Sonhei que dormia com um punhal embaixo do travesseiro.
Você me espia,
estou escondido
entre
lírico
e
onírico.
Seu olhar
penetra-me,
escárnio
em carne,
ou cárcere?
Refém do meu silêncio,
vocifero em súbito.
Em sua mira,
sou frágil,
indefeso,
desvalido.
O demônio das onze
deleita-se em delírio.
Queria quebrar o seu canino,
quando você sorri
com essa boca
cheia de dentes.
Encontre-me: atônito e trêmulo.
Não tenho resposta
sempre fui esse
farrapo humano
indefeso
sem garras,
sem presas.
Percebo de estalo
que o sangue
correu,
corrompeu,
esvaiu,
escorreu,
evaporou.
Estou na esquina
entre o lírico
e o onírico.
Seu canivete golpeia
meu flanco esquerdo:
lambida/ferida.
Corpo suspenso,
sangue seco.
Apunhalo suas costas
os pés saem do chão.
não existe caminho
não existe retorno
não existe luz.
Aqui, tudo é possível.
Me deito em delírio,
no meio do mundo.
o vazio virou prazer
na esquina do tempo
sem choro, lamento
na esquina da vida
esperando saída
estou lhe esperando
entre o lírico e o onírico.
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