Lista de Poemas

O barco é meu leito

O tempo é corcel
troteando a vida
em sinuosos caminhos.

Há um rombo do tempo
no barco a sangrar
e há a gaivota perdida
sem mastro a chorar.

Chora alvoradas
em que os cios das águas
despertavam marés
e sente-lhe as mágoas
a rebentar o convés.

O barco é corcel
o barco é meu leito.

E o tempo tão célere
foge-me dos horizontes
em inúteis esperas
de melhores marés
no corcel do meu peito.

O barco a afundar...
E a gaivota esvoaça
no cimo do mastro
doutro barco a passar.
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Este cielo

Este poema está escrito em Mirandês, segunda lingua oficial de Portugal

Este cielo

Hoije
Pesa-me l cielo ne l peito
Dun cinza que siempre máabate.
Porquei a las bezes l cielo
Me anrebulha an nobielho
Toque de campanas a rebate
Dun suonho que fui çfeito?!

Onte
Bi-lo lebe, nien sabes quanto
Desse cielo que calece i acalma.
Anchiu-me de lhuç, de ternura
De l cuorpo tirou la zbentura
Apagou la tristeza de láalma
Un cielo buidor de pranto.

Manhana
Será azul fuorte ó claro
Cerúlio ó azul indigo
Un cielo a oubrigar-me a la lhuita
A la fuorça, sprança, lhabuta
Siempre doce, siempre amigo
Cumpanheiro i amado.

Este cielo adonde me scapo
Adonde suonho, adonde máeilebo
I a la pormanhana me lhabo.
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Em silêncios

Falas-me no silêncio do teu olhar
Sentado no recanto dos teus laços.
Porque não me beijas tu
Quando desejas
Porque me deixas
Com sede dos teus abraços?!

Bebes-me em goles
Devagarinho
Eleges-me raínha
Em trono dourado.
Dizes-te por dentro o meu amado
Esboças por dentro um sorriso.

E eu vivo fora
Porque de fora sou
Exuberante como escarlate rosa
Fora ao relento sob o céu estrelado
Fora ao orvalho da doce madrugada
Dentro da lua e assim me dou.

Quero ver dentro e às vezes não posso
Quero-te abraçar e às vezes não ouso
Quero-te falar e os lábios cerram
E fico contigo como barco em porto
Enroscada aos sentires no ninho que é nosso.

Olhas-me em silêncio
Sonhas-me calado
Sonho-te dormindo
Sinto-te a meu lado.

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Dói-me

Tenho a mão vazia
Aberta
Como pedinte
Sem esmola.
Prostrada
Inerte
Dos gestos
De despedida

Doem-me os dedos
De tão cansados
Dói-me a alma
De tão aberta
Dói-me a mão
De tão vazia...
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Dor da partida

Sento-me no chão para te sentir mais perto
Descalça te caminho, com o passo certo
De nevoeiros me visto, de vestes despida
Sinto-te por drento, choro-te na despedida

Estendo os meus braços num abraço infindo
E assim fico, pensando estar contigo
Ah, se tu soubesses quanto me doi o peito
Ao partir agora, sempre deste jeito

Mas hei-de voltar, prometo-te e juro
Para ancorar em porto seguro
Dedos cruzados beijo, selando a promessa
Para que me esperes, me abraces sem pressa.

Ó terra querida se me quisesses tanto
Quanto eu te quero,e que te deixo em pranto
Prendias-me a uma laçada, na argola da vida
Não me deixavas ir e davas-me guarida
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Ó maio

Ó Maio florido
Que me vais trazendo
Ano após ano
As cores do Outono
Veste-me de folhas
Que me vão aquecendo
As noites, os dias
Que me vão correndo
Veste-me de flores
Mesmo que seja Inverno!
Perfuma-me com odores
De estevas e giestas
De rosas bravas e de madressilva
Põe-me na cabeça
Uma grinalda de flores
Veste-me de Maio
Mesmo que sinta dores
Veste-me de cores
Mesmo que seja Inverno!
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