Escritas

Sonhei que dormia com um punhal embaixo do travesseiro.

GabrielAndrade

Você me espia,
estou escondido
entre
lírico
e
onírico.

Seu olhar
penetra-me,
escárnio
em carne,
ou cárcere?

Refém do meu silêncio,
vocifero em súbito.

Em sua mira,
sou frágil,
indefeso,
desvalido.

O demônio das onze
deleita-se em delírio.

Queria quebrar o seu canino,
quando você sorri
com essa boca 
cheia de dentes.

Encontre-me: atônito e trêmulo.
Não tenho resposta
sempre fui esse 
farrapo humano
indefeso
sem garras,
sem presas.

Percebo de estalo
que o sangue
correu,
corrompeu,
esvaiu,
escorreu,
evaporou.

Estou na esquina
entre o lírico
e o onírico.

Seu canivete golpeia
meu flanco esquerdo:
lambida/ferida.

Corpo suspenso,
sangue seco.

Apunhalo suas costas
 os pés saem do chão.
não existe caminho
não existe retorno
não existe luz.

Aqui, tudo é possível.
Me deito em delírio,
no meio do mundo.

 o vazio virou prazer
na esquina do tempo
sem choro, lamento
na esquina da vida
esperando saída
estou lhe esperando
entre o lírico e o onírico.