Escritas

A mais pura miséria

diego ivan de souza adib


Miséria,

entalada na garganta,

que não enche a barriga, no fundo do prato,

no almoço, na janta.

Miséria,

que não mata as lombrigas,

na boca, no tato;

na mesa,

como sobremesa,

que, quanto mais se alimenta,

mais aumenta.

Miséria,

que se come,

que se consome,

que não some

em nome da fome.

Mesmo com fartura,

eu vejo como séria:

essa mais pura

miséria.
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