Acorda
diego ivan de souza adib
Ando sem caminho, sou peregrino do destino.
Entre todos, estou mesmo sozinho;
no fundo encontro em todo mundo:
com todo mundo, defino.
Por mais que não pareça, sinto como um menino abandonado
que quer amor, carinho e mais cuidado,
até daqueles que me odeiam, sacaneiam, passando a mão pela minha cabeça.
Procurando, em todo lado, rumo certo na vida,
mas que acorda e vê somente rua sem saída;
fico parado para não pisar em campo minado.
Ando por essa estrada que parece não dar em nenhum lugar: chega a nada.
Como miragem, vem imagem de mar e de sereias,
e logo desaparece e começo a sentir nos pés, a areia.
Tento chegar ao morro, mas afundo.
Para onde corro? Pergunto.
No fundo, a areia é areia movediça;
começo a mover, mesmo com preguiça;
grito por socorro.
Queria que estivesse alguém comigo,
para morrermos juntos
e menor ser o perigo.
Desespero por ver que vou me unir a outros defuntos.
Por salvação espero.
Se fosse para estar morto,
bastava, antes, ser submetido ao aborto;
ou, invés de sexo, meu pai praticasse masturbação.
Perplexo, há confusão de pensamento.
Olho e, de repente, me aparece do nada, uma corda
na hora em que eu mais precisava de ajuda:
a mesma que Judas usou em seu enforcamento,
a mesma que tenta me arrancar do fundo do poço.
Penso que, depois de salvo,
possa ser, no mesmo momento, alvo:
já que estou com a corda no pescoço.
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Jose Cerqueira
2025-09-23
Poema dedicado e evocativo aos estudantes brasileiros para se alistar como voluntários para combater na Guerra do Paraguai, contra Solano Lopez.
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