Escritas

Biografia

Aqui vão alguns pensamentos e frases que talvez tenham importância.

Lista de Poemas

Total de poemas: 6 Página 1 de 1

Nota de rodapé

   Creio que a palavra escrita, sobretudo um texto bem feito, é capaz de deflagrar em mim um sentimento de imenso respeito. Como é bom acordar de manhã em um dia que promete chuva e, depois de ter se alimentado bem, reconhecer que há a vida pulsando dentro de um bom texto; bastando que eu o pegue e o leve à linha dos olhos. Este mesmo sentimento pode ser prolongado para outros momentos da vida, pois a memória é capaz de trazer de novo estas virtuosas sensações em horas mais cômodas... Ligando o presente a poucos aspectos do passado que valem a pena serem rememorados; fazendo deles uma parte permanente de nós mesmos.
   A vida, ao menos para mim, seria insuficiente se estes bons momentos não fossem possíveis. Faltaria algo que necessitaria de ser preenchido com um substituto à altura.
   Infelizmente, depois de pensar bastante, acabo não encontrando um substituto...

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Gênese do símbolo da farmácia

   O símbolo da farmácia foi inventado na Grécia Antiga e guarda um significado bastante peculiar à profissão farmacêutica. Na Antiguidade, conta-se a história na mitologia grega de um centauro, chamado Quíron, que era muito habilidoso na arte da cura e que usava plantas medicinais para devolver a saúde aos seus pacientes. O deus Apolo, depois da morte de sua amada Corônis, levou seu filho ainda pequeno para o Centauro Quíron; ele pensava, então, que a criança não teria outro mestre melhor do que este, já que infelizmente a sua mãe não conseguiu sobreviver a uma ferida mortal. No decorrer dos anos, o centauro ensinou ao jovem Asclépio tudo o que sabia sobre a medicina de sua época. Foi aí que Asclépio, depois de conseguir aprimorar os ensinamentos obtidos de seu mestre, ganhou fama entre os gregos de ser o deus da saúde, porque não havia mal que ele não soubesse curar. Ia pelo mundo dos homens com o seu bastão envolvido com uma serpente, fazendo o seu papel de protetor da saúde humana. Contudo, a profetisa Ocírroe já havia vaticinado o futuro de Asclépio, ainda quando este era um menino, a partir do que revelou a ele e ao centauro: “Cresce, menino, agente de saúde no universo inteiro. Os corpos dos mortais dever-te-ão, muitas vezes, a existência. Assistir-te-á o direito de lhes restituir as vidas roubadas e, tendo ousado isso uma vez, com a indignação dos deuses, o raio de teu avô proibir-te-á de o ousares outra vez”. Isso aconteceu porque Asclépio ousou devolver a vida a Hipólito através da sua sabedoria médica. Zeus, então, furioso por ver que Asclépio estava corrompendo a lei natural da vida (nascer, crescer, se reproduzir e morrer) por ter devolvido a vida de Hipólito e, também, para afirmar a sua autoridade diante dos homens e dos deuses, acabou lançando um raio fulminante em sua direção, fazendo “a sua alma se retirar do seu corpo e ir ao Reino dos Mortos”. Com a morte de Asclépio, a saúde passou a ser responsabilidade de sua filha Hígia, que se tornou a deusa da saúde. Hígia tinha como símbolo uma taça e, em virtude de sua nova responsabilidade, uma serpente enrolada foi adicionada a ela. Essa serpente é, por sua vez, uma representação do legado de seu pai. Nesse símbolo, a taça representa a cura (onde eram misturados os fármacos) e a serpente o poder (a capacidade de curar). Atualmente, o símbolo de Hígia, a taça com a serpente, é amplamente utilizado como o símbolo da farmácia.

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Comentário sobre Giuseppe Arcimboldo

   É importante notabilizar que a pintura já existia antes do Renascimento, porém somente a partir deste período histórico ela atingiu um grau bastante elaborado de composição, quando pintores geniais criaram a perspectiva linear, aprimoraram o uso de luz e sombra (chiaroscuro) e utilizaram a técnica de pintar com óleo sobre tela; buscando trazer em suas obras o homem como a figura mais representativa, por ter agora um papel central na temática utilizada, dando início ao humanismo nas artes visuais. No período do Renascimento, pode-se destacar a contribuição inovadora do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1526 - 1593) na representação das plantas no imaginário humano. Com uma maestria singular, Arcimboldo pintou uma série de quatro quadros, que ficou intitulada com o nome de As Estações. Por meio destes retratos alegóricos compostos por elementos típicos de cada estação, este pintor representou as quatro estações do ano: – primavera, outono, inverno e verão. É importante destacar o estilo escolhido por esse pintor, pois ele foi associado ao Maneirismo, que em resumo foi uma corrente artística que buscava explorar formas mais complexas, artificiais e até fantásticas. Nessa série de quatro telas, o elemento fantástico predomina.
   Repare, leitor, como o pintor dispôs nas telas os elementos vegetais, guardando cada imagem uma composição peculiar às características das estações do ano; e, por elas serem uma produção artística do Renascimento, os contornos do rosto humano são representados de múltiplas formas, deixando clara a importância do humanismo naquela época. As plantas, então, deixaram de ter um caráter alheio aos homens e, passando a formar os rostos humanos, mostram-se presentes na própria constituição de seus corpos; semelhantes aos alimentos vegetais consumidos que, depois de processados no organismo vivo, contribuem para a formação dos tecidos e do líquido sanguíneo. Além disso, a dicotomia exposta pelas telas da primavera e do inverno, por estarem em polos extremos, merecem uma análise mais aprofundada. Sendo assim, no quadro da primavera, é possível ver uma vivacidade absoluta, estando presente nas folhagens e especialmente nas flores, que têm cores vibrantes: isso acontece porque na estação da primavera ocorre a floração para muitas plantas, já que as condições climáticas favorecem a reprodução. E, também, leve em conta que neste quadro o pintor Giuseppe Arcimboldo retratou uma linda jovem, que possui, à sua frente, toda uma vida a ser descoberta; sendo a beleza dos arranjos uma característica da fecundidade marcante desta figura. Enquanto isso, no quadro do inverno, não é possível ver a mesma vivacidade: ao olhá-lo na verdade o observador é tomado por um sentimento de aversão e horror, pois ele não guarda uma beleza exuberante. Arcimboldo, então, buscou retratar neste quadro um homem velho, no final do seu vigor físico, por ter sido extenuado no decorrer da vida. Seu corpo e rosto são formados por um tronco cheio de escoriações e inchaços, representando suas rugas. A orelha e o nariz são formados por pedaços de tocos lascados do que já foram um dia galhos vívidos e vê-se diversos galhos menores, despontando do queixo e do alto da cabeça, representando assim uma barba rala e poucos cabelos no couro cabeludo – aspectos comuns à velhice dos homens. E, também, vale dizer que os contornos deste rosto são cansados, pois buscando representar o período de dormência e de danificação das folhas, galhos e raízes pelas geadas de inverno, o pintor escolheu dá à figura uma feição triste e inválida. Os limões colocados entre o peito e o pescoço e algumas folhagens da cabeça, por serem as notas de vida desta figura, apenas representam uma sombra de algo que já foi belo e que agora vive em meio à fealdade. Já de modo diverso aos dois exemplos anteriores, o leitor não encontrará uma dicotomia entre os quadros do verão e do outono, sem incidir numa ilusão de entendimento. Porque estas duas estações do ano comportam mais semelhanças do que disparidades: a fartura é comum às duas, encontrando nelas um período de estoque de alimentos vegetais. Portanto, o ponto principal e o elo que liga as duas entre si, ao contrário do que se pode pensar, é a transição entre essas estações que não ocorre por uma ruptura clara no equinócio de março do hemisfério sul, mas por uma continuidade de processos naturais ligados à produção e ao estoque de alimentos vegetais. Por isso que Arcimboldo pintou ambos os quadros com abundantes alimentos usados na subsistência humana, a exemplo das uvas, maçãs, ameixas, peras, abóboras, milhos, cerejas e cogumelos. Abordando, assim, de um modo inovador a temática das quatro estações do ano, personificando nelas a humanidade.

* Pós-escrito: procure encontrar as imagens das quatro telas de Arcimboldo para uma melhor compreensão do texto; elas podem ser encontradas facilmente numa rápida pesquisa na internet.

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Potencial do Brasil na farmacobotânica

   É uma ideia corrente afirmar que os recursos naturais de um país contribuem de maneira decisiva para o seu sucesso econômico e como um Estado-nação. Na circunstância do Brasil, é comum dizer que tais recursos existem em abundância e em alguns fatores estatísticos – como é o exemplo do volume hídrico disponível de água doce –, pode-se declarar que não há no mundo nenhum outro paralelo de país que o ultrapasse. Mas igualmente não se conhece no globo outra parte em que os dons dos recursos biológicos, ou seja, a fauna e a flora, se desenvolveram a ponto de criar uma terra tão rica em biodiversidade de espécies quanto comparada ao nosso país! Sendo assim, ao se apontar ao acaso no mapa do Brasil, em cada região, em cada clima e em cada solo, o observador se surpreenderá em descobrir que grande parte desses recursos naturais ainda estão inexplorados e, no caso preciso das plantas silvestres, muitos dos seus potenciais terapêuticos não são totalmente conhecidos; por mais que existam pesquisas científicas acontecendo a cada ano. Num país de tamanho continental como é o Brasil, as pesquisas no ramo de farmacobotânica, que é a ciência que estuda as propriedades medicinais provenientes das plantas, ainda são por demais escassas, sendo necessário cada vez mais investir no sentido de desenvolver este campo científico valioso para a saúde comunitária e o bem-estar coletivo no mundo contemporâneo.
   Os seis principais biomas brasileiros – Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas – são verdadeiros herbários vivos e podem oferecer aos seres humanos, através de pesquisas científicas, respostas eficazes para o tratamento de doenças comuns ou mais agressivas que debilitam o nosso organismo. De modo geral, ao se observar a germinação de uma semente, que caiu num lugar próprio para seu nascimento sendo carregada por pássaros ou por forças naturais como o vento e a água, ninguém chegaria facilmente à conclusão de que ali, naquela pobre brotadura vegetal que desponta do solo, daria para se extrair mediante a processos de coleta propriedades terapêuticas para se curar enfermidades. Porém esse pensamento de não enxergar na totalidade das espécies vegetais silvestres possíveis repositórios terapêuticos ou, de outro modo ainda mais restritivo, enxergar que somente as espécies vegetais já usadas na subsistência humana podem ser repositórios terapêuticos, é acima de tudo uma forma infeliz de se aproximar de um objeto de estudo amplo e repleto de subvariedades – como é característico das plantas medicinais. Sabe-se, aliás, que foram os primeiros povos que aqui já existiam antes da chegada dos portugueses, notadamente os povos originários (indígenas), os responsáveis por fazer uma primeira seleção empírica, por intermédio de testes de tentativa e erro, das plantas medicinais encontradas nas terras brasileiras – nesse aspecto sociológico (interação de etnias com as plantas para produção de conhecimento tradicional), a matéria de etnobotânica é a encarregada por traçar a importância dos indígenas como agentes descobridores de propriedades medicinais nas plantas da flora nacional. Para João Fhilype (2020), pela grande biodiversidade da flora do Brasil, que comporta cerca de 20% de todas as espécies vegetais do planeta, o país se apresenta com enorme potencial para a pesquisa de novos fármacos úteis para o desenvolvimento de medicamentos de elevado valor econômico e social para a população. Ainda segundo este mesmo autor, inclusive, apenas 5% dessa rica flora (aproximadamente 55 mil espécies identificadas) foi investigada até o momento sob o ponto de vista fitoquímico e farmacológico; demonstrando que há recursos biológicos inexplorados.
   É relevante deixar registrado os exemplos de algumas plantas nativas que têm propriedades terapêuticas. Na Floresta Amazônica, é possível apontar a planta Copaíba (Copaifera langsdorffii) como uma poderosa ferramenta auxiliadora da saúde humana. O óleo extraído dessa planta é usado em tratamentos tópicos, orais e vaginais, por ter propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e antimicrobianas. Também é usado para tratar tosses, catarros e dores musculares. Além disso, a casca da Copaíba é usada como cicatrizante de feridas. Já a Aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva), pertencente a Caatinga, tem propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. O extrato das folhas, raízes e cascas dessa planta é usado em banhos de assento, chás e topicamente para tratar ferimentos, gastrites e doenças hemorroidárias. Por último, a Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), muito comum nos Pampas, ajuda a aliviar sintomas como azia, indigestão, gastrite e úlceras. Além de reduzir também a acidez estomacal e a proteger a mucosa gástrica, mediante ao consumo através de chá. Portanto, estes três casos de plantas medicinais da flora do Brasil representa apenas uma pequena parte do seu real potencial terapêutico nativo. A conclusão óbvia que se pode depreender desses exemplos é que os brasileiros possuem em seu território uma grande oportunidade de extrair propriedades medicinais das plantas, e em alguns casos, como é representativo da Espinheira-santa, podem encontrar soluções curativas para algumas doenças mais agressivas como úlceras, que são feridas abertas na pele ou nas mucosas do organismo, por meio de extratos vegetais de fácil acesso.
   Sendo assim, imagine que os três exemplos de plantas medicinais expostos agora há pouco são apenas, para usar uma expressão corriqueira, a ponta de um iceberg. Pois diante dessa metáfora é possível vislumbrar que abaixo da superfície marítima, onde a maior parte dessa grande massa de gelo se encontra submersa e invisível, há ainda lugares a serem investigados e talvez oportunidades à vista. Pode-se, enfim, facilmente citar algumas vantagens do uso da alternativa natural oferecida pelas plantas frente ao uso de medicamentos sintéticos: é uma solução de baixo custo e acessível, quase nunca expressa efeito colateral e integra conhecimentos da medicina tradicional ao cotidiano. Demonstrando de maneira inequívoca o valor das plantas medicinais para aliviar as dores humanas.

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Um livro pouco lembrado

   Desde que eu me propus a escrever estas anotações, compostas muitas vezes em horas mais calmas, pude perceber algumas soluções pouco felizes por quais a minha escrita enveredou. Sou um escritor amador e, na medida do possível, tento conciliar meu cotidiano simples com os lampejos literários que me ocorrem. Busco unir o meu desejo de escrever a temas que me vem ou com aqueles que se esvoaçam no meu pensamento por terem uma compleição especial agradável a mim. Por estas linhas já é possível descobrir que meu motivo é modesto, não querendo alcançar o sublime. Quero, enfim, escrever textos não muito longos, buscando expor certas questões. 
   A natureza destas questões pode ser bastante diversificada. Cada uma pode guardar um quadro fechado em si; podendo ser apreciado individualmente. Contudo, ao olhar com atenção os textos anteriores, pude chegar a um veredicto: – nenhum até agora se empenhou em ser mais profundo, conciliando e analisando variadas questões ao mesmo tempo. Posso afirmar que até aqui só fiquei ao pé de uma borda, deixando a longa ponderação para outro momento. É hora de mudar de caminho, de ir de encontro a outra vereda. De ampliar finalmente a feitura deste volume. 
   A obra de Eça de Queiroz é grande; porém há um livro dentro de sua vasta produção que sempre despertou em mim um grande interesse: – as Cartas de Inglaterra. Ao começar a sua leitura é impossível não se surpreender com momentos maravilhosos; guardando por vezes um sabor de novidade aos olhos desatentos. É, em bons aspectos, um livro completo. Há ali momentos ternos e momentos grandiosos; pequenas e grandes histórias, sempre entremeadas com soluções pitorescas do autor. Finalmente destaco que cada natureza dos assuntos das cartas é muito diversificada, podendo ser cada uma delas um verdadeiro convite à análise da boa prosa portuguesa. 
   Na primeira carta, intitulada Afeganistão e Irlanda, já é possível ver uma parte da geopolítica inglesa no século XIX. Um verdadeiro quadro dos costumes ingleses vai se revelando ao leitor; e não é um despropósito a comparação que é feita entre o Afeganistão e a Irlanda – ambos territórios influenciados pela Inglaterra. O Imperialismo das nações industrializadas já estava atuante na segunda metade do século XIX, sendo os seus principais representantes a França e a Inglaterra. A tomada do Afeganistão representou as aspirações imperialistas da Inglaterra para uma região muito longe do seu governo central, enquanto o caso da Irlanda foi entendido como um motim dentro do seu próprio império. 
   Todas as doze cartas que compõem este livro valem a pena serem lidas; são verdadeiras preciosidades dentro da literatura de língua portuguesa.

(Trecho de uma anotação minha).

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Memória

   Ainda sou capaz de lembrar, na verdade lembrei-me rapidamente nesta manhã, de um momento primoroso de minha infância.
   Um dia meu irmão mais novo foi presenteado com um conjunto de peças, de variadas cores e moldadas à maneira de animais marinhos, com a finalidade de fazer desenhos com relevo na areia do mar. Contudo, posso afirmar que nunca as usamos em local adequado: – as peças nunca foram levadas à praia.
   Elas ficavam espalhadas pela casa ou, na melhor das hipóteses, eram usadas como brinquedos dentro da própria casa; desvirtuadas assim de suas verdadeiras funções.
   A minha infância também é marcada por horas imensas preenchidas com jogos no video game em tardes e manhãs perfeitamente solitárias.
   No entanto, o meu círculo de interesse hoje é outro. Posso dizer que sou encantado todos os dias pelas riquezas da vida, principalmente se estas riquezas vierem escritas numa folha de papel...

(Uma das odes de Horácio, um poeta da Antiguidade).

Lembra-te de manter nos maus momentos,
e não menos nos bons, o equilíbrio da tua mente,
apartando-a dos excessos da alegria,
tu, Délio, que hás de morrer,
quer se triste todo o tempo tiveres vivido,
quer se, reclinando-te num remoto relvado,
durante os dias de festa reconfortado te tiveres
com um seleto vinho falerno.
Por que razão o gigante pinheiro e o alvo choupo
os seus ramos em acolhedora sombra adoram unir?
Por que se envida a fugidia água
em se agitar no sinuoso leito?
Manda para aqui trazer vinhos, perfumes,
e as demasiado breves flores da amena rosa,
enquanto o momento, a idade,
e das três irmãs os negros fios o permitirem.
Então deixarás os bosques que compraste, a tua casa,
a tua vida que o flavo Tibre banha, tudo deixarás,
e um herdeiro senhor se tornará
das riquezas que até ao cimo amontoaste.
De nada interessa que rico, renovo do velho Ínaco,
ou que pobre, de baixa e humilde família,
sob este céu te tenhas demorado:
vítima és do Orco, que de nada se apieda.
Para um mesmo sítio todos nós somos forçados a partir,
mais cedo ou mais tarde, agitada na urna, de todos nós
a sorte há-de sair, colocando-nos na barca
rumo a um eterno exílio.

(Trecho de minhas anotações).

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