Escritas

Transfusão

diego ivan de souza adib


Todo tempo que ocorre tem o tempo certo:

Tudo nasce tudo morre.

Como lá no deserto,

as areias tinham seu tempo determinado,

antes até de o relógio ser inventado,

para se tornarem ampulhetas.

Por favor, se tiver com tempo, leia;

desculpe se eu não chegar no final,

ainda tendo muito para escrever, afinal.

Não se zangue;

espero que possa entender:

Tempo de vida, também tem a caneta.

Mas poderia esperar um pouco mais,

que não seria demais.

Porque ser agora,

não em outra hora?

Mesmo se a velha tinta vermelha estiver fraca,

não importa;

irei pô-la na maca.

Encherei, por completo,

disso que já injeto

o tubo, também de sangue,

para não deixar que fique morta.
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