Van Filosofia
diego ivan de souza adib
Prefiro que me prenda no calabouço,
arranque minha cabeça
e deixe intacto o meu pescoço. Mesmo que alguém aconselhe, ou não queira que, nele, eu me espelhe;
ou ainda que, em nós, nada se pareça,
pela dúvida, quem sabe, o improvável aconteça,
de forma inimaginável obedeça
em fazer nossa vida 'correr parelha'.
Assim como "Van Gogh", por mais incabível, eu pense em cortar minha orelha minuto a minuto,
ou algo que, talvez, se assemelhe,
por tanto absurdo que ouço,
pois, era preferível estar surdo.
De tudo, um pouco; tenho um pouco de tudo.
Louco, não por falta de estudo,
já que estudo feito louco.
Prefiro ser mudo para melhor ser compreendido;
e, quando não sou compreendido, ai é que mudo.
Iludo, por sentir também, muitas vezes, tão desiludido;
atrevo a escrever, não porque escrevo e nem por ser atrevido.
Escrevo não só pelo dever, mas porque devo deixar escrito;
não posso isso evitar, nem pelo que já evito.
Mas isso parece ser um compromisso irrecusável;
até quando recuso, uso e abuso de maneira inevitável.
Mesmo se tolero, eu não espero tolerar, pelo tanto que já espero.
Mesmo se tolero, não espero tolerar de modo tão tolerável.
Então, prefiro evitar, também, o preferível
e fazer o impossível ser possível,
por mais que eu veja que isso impossível seja;
vendo que é possível, pois acredito até no inacreditável.
Sonho mesmo acordado; acordo como tenho sonhado,
de olhos fechados, imagino-me de olhos abertos.
Certo estou que estou errado, decerto, com o erro acerto;
fazendo o certo, mesmo nas vezes em que, raramente, tenho acertado;
pois até estando errado deixo acertado
que, mesmo fazendo o certo, não acerto, decerto.
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