Lista de Poemas
Sorvendo a brisa do entardecer
Se ao menos pudesses ouvir o canto dos suspiros
De ansiedade para ancorar no cais
Se ao menos as tuas mãos sentissem a minhas
Trémulas as minhas mãos, agonizando em ais
Se ao menos tu sentisses os abraços
Guardados no silêncio dum refúgio
Se ao menos os teus passos
Seguíssem os meus passos
Sem desculpa de cansaço ou subterfúgio
Se ao menos veredas eu pudesse inventar
Para os espinhos não cortarem as palavras
Se ao menos eu pudesse segurar
O orvalho de frescas madrugadas
Deglutido por um outono a ameaçar
As mãos
Os braços
O cais em derrocadas
Se ao menos eu soubesse beber
Sorvendo
Na despedida dum sol que sempre volta
A brisa leve do entardecer...
De ansiedade para ancorar no cais
Se ao menos as tuas mãos sentissem a minhas
Trémulas as minhas mãos, agonizando em ais
Se ao menos tu sentisses os abraços
Guardados no silêncio dum refúgio
Se ao menos os teus passos
Seguíssem os meus passos
Sem desculpa de cansaço ou subterfúgio
Se ao menos veredas eu pudesse inventar
Para os espinhos não cortarem as palavras
Se ao menos eu pudesse segurar
O orvalho de frescas madrugadas
Deglutido por um outono a ameaçar
As mãos
Os braços
O cais em derrocadas
Se ao menos eu soubesse beber
Sorvendo
Na despedida dum sol que sempre volta
A brisa leve do entardecer...
👁️ 1 508
Na paleta
Às vezes
Há uma paleta a que faltam pigmentos
Cores que talvez não identifique
Não procure, ou
Procurando não encontre
Mas avanço
Há vazios
Que permanecem incolores
Onde a tinta não agarra
As palavras não dançam
A música não vibra
Tudo pára
Nada alcanço
Depois
Completo a paleta
A tela enche-se
As fontes brotam palavras
Os sons produzem melodia
E eu
Danço, danço
Há uma paleta a que faltam pigmentos
Cores que talvez não identifique
Não procure, ou
Procurando não encontre
Mas avanço
Há vazios
Que permanecem incolores
Onde a tinta não agarra
As palavras não dançam
A música não vibra
Tudo pára
Nada alcanço
Depois
Completo a paleta
A tela enche-se
As fontes brotam palavras
Os sons produzem melodia
E eu
Danço, danço
👁️ 1 405
Doce rio, meu amado
Sigo-te no silêncio das arribas
Rio meu que calmo segues
Entre rochedos e zimbros
Transmitindo a paz que bebes
Ah, se eu pudesse chegar-te
E me entregar em teus braços
Mesmo que trémula eu iria
Para me receberes com abraços
Pois tu não vês que descendo
Eu nunca mais subiria
De teus braços me desprendendo
Eu subir não poderia
Vives assim heremita
Sozinho bem lá no fundo
De tuas dores já padeces
Sozinho nesse teu mundo
Ah, se eu pudesse beber-te
E em ti mitigar securas
Banhada nas tuas águas
Lavava em ti amarguras
Doce rio, meu amado
Eu hei-de alcançar-te um dia
Nas águas do mar salgado
Envoltos em maresia
Rio meu que calmo segues
Entre rochedos e zimbros
Transmitindo a paz que bebes
Ah, se eu pudesse chegar-te
E me entregar em teus braços
Mesmo que trémula eu iria
Para me receberes com abraços
Pois tu não vês que descendo
Eu nunca mais subiria
De teus braços me desprendendo
Eu subir não poderia
Vives assim heremita
Sozinho bem lá no fundo
De tuas dores já padeces
Sozinho nesse teu mundo
Ah, se eu pudesse beber-te
E em ti mitigar securas
Banhada nas tuas águas
Lavava em ti amarguras
Doce rio, meu amado
Eu hei-de alcançar-te um dia
Nas águas do mar salgado
Envoltos em maresia
👁️ 1 408
Há palavras
Ha palavras que são gelo
outras sol em glaciar
Há palavras que fazem rir
Outras que fazem chorar.
Há palavras que ficam
presas na sílaba mais profunda
e há palavras que saem
livres
sempre a saltar.
Há palavras
que são lanças
duma guerra que não querem
Há palavras que são gritos
cansadas de seu penar.
Ah,
mas há palavras que são olhos,
mãos, pele,
deleite
e doce mel
duma nascente a brotar...
outras sol em glaciar
Há palavras que fazem rir
Outras que fazem chorar.
Há palavras que ficam
presas na sílaba mais profunda
e há palavras que saem
livres
sempre a saltar.
Há palavras
que são lanças
duma guerra que não querem
Há palavras que são gritos
cansadas de seu penar.
Ah,
mas há palavras que são olhos,
mãos, pele,
deleite
e doce mel
duma nascente a brotar...
👁️ 1 255
Este céu
Hoje
Pesa-me o céu no meu peito
Dum cinzento que me abate
Porquê que às vezes o céu
Se me envolve que nem véu
Toque de sinos a rebate
Dum sonho que foi desfeito.
Ontem
Vi-o leve, nem sabes quanto
Desse céu que aquece e acalma
Encheu-me de luz, de ternura
Do corpo tirou a desventura
Apagou a tristeza da alma
Um céu bebedor de pranto.
Amanhã
Será azul forte ou claro
Cerúleo ou azul indigo
Um céu a forçar-me à luta
À força, à esperança, à labuta
Sempre terno, sempre amigo
Um céu companheiro amado.
Este céu onde me evado
Onde sonho, onde me elevo
Onde de manhã me lavo.
Pesa-me o céu no meu peito
Dum cinzento que me abate
Porquê que às vezes o céu
Se me envolve que nem véu
Toque de sinos a rebate
Dum sonho que foi desfeito.
Ontem
Vi-o leve, nem sabes quanto
Desse céu que aquece e acalma
Encheu-me de luz, de ternura
Do corpo tirou a desventura
Apagou a tristeza da alma
Um céu bebedor de pranto.
Amanhã
Será azul forte ou claro
Cerúleo ou azul indigo
Um céu a forçar-me à luta
À força, à esperança, à labuta
Sempre terno, sempre amigo
Um céu companheiro amado.
Este céu onde me evado
Onde sonho, onde me elevo
Onde de manhã me lavo.
👁️ 1 410
Guardo
Guardo nos lábios
o orvalho do beijo,
na pele,
os pigmentos deixados
pelas tuas mãos.
Guardo na mão
o abraço perdido no tempo
e na alma
a essência dos porvires.
o orvalho do beijo,
na pele,
os pigmentos deixados
pelas tuas mãos.
Guardo na mão
o abraço perdido no tempo
e na alma
a essência dos porvires.
👁️ 1 353
Meu rio d´ouro
Doce rio a ti não desço
encalhado entre rochedos
olho-te de cima a tremer
eu bem te queria descer
mas no corpo brota-me o medo.
As vertigens
puxam-me tanto
que eu tenho que recuar
meu rio, meu amado
parto logo para outro lado
embora me apeteça ficar.
Um dia encher-me-ei de coragem
para descer os carreiros
salto os rochedos
e sem medo de rebolar
abraço as tuas margens
sigo contigo a viajar.
Meu rio tão sinuoso
e logo abaixo sereno
cavaste vales
desditoso
neste planalto rugoso
mas é aqui que és mais belo.
encalhado entre rochedos
olho-te de cima a tremer
eu bem te queria descer
mas no corpo brota-me o medo.
As vertigens
puxam-me tanto
que eu tenho que recuar
meu rio, meu amado
parto logo para outro lado
embora me apeteça ficar.
Um dia encher-me-ei de coragem
para descer os carreiros
salto os rochedos
e sem medo de rebolar
abraço as tuas margens
sigo contigo a viajar.
Meu rio tão sinuoso
e logo abaixo sereno
cavaste vales
desditoso
neste planalto rugoso
mas é aqui que és mais belo.
👁️ 1 276
Hei-se
Chegas-me Outono
a saber a Setembro,
a despedir-me
dos estios grávidos de luz,
que me bronzeiam a pele desnuda.
Chegas-me Outono
em coisas perdidas,
na incerteza dos dias,
incerta a vida,
incerto o Inverno...
Sorvo-te Outono,
sôfrega,
enquanto o meu corpo é dia,
noite o meu sonho,
enquanto no meu regaço
couberem as folhas
que se me desprendem do manto.
Hei-de deleitar-me
com as aves últimas,
sobreviventes à queda da folha,
molhadas pelas primeiras chuvas
e resistindo aos crepúsculos.
Hei-de aconchegar-me ao Inverno,
sentindo as cores do Outono...
a saber a Setembro,
a despedir-me
dos estios grávidos de luz,
que me bronzeiam a pele desnuda.
Chegas-me Outono
em coisas perdidas,
na incerteza dos dias,
incerta a vida,
incerto o Inverno...
Sorvo-te Outono,
sôfrega,
enquanto o meu corpo é dia,
noite o meu sonho,
enquanto no meu regaço
couberem as folhas
que se me desprendem do manto.
Hei-de deleitar-me
com as aves últimas,
sobreviventes à queda da folha,
molhadas pelas primeiras chuvas
e resistindo aos crepúsculos.
Hei-de aconchegar-me ao Inverno,
sentindo as cores do Outono...
👁️ 1 290
O verde orvalhado
Rumo ao mar no verde dos teus olhos
e lá me detenho sem dar conta
de que o mundo freneticamente corre.
Lá vejo ondas que me massajam os sentidos,
apanho búzios para os pôr nos ouvidos
quando longe eu te quero,
encostando ao rosto as carícias bejes de madrepérola.
À vezes pressinto nos teus olhos cardumes tristes,
perdidos no labirintos das algas,
a fugir da luz
para se esconderem nas profundezas dos corais.
E lá ficam,
a mirrar de fome e sede,
nesse mar de flor de sal,
reluzente como mica.
Depois,
olhas-me com a leveza das flores,
com a profundidade dos veios das montanhas,
e brotas na nascente
a tremer de pressa...
O verde dos teus olhos é de erva orvalhada
no lameiro dos meus desejos...
e lá me detenho sem dar conta
de que o mundo freneticamente corre.
Lá vejo ondas que me massajam os sentidos,
apanho búzios para os pôr nos ouvidos
quando longe eu te quero,
encostando ao rosto as carícias bejes de madrepérola.
À vezes pressinto nos teus olhos cardumes tristes,
perdidos no labirintos das algas,
a fugir da luz
para se esconderem nas profundezas dos corais.
E lá ficam,
a mirrar de fome e sede,
nesse mar de flor de sal,
reluzente como mica.
Depois,
olhas-me com a leveza das flores,
com a profundidade dos veios das montanhas,
e brotas na nascente
a tremer de pressa...
O verde dos teus olhos é de erva orvalhada
no lameiro dos meus desejos...
👁️ 1 338
Não sei
Não sei
se o que avanço é com os passos
que as minhas pernas autorizam
ou se, pelo contrário,
elas entraram em colapso
e caminho
com a inércia dos passos caminhados.
Esmago
a fúria contra os rochedos
dum oceano revolto,
aperto o peito,
sustenho o respirar
para que nos olhos
não cresça a raiva,
em vez de lágrimas.
Suspeito
que o mundo onde me largaste
não é o meu mundo,
o campo onde me movimento
não é o meu espaço.
Ó céus,
para quê tantas estrelas cadentes,
tantos meteoritos a incendiar a terra
e a cavar fossos
cada vez mais profundos
entre as gentes?!
Ó terra,
vendida por mercadores,
hipotecada ao futuro,
sem garantias,
com promessas de Éden,
não deixes!!
Não sei se quero avançar
neste estádio acabado,
ou antes regredir,
voltar a larva
e assim ficar.
Não sei
se caminho
para este futuro incerto
ou se paro,
semente perdida
num deserto!...
se o que avanço é com os passos
que as minhas pernas autorizam
ou se, pelo contrário,
elas entraram em colapso
e caminho
com a inércia dos passos caminhados.
Esmago
a fúria contra os rochedos
dum oceano revolto,
aperto o peito,
sustenho o respirar
para que nos olhos
não cresça a raiva,
em vez de lágrimas.
Suspeito
que o mundo onde me largaste
não é o meu mundo,
o campo onde me movimento
não é o meu espaço.
Ó céus,
para quê tantas estrelas cadentes,
tantos meteoritos a incendiar a terra
e a cavar fossos
cada vez mais profundos
entre as gentes?!
Ó terra,
vendida por mercadores,
hipotecada ao futuro,
sem garantias,
com promessas de Éden,
não deixes!!
Não sei se quero avançar
neste estádio acabado,
ou antes regredir,
voltar a larva
e assim ficar.
Não sei
se caminho
para este futuro incerto
ou se paro,
semente perdida
num deserto!...
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Hoje
Pesa-me o céu no meu peito
Dum cinzento que me abate
Porquê que às vezes o céu
Se me envolve que nem véu
Toque de sinos a rebate
Dum sonho que foi desfeito.
Ontem
Vi-o leve, nem sabes quanto
Desse céu que aquece e acalma
Encheu-me de luz, de ternura
Do corpo tirou a desventura
Apagou a tristeza da alma
Um céu bebedor de pranto.
Amanhã
Será azul forte ou claro
Cerúleo ou azul indigo
Um céu a forçar-me à luta
À força, à esperança, à labuta
Sempre terno, sempre amigo
Um céu companheiro amado.
Este céu onde me evado
Onde sonho, onde me elevo
Onde de manhã me lavo.
Pesa-me o céu no meu peito
Dum cinzento que me abate
Porquê que às vezes o céu
Se me envolve que nem véu
Toque de sinos a rebate
Dum sonho que foi desfeito.
Ontem
Vi-o leve, nem sabes quanto
Desse céu que aquece e acalma
Encheu-me de luz, de ternura
Do corpo tirou a desventura
Apagou a tristeza da alma
Um céu bebedor de pranto.
Amanhã
Será azul forte ou claro
Cerúleo ou azul indigo
Um céu a forçar-me à luta
À força, à esperança, à labuta
Sempre terno, sempre amigo
Um céu companheiro amado.
Este céu onde me evado
Onde sonho, onde me elevo
Onde de manhã me lavo.
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