Polícia
diego ivan de souza adib
Parece que passou, apenas, um segundo;
pois, lembro
das nossas primeiras férias de dezembro.
No fundo, éramos tão crianças;
mas guardo na lembrança,
aquela vez...
Misturando coragem com timidez,
arrependo só de uma coisa que a gente não fez;
que, de repente, foi a única, talvez,
de cada roubar do outro um beijo.
Mesmo com o desejo, tivemos medo;
porém, mais tarde, aquele beijo poderia vir mais cedo.
Como sentíamos, um covarde, de maneira encorajada,
estávamos, assim, do nada,
de mãos dadas.
E logo me veio à pergunta:
O que fazer estando nossas mãos juntas?
E continuando juntas nossas mãos,
como resposta, me levou para a varanda.
Assim, rodou-me feito pião;
e, ali, já depois, estávamos nós dois,
brincando de ciranda.
Por isso digo a importância
da infância;
porque vejo que, naquela época,
não tínhamos nenhuma malícia.
Pensava (não com essa mesma ignorância):
Se eu lhe roubasse apenas um beijo,
poderia você chamar a polícia?
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