Escritas

Lista de Poemas

Adormeces.

Adormeces...
No teu silêncio repouso meu amor.
No compasso do seu respirar, aconchego a minha vida.
Na doçura desta entrega profunda,
esvai-se em mim o amor próprio
e me faço escravo deste momento.
Adormeces...
Lá fora é noite de lua cheia.
Mas seus olhos, por fechados, não refletem o luar,
tampouco o lume das estrelas.
Apenas a paz que rege o infinito
vela o teu sono e me faz companhia.
Adormeces...
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O que ficou



E ficou esse vazio...
Não...não é um vazio... É a dor da ausência.
Não é um vazio porque ficaram lembranças.
Estão gravadas as recordações de momentos.
Felizes, ternos, mágicos, culturais...
Ficaram fotos, sorrisos, abraços!
E estes, jamais se apagarão.
Ficou o perfume. O cheiro da comida!
A preocupação do dia 
a dia.
A transferência da honradez e do caráter.
Ficaram as conversas e os dias compartilhados.
Ficaram as esperanças e as expectativas do futuro.
Ficou uma vida inteira para ser revivida,
Tantas vezes quantas a saudade pedir.
                                           Ficou a certeza, de que haverá o reencontro.
                                                                            X-X


O tempo se cumpriu nas linhas de sua mão...
Fica o que nos cabe, leve o que aprendeu.
Homenagem a D. Emília Freitas.


 
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Fluidos

E apenas me resto, na imensidão desta grandeza,
No fundo de um todo, onde o muito é nada.
É aqui que se delimita a existência...
O marco zero entre a razão e a loucura.

É respiro a dor da solidão, imerso no pó
Onde soçobraram as esperas,
Embarcadas em esperanças multicores...
A claridade não tem luz, o amanhã não nascerá.

O que se ama além do próprio ego
E de uma vida chafurdada no esgoto de si mesmo?
O que é um todo e onde se encontra o infinito?
No alcance de uma filosofia barata ou na crença em um Deus?

A escolha é nossa, assim como o destino que escrevemos letra por letra.
O caminho é nosso e o traçaremos passo a passo.
A verdade é nossa e a diremos palavra por palavra.
A razão será nossa, enquanto isso tiver alguma importância...
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Ao seu olhar


Eu vi o sol, quando nascia atrás dos morros,
Ouvi os pássaros em coro, saudando o amanhecer.
Eu vi a luz que refletia nas folhagens,
Que as flores das ramagens, pareciam agradecer.

Eu vi a terra, de sereno umedecida,
Alimentando a vida, do verde a renascer.
Vi a saudade, que brotava no meu peito,
E não me dava sossego, implorando pra lhe ver.

Eu vi o dia, passeando nas estradas,
E a Juriti calada, parecia assuntar...
Coisas do céu, que adornado pelas nuvens,
Prometia que este tempo, nunca iria se acabar.

Eu vi o ouro, tingindo o horizonte,
Quando o sol buscava abrigo, querendo adormecer.
Ouvi de longe o cantar da cachoeira,
Chamando a mata inteira, para ver o entardecer.

Eu vi a noite, em toda sua grandeza,
Vir mostrar a natureza, salpicada de luar...
Eu vi a Lua, nascendo toda vaidosa,
Por seu brilho, orgulhosa, refletir no seu olhar.
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Procura-se


Procura-se a poesia,
Aquela, que em idos tempos,
Adornava cada poema.
Procura-se a inspiração
Que vinha do coração,
Às tintas de uma pena.

Onde será que se esconde,
O romantismo de outrora?
Aquele, que não tinha hora
Marcada para acontecer.
Será que a poesia,
Tristonha, sentiu-se esquecida...
Sofrida com esta agonia,
Quis desaparecer?

Ou a tal poluição,
Turvou a nossa visão
E esmoreceu o luar?
Talvez os amantes de agora,
Não sintam mais o impulso
De para a lua, olhar.

Quem sabe, a poesia,
Tenha perdido a alegria
E de existir, a razão?
Quem sabe, cansada de regras,
Resolveu dar-se uma trégua,
E viva na solidão...
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Eternamente


E a eternidade passou assim, como em um piscar de olhos...
Em um repente, haviam se passado horas, dias, meses, anos, vidas...
Foi tudo tão inesperado que ao se abrirem os olhos, nada mais era como fora um dia.

A infância, a juventude, a maturidade... Os sonhos, os planos para o futuro.
Ah! O futuro... Hoje ele anda curvado pelo passar dos dias e seu nome agora é: Passado!
Fatos que o tempo transformou em histórias, mesmo que sequer reais possam parecer.

As juras de amor eterno? Sobreviveram às rugas que hoje se estampam em nossos rostos?
Nossos olhares vívidos, em que se parecem com o fosco de nossas vistas cansadas?
Nossos risos abertos, gargalhadas produzidas com uma matéria hoje tão rara: A felicidade.

Não existem mais os largos sorrisos. Um tímido sorrir deixa sempre nos lábios, o desenho de uma saudade.
E a saudade é uma fornalha alimentada pelas chamas das lembranças que ardem sem compaixão consumindo nossa memória.
Não sabemos mais de expectativas, apenas de esperas. Vivemos cada minuto, cada hora, cada dia... Desafiamos o relógio a cada novo segundo.

Hoje sabemos, que o eterno é apenas o quanto se vive, procurando entender o quão longínqua é a eternidade.
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Vendavais



Depois, quando cessarem os vendavais
E o coração puder sentir
Tão somente a brisa das manhãs,
É preciso ter a força necessária
Para reconstruir...

Quando tudo o que o vento jogou para os ares,
Pousar no chão estremecido e árido,
Será hora de recolher o que mesmo em pedaços,
Se precisará para o recomeço.

Porque a incompreensão, quando se faz tempestade,
Não se apieda dos acertos que adornavam a vida.
E vem com a força de um furacão, procurando alicerçar,
Em razões imaginárias, a vontade de a tudo destruir.

Mas a calmaria que se segue, permite que germinem as reflexões.
E as lágrimas do arrependimento as tornarão mais fortes.
Novamente se fará o azul no céu e nele,
Ainda se verão por tempos, prenúncios de novos vendavais.
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Acontece...


E o amor acaba, assim ...

Vai se tornando pequenino, até caber dentro de um adeus.
E transforma em nada, tantos sonhos que eram tão nossos,
Tantas promessas, tantos planos, tantas ilusões.

E nossas mãos que abraçaram, apenas acenam.
Nossos olhos que brilhavam, deixam cair lágrimas incontroláveis,
Nossas bocas que beijaram, sussurram baixinho... Não vá!

E o adeus que acontece, nos faz imaginar que será apenas um: Até breve!
Um até logo, um até qualquer dia desses...
Até que o tempo venha nos ensinar o significado do eternamente.

E uma vida é tempo demais para esperar e muito pouco para esquecer...
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Parto.

Nasceu de um raio de luz!
Foi um relance, um momento...
Se houve dor, sofrimento,
Não saberei responder.

Veio assim, tão de repente,
De forma quase inconsciente.
Tomou forma, criou corpo,
Carregava em seu escopo,
Muitas razões e porquês.

Trazia um recado. Um tema!
E na forma de um poema,
Disse em versos e rimas,
Tudo o que tinha a dizer.

Talvez tenha sido entendido,
Talvez sequer sido lido...
Mas ao poeta só cabe,
Sua alma transparecer
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Dá-me


Dai a mim, o que me pertencer.
Se for rancor, ceda-me um pouco do seu perdão.
Se mágoa for, ensina-me a ser melhor.
Dê-me o desprezo, se assim o merecer.

Sou hoje o que consegui ser,
Aprendi o que pude absorver da vida,
Tentei quantas vezes pude e  precisei,
Demorei talvez demais para entender.

Dai a mim, o que me for de direito.
A paz, mesmo que seja em sua oração,
A luz, que me guie nesta escuridão,
O amor, que busquei em cada ilusão...
 
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.