Escritas

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8½ ou o Paraíso dos Sonhos

 

No espelho quebrado vi eu, nós?
No paraíso dos sonhos, não existem pesadelos.

Meu corpo
dissipou,
dissolveu,
derreteu.
Discórdia,
discordou,
discorri.
Desdém,
desmoronei.
O dia a dia é meu
devaneio
derradeiro.

No paraíso dos sonhos: em conversa com o eu.

Poeira nos olhos,
aqui sou amigo do rei,
sem olhar,
sem grito.
Cem escadas que levam à mesma sala.
Você vê? Existe um microponto sob a porta,
coberto de luz,
que conduz ao limiar da lucidez.
Desde que entrei, nunca voltei.

Duelei com minha sombra,
disputei: quem sabe mais sobre eu?

Um fragmento ilusório,
meu sonho é um pedaço do céu.
visão tampada pelo véu,
rasguei as nuvens de algodão,
mergulhei no limbo da realidade,
aprofundando-me.

Tive visões vindouras de um vendaval,
voei com a vida,
andei pelos vales vandalizados,
com veemência,
Veredito:
não existe para onde voltar.

Ascensão e queda,
paraíso dos sonhos.

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Sonhei que dormia com um punhal embaixo do travesseiro.

Você me espia,
estou escondido
entre
lírico
e
onírico.

Seu olhar
penetra-me,
escárnio
em carne,
ou cárcere?

Refém do meu silêncio,
vocifero em súbito.

Em sua mira,
sou frágil,
indefeso,
desvalido.

O demônio das onze
deleita-se em delírio.

Queria quebrar o seu canino,
quando você sorri
com essa boca 
cheia de dentes.

Encontre-me: atônito e trêmulo.
Não tenho resposta
sempre fui esse 
farrapo humano
indefeso
sem garras,
sem presas.

Percebo de estalo
que o sangue
correu,
corrompeu,
esvaiu,
escorreu,
evaporou.

Estou na esquina
entre o lírico
e o onírico.

Seu canivete golpeia
meu flanco esquerdo:
lambida/ferida.

Corpo suspenso,
sangue seco.

Apunhalo suas costas
 os pés saem do chão.
não existe caminho
não existe retorno
não existe luz.

Aqui, tudo é possível.
Me deito em delírio,
no meio do mundo.

 o vazio virou prazer
na esquina do tempo
sem choro, lamento
na esquina da vida
esperando saída
estou lhe esperando
entre o lírico e o onírico.

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