Escritas

8½ ou o Paraíso dos Sonhos

GabrielAndrade

 

No espelho quebrado vi eu, nós?
No paraíso dos sonhos, não existem pesadelos.

Meu corpo
dissipou,
dissolveu,
derreteu.
Discórdia,
discordou,
discorri.
Desdém,
desmoronei.
O dia a dia é meu
devaneio
derradeiro.

No paraíso dos sonhos: em conversa com o eu.

Poeira nos olhos,
aqui sou amigo do rei,
sem olhar,
sem grito.
Cem escadas que levam à mesma sala.
Você vê? Existe um microponto sob a porta,
coberto de luz,
que conduz ao limiar da lucidez.
Desde que entrei, nunca voltei.

Duelei com minha sombra,
disputei: quem sabe mais sobre eu?

Um fragmento ilusório,
meu sonho é um pedaço do céu.
visão tampada pelo véu,
rasguei as nuvens de algodão,
mergulhei no limbo da realidade,
aprofundando-me.

Tive visões vindouras de um vendaval,
voei com a vida,
andei pelos vales vandalizados,
com veemência,
Veredito:
não existe para onde voltar.

Ascensão e queda,
paraíso dos sonhos.