos, Orpheu!
Nega-te! Negue sua ilusória existência!

Fingirás, então, a dialética demagógica, além do Olimpo.
Pois remarás em remansos, morrerá no Aqueronte em prantos!
E ficará pasmo ao cantar a Caronte, sem nenhum encanto,

A inédita reprise desse canto!


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


https://www.poesiasnonsense.com/2010/03/esclerotica-concava.html
👁️ 115

Soneto da vontade dele

De repente do contínuo pranto, o verdadeiro riso.
Da espuma raivosa, silenciosa e branca como a bruma.
As bocas amantes e adversárias se uniram sem farruma
Do espanto as mãos espalmadas, sem nenhuma sobreaviso

Do vento, de repente e fugaz calmaria, desfrizo.
Última chama que dos olhos se esquivava e escarruma.
Se refez, o pressentimento afogado ressurgiu com soruma.
Do drama pairou o imóvel momento com odor elicriso.


De repente, não mais que de repente.
Da tristeza se fez o ardor amante.
E de contente o que se fazia sozinho.

De perto fez-se amigo o que era distante
De uma vida aventureira ordeira e errante,
De repente, não mais que de repente, um nózinho.



(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


https://www.poesiasnonsense.com/2009/11/soneto-da-vontade-dele.html
👁️ 98

Só.
Depois da chuva
Somente...

Amalgamado em repúdio retratos,
juntos trapo por trapo.
Escondendo de todos,
aquele antigo retrato

Você sorria?
Dia-a dia
Todos os dias que não foram dias

Caminhávamos...
Mas, para qual local?

Andarilho de um canto só,
viverás a vida pra cantarolar
As mesmas lembranças,
que habitam aquela velha rede.

Olhos lavados de lágrimas,
orvalham um peito que já fora seu!
Ordenhe o presente,
Cala-te o futuro!



(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/11/so.html
👁️ 99

Constituintes

Corruptos!
Raptam a cor da bandeira,
dos quilombos e das sobrancelhas...

O verde esperança, que carranca,
nos olhos de miseráveis crianças!
Documentos pastéis, em discursos fiéis!

Colarinhos brancos abarrotados
De variáveis pedidos miseráveis...

Abarrotados canarinhos,
que neste país,
voam pelo verde-esperança,
Verde lavagem,
estomacal vingança...

Fuçam a lama,
alimentam a alma humana
com esta chacina mundana....

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)
👁️ 113

Nascer-me!

Vou sair rumo a Pasárgada....
preciso pensar-me,
                      sentir-me
                               descobrir-me
                                              afogar-me
                                                         velar-me!

Para só depois:

- nascer-me!


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/10/nascer-me.html
👁️ 161

Chuva

De repente,
tudo o que parecia certo
                                 m
                                 u
                                 d
                                 a.
Como a chuva que c
                                 a
                                     í
                                      a!
Tornando úmido,
o árido chão...

                                   A
                              gota de
                             improviso
                            estremece
                             qualquer
                              solidão
                           duas palmas
                       escondem a face
                       nenhuma palavra
                              emerge,
                               Então,
                                um
                              silêncio
                       ecoa, oa, oa, a, a...
                     A esperança atordoa,
                       Percebe o quanto?
              Queria estar em algum lugar?

                        Estar e amar,
            só depende de como propiciar,
                   que o orvalho faça,
          o amor em você novamente brot
                                                        a
                                                        .r.



(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/08/derrepente.html
👁️ 154

Utopias ideais

Mentira, a mais bela de todas!
Mentira, a vida, ceifada aos prantos.

Passarás a vida inteira,
acreditando em seu suspiro?
Uivando seus delírios?
Cheirando a carnificina?
Apadrinhando a esperança?
Lutando por sonhos?
Utopias ideais?
Mazelas, pobreza ou riqueza?

E no fim, no silêncio,
imaginativo de teus passos,
um golpe: silencioso,
milagroso, escandaloso!

Tirará-lhe o último brilho-suspiro!

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/04/vida.html
👁️ 146

KAWNEIOU

Nada mais exato que o absurdo!
Vãs esforços realizados pelos homens.

O significado niilista do sentido;
Fracassarão finalmente?

Por teu ceticismo,
os princípios da existência...

Nada chega ao fim!
Afinal a quem interessa tal desfecho?

Uma vaca sabe seu propósito (superior);
Servi-lo-ás com tua vida,
os famintos!

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/01/kawneiou.html
👁️ 113

Poetas e porcos

Escrever é como atirar uma pedra,
na imensidão que divaga.
Perdendo tempo discutindo,
temas importunos...

Infiéis, cegos!
Inúteis, intelectuais!


Certos, só os porcos!
chafurdam no que acreditam,
e só param quando a fome saciam...


Enquanto alguns esperam Deus,
Outros chafurdam a lama...
Enquanto alguns filosofam,
Outros vivem a vã filosofia!


Na imensidão desta ironia,
encontra-se o poeta.

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

https://www.poesiasnonsense.com/2009/02/poetas-e-porcos.html
👁️ 358

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