O mundo segundo Eduardo Marinho
Pela a estrada à borda, sigo caminho com os pés sujos de terra
Não me apresso para aonde vou
Ao contrário desta gente que me cruza
Tenho o dia todo para ser eu mesmo
E se noite se fizer
Durmo encaixotado na rua da liberdade
No esplendor da arte errante, desando em procrastinações
À margem de gerações que se anulam para os ditames do mundo louco
Vidas desencantadas em bancos de carteira para garantir a carteira
Presidiários de escritórios !
Homens carentes de vida própria são objectos de um aparato social
Debaixo de rotinas esclavagistas rastejam quando o alarme desperta
Capitalismo desumano
Multinacionais são o cúmulo da riqueza mundial
O sensacionalismo materialista é demais o pesar da cultura universal
A democracia tirou a roupa e saiu à rua
Em nome do poder popular, governos e grupos dissimulam o elitismo
Bombardeiros americanos assombram os céus do Oriente
Civis em terra se refugiam aos prantos
Criaturas reduzidas ao esqueleto são figuras no cartaz da fome
E porque as agruras dos oprimidos não se ouvem dos céus longínquos
Se desvanece a fé no calor da penúria
Prosperidade é ouro de sermão
O clientelismo nas igrejas faz a vez do evangelismo
Homens sedentos de lucro
Mal sabem que o pretensionismo do ter
É despropositado para a finitude do ser
E para a experiência infame
Claro está que andamos todos de passagem
Uns absorvendo, outros observando.
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