Lista de Poemas
Vidas soltas: Uma carta ao meu amigo
Lembro daquela passagem de ano, à boêmios em Las Vegas. Misto de sensações se faziam ao rubro: êxtase, embriaguez... e de todo o resto que a adolescência tem prazer. Animados, sorríamos com restos de presunto entranhados nos dentes, inconscientes de um futuro que muito breve seria incerto
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Fez Deus o diabo
Saudades palpitantes condensam memórias sofridas
Alma minha a ti procura escaldante
Como os navegadores as Índias
Mística é a tua beldade
Sem palavra deixara os poetas
Anjos caem à tua atração
Em teu nome montanhas desfilam
Óooh !
Que raio de um diabo chamamos Amor ?!
Quando se muito desejamos, menos o temos
Por si matamos, por si morremos
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O mundo segundo Eduardo Marinho
Pela a estrada à borda, sigo caminho com os pés sujos de terra
Não me apresso para aonde vou
Ao contrário desta gente que me cruza
Tenho o dia todo para ser eu mesmo
E se noite se fizer
Durmo encaixotado na rua da liberdade
No esplendor da arte errante, desando em procrastinações
À margem de gerações que se anulam para os ditames do mundo louco
Vidas desencantadas em bancos de carteira para garantir a carteira
Presidiários de escritórios !
Homens carentes de vida própria são objectos de um aparato social
Debaixo de rotinas esclavagistas rastejam quando o alarme desperta
Capitalismo desumano
Multinacionais são o cúmulo da riqueza mundial
O sensacionalismo materialista é demais o pesar da cultura universal
A democracia tirou a roupa e saiu à rua
Em nome do poder popular, governos e grupos dissimulam o elitismo
Bombardeiros americanos assombram os céus do Oriente
Civis em terra se refugiam aos prantos
Criaturas reduzidas ao esqueleto são figuras no cartaz da fome
E porque as agruras dos oprimidos não se ouvem dos céus longínquos
Se desvanece a fé no calor da penúria
Prosperidade é ouro de sermão
O clientelismo nas igrejas faz a vez do evangelismo
Homens sedentos de lucro
Mal sabem que o pretensionismo do ter
É despropositado para a finitude do ser
E para a experiência infame
Claro está que andamos todos de passagem
Uns absorvendo, outros observando.
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Música é Espiritualidade
Lembro-me quando mais novo. Era uma criança inocente como qualquer outra na minha idade. Distante de tudo que uma música poderia significar e do mais profundo sentimento que pudesse envolver, assistia desentendido a minha mãe, ouvindo músicas que cantadas em lingala não percebia patavina. Bagatelas que na minha cabeça não faziam o menor sentido. Até que um dia qualquer, já crescido e feito homem, ouvi para minha nostalgia, das cassetes que nos "tempos do antigamente" a mamã exalava lá em casa, inspirada e vibrante. Por breves instantes, tinha os olhos umedecidos. Foi das experiência mais simbólica que tive na vida. Era como se de repente fosse reconduzido para o colo da minha infância, e às minhas origens, com a lição de que foi preciso metade da minha vida para compreender os sentimento e emoções da mulher que me dera à luz
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O espetáculo do mundo
Inverno inclemente
Tarde fria como vingança no prato
Eis que de rastos cá estou
Colidido à beira mar...
Entre a brisa recalcitrante, ouço deleito o vaivém do mar ondulante
Astros nublados de um dia cinzento revestem o céu desolador
De Oeste a Este, sobrevoam as andorinhas o mar
E ao longe, se pousam sobre o centenário navio negreiro
Que já velho e desospedado, se revela por fim um pedaço da história
Penso: Quantos Homens escravizados ali se fizeram?
Quanta insanidade terá nele embarcado ?
Sucederá que embora à deriva, e quase de todo banhado no mar
É dito ecoarem no interior lamentações de espíritos inconformados
Indígenas africanos que ao mar se fizeram de vontade contrária...
Pés descalços e olhar introspectivo
Quando mais não fosse para uma viagem sem volta !
Enfim, talvez hajam nunca razões para memórias fúnebres
A morte dispensa lamentações
Todos à nossa hora perecemos
Intelectuais ou incultos, católicos ou protestantes, poetas ou indolentes...
Morre-se indiscriminadamente
O que haverá de mim quando tiver partido?
Terá a posteridade rastos da minha passagem ?
Saberá que num recinto de paisagem remota por onde repousa um silêncio possesso
figurara um homenzinho de alma dilacerada?
Como árvore caída no meio da floresta, o mundo não se dará pelo o meu sumiço
Seguirá antes indiferente
Com o vento a vibrar no mesmo tom, e as estrelas com o mesmo encanto
Haverá trânsito na estrada, e beberrões nos bares
Sorrindo às gargalhadas perante a distópica insignificância
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Desde o Big Bang que isto é um Caos!
Por quanto, na minha determinação, daria tudo por algo novo. Por um súbito que me pudesse arrebatar da minha ordem –jornadas de rotina – aquecendo terminantemente a minha alma. Não cesso de transbodar da enfada solicitude, sob o amanhecer da esperança que pelos olhos me trespassam inerte. Por pouco, me convenci de Camus, não mais desejar a felicidade, apenas o clarão da consciência. Mas logo me ocorreu darem os abismos pela consciência do saber. Como conspirar o tormento ao sossego, o sadismo ao júbilo? Supus assim bastar o amor, quando por mediocridade, tinha em ti a minha amada e tu em mim um sujeito amável – não fosse por cavalheirismo que te davas por prazer e me dignavas do teu ardor – Sucumbi objeto das contradições sociais que me conduziram ao niilismo, numa alma errante que não conhece sobre si qualquer autoridades de valores, farta das relacões humanas... que assiste impávida às ruínas do próprio interior.
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O ferro e a ferrugem
Aqui, no submundo, onde a terra encontra o céu circundante, faz impressão o tempo.Tudo se parece afectar pela a sua chancela : as ruas, ora alargadas, agora, estreitadas à vista. Os edifícios do antigamente surrealizam perder as alturas... Entre as pessoas, os amigos do costume deixam de estar, e com eles, um pouco de nós
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O amor é um animal que não se olha nos olhos
Vínhamos pelas encostas de corações leviantados. Abraços envolventes e sorrisos incontidos. Breves momentos que pareciam eterno, quando no canto da rua, refreamos os passos para o dispedir de mal querença. Preferia nunca deixar para trás tão pomposo momento. Mas lá fomos entre caminho cruzados. Jaziam saudades de tempos a fios. E antes mesmo que alucinasse um sonho, tornei os olhos para o fundo da rua - lá ias, seguindo despreocupada e singela - sem um só aceno, um último olhar ou um sorriso estendido. Como se a saudade que por anos nos viveu justo ali se bastasse. Justo ali se desaguasse para ceder às insuficiências da vida. Que animal venha ser o amor... que não se deixa revelar na sua mística para de súbito nos apossar sem piedade !
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Humano demasiado humano
No exílio do paraíso
cogito lancinante em mares de utopia
sem tributo nem glória
como a modéstia que implica o deserto
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Em verdade vos digo
A razão não é mais elevada que a loucura... Por isso incompreendida !
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Comentários (2)
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adilsoncastro
2020-12-02
os meus agradecimentos João, abraços !
joaoeuzebio
2020-12-01
LINDO POEMA FEITOCOM A ALMA E SABEDORIA VAMOS NAVEGAR POR AI
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