Escritas

Lista de Poemas

Percepção


É preciso ler, o que não está escrito.
É preciso perceber o que dizem as entrelinhas.
É preciso decifrar as insinuações.
É preciso olhar para onde não aponta o dedo.
É preciso viver, a vida que não é viva.

Porque na percepção se modifica a razão.
Porque na emoção se acelera o coração.
Porque na verdade se conforta a dor.
Porque na realidade, se perpetua o amor.
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A mais perfumada flor


Ah! Meu amor não sofra tanto desse jeito
Que por amar viver assim não tem valor
Não acumule amarguras no seu peito,
Vê-la assim eu não aceito, você não merece a dor.

Ah! Minha amada, me desculpe a franqueza,
Pois chorar é uma fraqueza,  que você não deve ter.
Enxugue o rosto, ponha nele um sorriso,
Pois só isso que é preciso, para parar de sofrer.

Encare a vida, como se fosse uma festa,
Vista o seu melhor vestido, se arrume com primor!
Pinte essa boca do vermelho mais berrante,
Venha ser do meu jardim, a mais perfumada flor.

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Pele morena (poema musicado)


A brisa soprava leve e tão longe,  
que mal se ouvia o seu sussurrar...

E o tempo passava demais preguiçoso,
não se percebia o seu caminhar.

O sol que brandia seus feixes de luz,
como se estivesse querendo cegar...

Fazia morena a pele macia,
beleza qual flor a desabrochar.

Dos lábios murmúrios de amor se ouviam,
como se segredos quisessem contar.

Nos olhos serenos o azul refletia,
as cores do céu e as cores do mar.


Êh! Marinheiro! Deixa essa brisa brincar,
Com os cabelos dela, voando livres no ar!
Êh! Jangadeiro! O dia é só pra pescar.
Pesque o sorriso dela! Sonhe com ele ao luar.
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Sequer olhou para trás...


Sequer olhou para trás...
Eram tantas as mágoas daquele amor,
E era tanto por ele sofrer,
Que o caminho que se abriu, seria a única opção.
Por ele iria seguir...

Olhar fixo nas linhas do horizonte...
A forte brisa que soprava no rosto,
Transformava as lágrimas que rolavam
Em  pequenos pássaros diamantados.
E eles voavam, pousando em um passado que não mais se veria.

No encontro do horizonte,  a morada da paz que almejara.
Lá onde o sol se põe nas tardes espalhando ouro no céu,
Encontraria razões, verdades, esperanças...
Lá onde o dia termina, entregaria seu fardo de dor
E a vida enfim, poderia recomeçar.

Porque nem todo adeus, é uma partida.
Por vezes, é apenas o prenúncio de uma chegada.
As paisagens passam e assim como a vida, se transformam...
Os caminhos tortuosos  levam ao mar e este, nos oferece o mundo.

Sequer olhou para trás...
Lá ficaram apenas sonhos que não se realizaram,
Assim como um dia se apagarão as lembranças e com elas, as saudades.
É quando um passado se transforma em serenas lições de vida
E assim, começamos a escrever,  uma nova história.
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Quantos portões me separam do mundo?


 
Um grande portão de madeira,  separa minha casa, da rua.

Eu mesmo o fiz, serrando as madeiras, lixando, parafusando, envernizando...
Está lá fazem anos, cumprindo seu papel de proteger minha morada.
Mas, quantos portões me separam da vida?

O  portão do medo. Trancas e cadeados!

Ele  que me separa de tudo que me é desconhecido.
Novas pessoas, novos lugares, novos costumes. Até mesmo, das novas verdades.
Dificilmente, eu o abro. Às vezes, apenas o entreabro, e volto a fecha-lo,  rapidamente.
É como se abusasse da curiosidade em saber o que estou perdendo quando não saio por ele.
Se não encarar os meus medos,  saindo por este portão e fechando o cadeado,
jamais saberei o que poderia ter sido, o que poderia ter conhecido, o quanto poderia estar diferente. Mas, e se eu encontrar com o medo, lá fora?

Também  mantenho fechado, o portão das lembranças.

É uma forma de garantir que más lembranças não venham fazer parte da minha vida.
E que as boas lembranças  não me deixem.
E elas ficam lá, na minha mesa, no meu quarto, na sala de estar...
Estão sempre comigo.

Perdi as chaves do portão da saudade...

Ele fica sempre aberto. Por isso, às vezes ela entra e fica um tempo comigo. Por vezes é simpática, já em outras...
Mas cada um convive com as saudades que  construiu, não é mesmo?
Tenho aprendido a conviver com minhas saudades. Fazem parte de mim, afinal.

O portão das verdades...

Ah! Esse portão vive emperrando. Tenho que constantemente lubrificar  suas dobradiças.
Não podemos deixar que nossas verdade se acumulem, de forma a prejudicarem nossos espaços.
De vez em quando, preciso abrir esse portão rapidamente e por para fora, tudo aquilo que me incomoda. Quando o portão emperra, a angústia aumenta. Por isso, ele precisa estar sempre em ordem. Precisou, abriu! E lá se vão minhas verdades para se debaterem com o mundo.  Algumas sobrevivem. Às vezes...

O portão da esperança!

É o mais bonito, com certeza.
Do outro lado, é sempre primavera. Os dias são de muito sol, a paisagem é um campo sempre coberto de flores...Sempre saio por ele e fico por lá um tempo.
Tem uma árvore, que chamo de poesia. É uma espécie de confidente e não é loucura, não. Ela me ouve... E não me julga. Para ela conto minha vida, meus desejos, meus sonhos, minha forma de ver o mundo e de sentir o que as outras pessoas sentem.
Há tempos, fiz um balanço em um dos seus galhos e fico lá, me embalando na poesia e me confortando do mundo. Todos deveriam ter um balanço igual a este. Todos deveriam ter um grande portão chamado esperança.

O portão dos anos que passam.

A cada ano, ele fica mais convidativo.
A cada ano, dou um passo a mais em sua direção.
Sei que um dia, sairei por ele, e não voltarei mais.
Deixarei não só a minha casa, como  as pessoas, as lembranças, as saudades, as verdades  e o medo.
Só levarei comigo, a esperança. A poesia, ficará para quem  quiser  balançar-se e sentir a brisa no rosto.
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Desatino


Intermináveis dias de pensar,  infindáveis reflexões.
Incontáveis horas perdidas, em busca de soluções.
Quantos anos já se passaram e nada foi  diferente?
Quantos  serão necessários até desistir, finalmente?

Afinal, o que é mesmo esta vida, que a tanto tempo persigo?
É estranho, mas quanto mais navego, menos portos eu consigo...
Fui eu mesmo que escolhi, seguir por estes caminhos?
Quanto mais apoio eu procuro, mais me sinto sozinho.

Estou atrás de realizar-me ou satisfaço uma sociedade?
Luto tanto por coisas, mas as quero,  na verdade?
Sei que a paz é ilusória. Porque ainda a procuro?
Parece até nada mais, que só um lugar no escuro...

Procuro uma realização, que sequer saiba qual seja,
Chegar ao fim de uma estrada, sem que ao menos a veja?
Sigo na direção certa ou vou  no sentido  oposto?
Vou para onde desejo, ou obedeço algo imposto?

Ah! Destino meu, meu destino... 
Se te cantar, desafino. Se decifrar, desatino!
Peguei carona em você, mas creia-me: Sou clandestino!
Almejo o fim da jornada. Talvez não chegue em nada ou ancore em lugar nenhum.
Talvez eu encontre a luz...Aquela do fim do túnel! Talvez seja apenas, mais um.
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Economize


Muito espaço perdido no mundo, se para nos abraçarmos ocupamos tão pouco.
Todo tempo perdido com palavras ditas a mais de um milímetro da sua boca...
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Dores que não sei


Sinto dores.
Elas me incomodam... Hoje estão terríveis.
Devo ter cometido algum excesso.

Pode ser alguma coisa que tenha visto ou mesmo ouvido.
Alguma notícia ruim ou que tenha me desagradado. Uma decisão política, talvez. Ou uma discussão.
Pode ser aquela cena de crime que vi na televisão. Senti na mesma hora que doeu meu futuro.
Senti  também uma pontada forte na minha esperança. Ela já não anda muito bem, ultimamente. Tem estado fragilizada  e as doses de otimismo que tenho tomado pelas manhãs, não conseguem me trazer conforto até o final do dia.

Ontem tropecei em uma incompreensão que estava atravessada em meu caminho, e machuquei meu amor. Hoje ele ainda sangra. Já apliquei uma camada de perdão sobre ele, mas  ainda não surtiu o efeito esperado. Não poder contar com ele saudável me deixa mal.
Desde aquela situação que passei quando fui literalmente atropelado por uma ignorância desgovernada, caiu a resistência da minha compreensão e isso me fragilizou bastante.
Ontem à noitinha, sai na sacada e senti um frio de saudade gelar minha paz. Sabia que não iria me fazer bem.

Hoje vou iniciar um tratamento. É uma sessão de recordações que vai me fazer voltar aos tempos de criança. Vou ter que recarregar velhas inocências. Elas irão me ajudar.

Bem, preciso ir. O tempo está passando, e disse que não pode me esperar. Fui.
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Palavras


As palavras que ouvimos são assim como implantes colocados em nossa mente.
Algumas acabam por resolver  nossas vidas já outras, provocam reações diversas. Podem causar rejeição e até levar à morte.
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O homem



Tinha no olhar um mistério, seu jeito um tanto sério
De olhar para a vida e a morte,
Tinha o dom do improviso,  irradiava paz no sorriso,
Contava em tudo, com a sorte.
 
Ninguém soube de onde veio, nem se soube para onde ia,
E quando lhe perguntavam, ele desconversava, e seu caminho seguia.
No seu trajar a elegância,  perdia-se nas roupas surradas,
Deixava a  perceber, da vida abastada de outrora, não ter sobrado mais nada.

Gostava de assoviar, lindas e antigas melodias,
Assim  e cantarolando, passava todos seus dias.
Sentado em um banco da praça, a todos dizia uma graça,
E um elogio, fazia.

Rodeavam-no as crianças e era uma festança, tudo o que acontecia.
No colo os pequeninos, a todos dava carinho, e transmitia alegria.
Não se soube na verdade, qual era a sua idade, qual era o seu grau de estudo,
Mas falava com propriedade e nos assuntos diversos, mostrava saber de tudo.

Assim como veio, se foi. Quando se deram conta, ele já não estava.
Não tinha onde procurar, morava em todo lugar e pouco tempo ficava.
Deixou além da saudade, uma grande amizade e também muito respeito.
Era um homem misterioso, um tanto até curioso... Era um grande sujeito!

 

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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.